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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cidade boa para viver



O arquiteto Jan Gehl, responsável por mudar a cara de Copenhague, nos anos 1960, mostra que as cidades têm solução e dá a receita: pensar, em primeiro lugar, nas pessoas.




Copenhague, um lugar bom para se viver e que fica melhor a cada dia.
As cidades brasileiras também podem ser assim.


Texto: Natália Garcia

É clichê e piegas, mas é preciso dizer: por trás – e ao lado – de todo homem há, sim, uma grande mulher. No caso do planejador urbano dinamarquês Jan Gehl, que se formou arquiteto em 1960 na Royal Danish Academy of Fine Arts, foi a esposa psicóloga que o impediu de se tornar mais um “obcecado pela forma, sem pensar na funcionalidade”, como ele descreve a maioria dos colegas. “Ela me provocava perguntando por que nós nunca pensávamos nos aspectos humanos na hora de criar projetos para a cidade”, conta. Gehl e a esposa organizavam reuniões semanais em sua casa com outros colegas para discutir as fronteiras (e possíveis ligações) entre sociologia, psicologia, arquitetura e planejamento. Esses encontros foram o começo do que mais tarde se tornaria o assunto da vida de Jan Gehl: como criar cidades melhores para as pessoas.

Em 1971 ele publicou seu primeiro livro, Life Between Buildings (“A vida entre os prédios”, em tradução livre, sem versão em português), em que se debruça sobre o comportamento das pessoas nos espaços públicos e utiliza a Strøget, a primeira rua de pedestres de Copenhague, como laboratório para mostrar que priorizar as pessoas era o melhor para criar boas cidades. A Strøget era uma importante avenida comercial e o anúncio de seu fechamento para virar um calçadão em 1962 causou reações negativas. “Não somos italianos”, diziam os jornais para argumentar que o clima gélido da Dinamarca impossibilitava uma vida ativa nos espaços públicos. “Um ano depois, todos os comerciantes reconheciam: eles estavam errados”, conta Gehl. As vendas triplicaram e esse calçadão de quase 1 quilômetro passou a ser ocupado pelos habitantes da cidade. Estudar o assunto fez com que Gehl criasse uma metodologia de planejamento que prioriza as pessoas. Seu escritório, o Gehl Architects, é o mais requisitado do mundo e já fez projetos, inclusive, para São Paulo e Rio de Janeiro.

O que significa criar uma cidade para as pessoas?
Você já notou que sabemos tudo sobre o habitat ideal dos gorilas, girafas, leões, mas nada sobre o Homo sapiens? Qual o lugar ideal para essa espécie viver? Infelizmente, sabemos muito pouco. Boa parte dos profissionais que definem o futuro de uma cidade, os arquitetos, urbanistas e políticos, estão preocupados com outras coisas. Eles querem melhorar o trânsito, criar “skylines”, monumentos, pontes, mas nenhum deles tem na agenda o item “criar uma cidade melhor para as pessoas viverem”.

E qual seria o lugar ideal para o homem viver?
Certamente não é uma cidade em que se precise passar três horas por dia dentro de um carro preso no congestionamento. Mas uma das coisas que descobri em todos esses anos de trabalho é que precisamos respeitar a escala humana. Em meu livro Cities for People (“Cidades para pessoas”) eu falo, por exemplo, sobre a síndrome de Brasília, uma prática repetida em várias cidades do mundo. Brasília nasceu para ser uma cidade planejada, certo? Pois bem, quando a olhamos do céu, ela é incrível, mas quando a olhamos do chão, parece que estamos em uma maquete fora de escala. É tudo grande demais, as distâncias são impossíveis de serem percorridas pelo corpo humano e os monumentos são grandes demais para apreciarmos a partir de nossa altura. Isso sem contar a falta de calçadas e ciclovias. Se você não tem um carro em Brasília, fica impossível se locomover.

A escala humana, então, é a chave para planejar cidades para pessoas?
É uma das chaves. Temos que criar uma mudança de paradigma aqui. Antes de pensar em mais ruas, ciclovias, transporte público ou mesmo na escala humana, é preciso pensar: que cidade queremos? E aí, o que importa não são os elementos do planejamento urbano, mas as coisas que nos fazem viver melhor. Quando os planejadores quiserem chegar aí e não, por exemplo, ao melhor sistema de mobilidade possível, aí sim estaremos em um caminho interessante para melhorar as cidades.

O senhor fala em trânsito, problema grave no Brasil. Quais as soluções para essa questão?
O congestionamento é, sem dúvida, um dos maiores problemas das grandes cidades do mundo. E a chave para resolvê-lo é entender que a demanda correta não deve ser por mais transporte público ou ciclovias ou calçadas. Deve ser por mais opções, por mais liberdade de escolha de meios de se locomover do ponto A ao ponto B. Só ciclovias ou só transporte público não resolvem, mas uma combinação dos dois com boas calçadas e vias exclusivas de pedestres começam a deixar a cidade mais interessante e a dependência que se desenvolveu do carro começar a diminuir. Mas, ainda assim, muita gente vai continuar se locomovendo de carro, por comodidade. Então, junto com o aumento de opções de locomoção, é preciso diminuir o uso dos carros, dando menos lugar a eles. Quanto mais ruas, mais carros, quanto menos ruas, menos carros. Se você oferecer infraestrutura, a sociedade vai utilizá-la. Então, tirar espaço dos carros, ou proibir que estacionem nas ruas, são algumas das formas de garantir que eles sejam menos usados, em especial em curtos trajetos. E aí, as pessoas que realmente precisem de um veículo para se locomover, seja porque a distância é longa demais, seja porque é uma emergência, terão espaço para dirigir.

Parece tão difícil e tão longe da nossa realidade...
Sim, é um processo complicado. Hoje Copenhague é um exemplo mundial de uma cidade boa para se viver, mas começamos nossa mudança de paradigma 50 anos atrás. A chave para que tenhamos chegado até aqui foi dar um passo de cada vez. Não dá para, de uma hora para outra, proibir os carros de estacionarem nas ruas. Mas que tal proibir em um bairro? Ou em apenas uma avenida? E, no lugar onde os carros estacionariam, criar uma ciclovia? Esse acaba sendo um projeto piloto, as pessoas teriam tempo para se acostumar. E, quando começar a dar certo, fazemos isso em outro ponto. Pouco a pouco a população vai entendendo como a cidade pode melhorar. Eu tenho muito orgulho de dizer que moro em uma cidade que todos os dias é um pouco melhor do que era no dia anterior.

Em Copenhague, um terço das pessoas usa a bicicleta como transporte todo dia. As bicicletas devem ser pensadas como solução em cidades grandes como São Paulo?
Certamente sim. A bicicleta é um meio de transporte ágil que não polui e faz as pessoas se exercitarem. A chave para integrar a bicicleta à mobilidade urbana de uma cidade muito grande é não pressupor que as pessoas vão fazer todo o trajeto pedalando. Pedalar 20 quilômetros pode ser ok para quem é jovem e tem condicionamento físico, mas certamente não é uma prática para todos. Então a bicicleta precisa estar integrada a outros meios de transporte. Bicicletários deveriam existir na maioria absoluta dos pontos de ônibus, trens e metrô, para que as pessoas possam fazer parte do trajeto pedalando e parte de metrô, por exemplo. Bicicletas de aluguel que sigam os exemplos de Paris, Barcelona e Lyon, onde as pessoas podem retirá-las e devolvê-las em diferentes pontos da cidade, são ideais. Mas é fundamental que haja infraestrutura para pedalar. Se as pessoas não se sentirem seguras, bicicleta continuará sendo um meio restrito para se transportar.

Como a população deve participar do processo da criação de cidades para pessoas?
É preciso que as pessoas exijam as coisas certas. Se você, por exemplo, perguntar a uma criança o que ela quer de natal, ela vai te responder uma lista de coisas que já conhece. Uma criança nunca pediria algo de que nunca ouviu falar. O mesmo vale para as demandas das pessoas em relação às cidades. É fundamental que haja informação sobre como uma cidade pode ser melhor para que a sociedade exija as coisas certas. Enquanto exigirem mais ruas para dirigirem seus carros, as cidades vão continuar crescendo do jeito errado. Quando passarem a exigir mais liberdade de locomoção, daí o governo terá que fazer algo a respeito. Em Copenhague foi assim. Na década de 1970 a cidade estava tomada pelos carros. Com a crise do petróleo, dirigir ficou muito caro e as pessoas começaram a exigir infraestrutura para pedalarem em segurança. E as ciclovias foram, pouco a pouco, tomando o lugar dos carros.

O planejamento urbano pode fazer as pessoas mais felizes?
Planejamento urbano não garante a felicidade. Mas mau planejamento urbano definitivamente impede a felicidade. A pior coisa para a felicidade das pessoas é perder tempo paradas no congestionamento. Se a cidade conseguir diminuir o tempo que você fica parado no trânsito e lhe oferecer áreas de lazer para aproveitar com seus amigos e sua família, ela lhe dará mais condições de ter uma vida melhor. O planejamento urbano é uma plataforma para as pessoas serem felizes.


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Bons exemplos na prática

A repórter Natália Garcia criou o projeto Cidades para Pessoas. Durante um ano, ela vai percorrer 12 cidades pelo mundo – e morar por um mês em cada uma delas – para buscar ideias. O critério de escolha desses locais foi o trabalho do urbanista Jan Gehl: todos os centros urbanos visitados tiveram sua consultoria ou são considerados por ele boas cidades para viver. Todas as reportagens feitas pelo projeto serão publicadas no site cidadesparapessoas.com.br e licenciadas em Creative Commons para que sejam livremente replicadas. O projeto foi financiado por “crowdfunding” por 283 pessoas pela plataforma brasileira Catarse.me.




Fonte: Revista Vida Simples, julho / 2011, edição 107, págs. 42 a 45.





quarta-feira, 13 de julho de 2011

2ª reunião no Ministério Público




Aconteceu na manhã de hoje (13), no edifício sede do Ministério Público Estadual, mais uma reunião para tratar da construção de infraestrutura cicloviária na cidade de Maceió. Dando sequência à reunião anterior, ocorrida em 08/06/2011, foram convocados para esta reunião representantes de secretarias municipais, entidades ligadas à construção civil e Ministério Público do Trabalho.





Foi cobrado das representantes da Secretaria Municipal de Planejamento - SEMPLA a apresentação do Plano de Mobilidade dos Não Motorizados que vem sendo desenvolvido por esta secretaria desde junho de 2008. A arquiteta Dione Pereira informou que o mesmo encontra-se na Secretaria Municipal de Finanças para análise.





A vereadora Heloísa Helena solicitou que o Plano seja enviado à Câmara de Vereadores no máximo até agosto próximo, para que possa ser incluído na Lei Orçamentária de 2012. Caso contrário, só entrará no orçamento de 2013. A vereadora também informou que colocou emenda no valor de R$ 1 milhão para o orçamento de 2011 para construção de ciclovias, com a rubrica denominada "ciclovias, pontilhões e escadarias", porém todo o valor foi utilizado apenas nos pontilhões que foram construídos sobre o riacho do Sapo. Segundo a vereadora, no orçamento de 2012, a rubrica das ciclovias será desmembrada de pontilhões e escadarias para não ocorrer o mesmo.

Em seguida, os representantes da Bicicletada de Maceió solicitaram do superintendente Pinto de Luna uma resposta ao processo nº 07100-049203-2011 que deram entrada na SMTT em 26/05/2011 propondo uma solução para a circulação de ciclistas na Av. Jatiúca, que teve seu trânsito modificado recentemente não tendo levado em consideração o espaço da bicicleta.

O superintendente disse sentir falta de representante dos usuários de bicicleta no Conselho de Transporte e que tem buscado maneiras de conseguir esta inserção. Segundo o superintendente, a SMTT "envelheceu", mas tem procurado estar aberta às novas ideias de Mobilidade que buscam a humanização do trânsito.

Os representantes da Bicicletada de Maceió reconheceram o esforço da SMTT e disseram ser fundamental a inserção de representantes dos ciclistas na SMTT, no Conselho Estadual de Trânsito - Cetran e no Conselho Nacional de Trânsito - Contran.

Foi louvável a postura dos promotores de Justiça que, durante toda a reunião, buscaram mediar as discussões com bastante praticidade, evitando arrodeios desnecessários.

Por fim, foi agendada uma nova reunião para o dia 25/07/2011, às 10h, no mesmo local. Serão convocados para a próxima reunião o Secretário de Planejamento, Sr. Márzio Delmoni, a Secretária Municipal de Finanças, Sra. Marcilene Costa e o Secretário Municipal de Infraestrutura, Sr. Mosart Amaral. As representantes da SEMPLA se comprometeram a apresentar, na próxima reunão, o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados.

Leia também:

- MPE discute soluções para melhoria das ciclovias de Maceió

terça-feira, 12 de julho de 2011

Reunião no Ministério Público amanhã




Dando prosseguimento à reunião ocorrida em 08/06/2011, na sede do Ministério Público Estadual, está marcada para amanhã, 13/07/2011, uma nova reunião no auditório do mesmo edifício.

Foram convocados pelos promotores do Ministério Público a participar da reunião representantes de secretarias municipais, entidades ligadas à construção civil e Ministério Público do Trabalho.

A reunião está marcada para as 10h da manhã e é aberta à participação de quem quiser comparecer. Leia aqui um resumo da última reunião.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Licitação do transporte público de Maceió - Capítulo VII




Aconteceu, na última sexta-feira (08), no auditório da Faculdade Integrada Tiradentes - Fits, a Audiência Pública para tratar da licitação do transporte público de Maceió.





A audiência teve início pontualmente no horário marcado. Depois de uma breve apresentação da SMTT sobre a forma como está estruturado atualmente o transporte coletivo na cidade, foi concedida a palavra a todos aqueles que se inscreveram para falar.




Fizeram uso da palavra: líderes comunitários, presidentes de sindicatos e associações, profissionais liberais, estudantes, vereadores*, deputado*, empresários, etc.





As participações foram, em sua maioria, reivindicações de lideranças comunitárias para que sejam ofertadas novas linhas de ônibus para seus bairros, já que seus moradores precisam pegar mais de um ônibus para alcançar seu destino. Explicamos em nossa apresentação que esse problema decorre da falta de integração do sistema de ônibus de Maceió.






Montamos uma apresentação em Power Point para expor as propostas que sugerimos aqui no blog, porém o tempo de sete minutos concedido para a palavra impediu que explicássemos as propostas com mais detalhes. Convidamos os presentes a visitar o blog para conhecer melhor nossas propostas para a melhoria do transporte público de Maceió.

Pontualmente, às 13h, como estava previsto no edital de convocação da audiência, e não havendo também quem quisesse fazer uso da palavra, foi encerrada a participação da população. O superintendente da SMTT, Sr. José Pinto de Luna, convidou os presentes a aguardarem a organização da ata da audiência para ser apresentada, porém o auditório repentinamente se esvaziou.

De acordo com a determinação judicial que obrigou a Prefeitura de Maceió a realizar a licitação do transporte público, o processo licitatório tem de dois a seis meses para ser realizado. Contudo, não sabemos se haverá outra(s) audiência(s) nesse meio tempo ou se devemos apenas aguardar até janeiro de 2012 para ver a SMTT fazer uma revolução no transporte público de Maceió.

Bem, vamos aguardar os próximos capítulos. Assim que tivermos mais alguma notícia, postamos aqui.



* Apenas dois vereadores e um deputado estadual permaneceram na audiência até o seu término. Se você não pôde faltar ao trabalho para comparecer à audiência, procure saber se o vereador e/ou deputado que você elegeu estava(m) lhe representando na audiência.


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(clique na imagem para ampliar)

Fonte: O Jornal, 09/07/2011



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domingo, 10 de julho de 2011

Avenida Paulista 2014


Fotomontagem: Fujocka / Revista Trip sobre foto de Carlos Goldgrub / Opção Brasil Imagens


* por Paulo Lima

Você tem uma reunião daqui a meia hora na avenida Paulista? Pegue sua bike, ponha o capacete e vá com tudo

Observadores mais capacitados têm dito que este é o maior período de transição que o mundo já viveu. Entende-se por transição um período em que nada mais é como costumava ser, mas ainda não ficou como será. Aliás, talvez nunca mais fique. Pelo menos de alguma forma que remotamente lembre períodos estáveis do passado, em que o estabelecido se mantinha imóvel por algum tempo. Isto posto, vale analisar o que há de bom neste momento maluco em que estamos metidos. Por exemplo, poucas vezes estivemos diante de tantas e tão complexas revisões dos tais paradigmas. Inclusive aqueles vencidos pelo tempo.

Da inversão de papéis na geopolítica e do poder econômico, que insiste em mudar de mãos, até a aceitação de modelos de vida até então inconcebíveis para boa parte do sistema. Discussões efetivas sobre a revisão de legislações sem sentido e anacrônicas que regulavam do uso de substâncias proibidas à sexualidade das pessoas e seus matrimônios, etc...

Assim, este talvez seja também o melhor momento para observar uma revolução silenciosa que vai avançando a passos grandes e penetrando nas grandes cidades de forma consistente.

Leveza, inteligência, economia, sustentabilidade, agilidade, custo baixo, saúde, eficiência, alto nível de socialização, baixíssimo impacto ambiental...

Qualidades cada vez mais perseguidas pelas pessoas de bom-senso, mas que ainda costumam ser associadas por muitos às utopias inalcançáveis, podem estar todas contidas num objeto pequeno e frágil, mas com poderes absolutamente revolucionários.

O que, afinal, há por trás das bicicletas além do lazer e do transporte? Como pessoas e comunidades diferentes têm lidado com esse equipamento? Seria a bicicleta a arma principal dessa revolução suave que vem alterando a maneira de o mundo tratar as ideias de desenvolvimento humano e da evolução possível para os grandes centros urbanos? Não há dúvida de que o assunto merece ser tratado com seriedade e com muita atenção. Se soa ingênuo acreditar que a bicicleta pode ser a panaceia universal, que virá ajustar o planeta e recolocá-lo no eixo, também não parece razoável continuarmos medindo o desenvolvimento de nações pelo número de carros novos que conseguem colocar nas ruas nem seguir construindo cidades para abrigar bolas de aço motorizadas que levam cidadãos de um shopping a outro. A imagem desta coluna, ilustrada pelo artista gráfico Fujocka especialmente para a edição de julho da “Trip” que tratará da bicicleta como uma ferramenta transformadora, tenta imaginar como artérias vitais de uma cidade como São Paulo poderiam ser repensadas para abrigar esses veículos inteligentes e acessíveis em seus espaços. A avenida Paulista, representada acima, ainda simboliza um tempo em que poder era ter casarões, prédios e escritórios suntuosos que inspiravam nos outros a tão sonhada noção de “independência financeira”. A imagem destas páginas projeta um tempo, quiçá próximo, em que a noção de interdependência finalmente se sobreporá a esse conceito cada vez mais superado e ilusório de independência. Um tempo em que pensar em você significará pensar no outro na mesma medida.

* Paulo Lima é fundador da editora e da revista Trip




Fonte: Revista ISTOÉ, 06/07/2011, ano 35, nº 2173, págs. 58 e 59.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Audiência Pública - 08/07/2011





Maceió está inundada de carros? Já estamos carecas de saber que, para reduzir o número de carros na cidade, precisamos de um transporte coletivo de qualidade, associado a formas saudáveis de deslocamento, como a bicicleta e o próprio caminhar, não é?




Portanto, se você não está satisfeito(a) com o atual serviço de transporte público ou se nem consegue usá-lo, já que não atende às suas necessidades, a hora de demonstrar sua insatisfação e apresentar seus anseios é agora!




Compareça e apresente suas ideias, críticas e sugestões sobre o que precisa ser feito para melhorar!


Sexta-feira, 08/07/2011, às 8 h, na Fits Cruz das Almas.


Conheça algumas das propostas que apresentamos aqui mesmo no blog.

Conheça também um pouco do processo que vem rolando desde 2007, até chegar a Audiência Pública do próximo dia 08.

Sugerimos aqui no blog e através do site da SMTT que fosse convidado para participar da Audiência, o engenheiro Lúcio Gregori, ex-secretário de transportes de São Paulo, para que possa explicar o projeto Tarifa Zero. Será que a SMTT atendeu ao nosso pedido? Vamos esperar até o dia 08 para ver...


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SMTT lança edital de convocação de Audiência Pública

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), visando cumprir a respeitável decisão judicial proferida em 10 de maio de 2011, nos autos da Ação Civil Pública nº 0052293-69.2007.8.02.0001, que tramita pela 14ª Vara Cível da Capital/Fazenda Municipal, faz saber ao público em geral e a quem mais possa interessar que, através de edital de convocação, em cumprimento ao disposto na norma do artigo 39 da Lei 8.666/93, promoverá Audiência Pública para realização de licitação, na modalidade concorrência, com a finalidade de contratar empresas que tenham por objeto o transporte coletivo urbano de passageiros para atuar nos limites da cidade de Maceió.

A Audiência ocorrerá no dia 08 de julho de 2011, das 08hs às 13hs, no auditório 1 da Faculdade Integrada Tiradentes (FITS), localizada na Avenida Comendador Gustavo Paiva, Nº 5017, no bairro de Cruz das Almas. O Edital, na íntegra, com todas as disposições legais, está disponivel a seguir.

Baixe aqui o edital de convocação.

Fonte: SMTT / Maceió


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Desafie seu prefeito a pedalar!


Sam Adams, atual prefeito de Portland, EUA


Por André Geraldo Soares

Para que os administradores públicos compreendam as dificuldades e os riscos de se pedalar na cidade e sensibilizarem-se para a criação de políticas cicloinclusivas, precisamos colocá-los em cima das bicicletas.

Quisera pudéssemos contar com uma lei para isso. O Projeto de Lei do Senado PLS nº 480/2007, de autoria do Senador Cristovam Buarque, estabelece que “Os agentes públicos eleitos para os poderes executivo e legislativo federais, estaduais e municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica [até o ensino médio]”. Não deveria esta ideia ser aplicada também à saúde e ao transporte públicos? E uma emenda que estendesse tal obrigação a, pelo menos, todos os cargos de primeiro escalão – do governo federal, do governo estadual e da prefeitura – não faria dessa lei, na hipótese remota da aprovação do projeto, uma peça revolucionária?

Bem, se esperarmos por uma lei, os administradores das nossas cidades nunca vão pisar na avenida... Então, se quisermos que um Prefeito e seus Secretários de Transportes e de Planejamento Urbano cumpram o percurso casa-trabalho contando apenas com suas próprias forças motoras, precisamos, mais que convidá-los, desafiá-los!

É preciso esclarecer-lhes que não serve fazer um passeio de um quilômetro, em uma rua livre de carros, com escolta da polícia, sobre uma bicicleta sofisticada, emprestada por um empresário do ramo num feriado com reluzente céu azul. Para conhecer a mobilidade ciclística, o prefeito precisa praticar a realidade do trânsito em situações normais.

O prefeito tem que ir sozinho, em dias de semana, com mochila nas costas ou no bagageiro, pelas cruas ruas da cidade. Ao chegar ao gabinete, tem que procurar um poste para cadear sua bicicleta e ficar espiando da janela, de vez em quando, pra ver se ela ainda está lá... Por falar em estacionamento, que tal agregar à experiência uma integração intermodal? Deixar a bicicleta em um terminal para tomar um ônibus e completar a viagem!

No percurso, ele aprenderá bastante sobre as necessidades dos trabalhadores e aposentados, das donas de casa e dos estudantes que se locomovem por pedais. Grande fluxo de motorizados, bueiros abertos, ausência de sinalização, cruzamentos que parecem ratoeiras e semáforos sem tempo para não-motorizados são algumas situações que demonstram que seus subalternos não pensaram nos ciclistas ao projetar o sistema viário.

As vias públicas tornaram-se, por atos e omissões dos gestores públicos, território prioritário dos veículos motorizados. Por isso, somada à péssima infraestrutura viária, o comportamento dos motoristas no trânsito faz, do simples ato de pedalar, quase uma missão heróica. O descuido, o desrespeito e mesmo a hostilidade dos motoristas demonstram que o componente educacional também não está entre as prioridades dos gestores da mobilidade urbana. Portanto, o chefe do executivo poderá, na sua interação, sentir o vento arrepiante da alta velocidade dos ônibus que passam coladinhos, o temor de que uma porta de carro se abra a qualquer momento, o susto quando um carro cortar sua frente ao entrar numa esquina ou ao sair de uma garagem e o sufoco da fumaça e da poeira – entre outras sensações que reprimem o desejo, de muitas pessoas, de pedalar e de contribuir para aliviar o caos insuportável do trânsito.

Muitos gestores públicos são apáticos com os problemas urbanos simplesmente porque não utilizam serviços públicos. Eles possuem noções abstratas, recolhidas através de relatos e das reclamações, mas não vivenciam a cidade real. Para demonstrar confiança na estrutura oferecida para se viver e produzir em uma cidade, eles deveriam dar o exemplo e utilizá-la. Uma vez que eles, espontaneamente, não vão fazê-lo, cabe à sociedade incitá-los – e, para isso, meios não faltam: carta oficial protocolada, abaixo-assinado, bombardeio de mensagens ao “Fale conosco” da prefeitura, campanha em blogs, releases para a imprensa etc.

Desta forma, eles compreenderão que os maiores problemas para usar a bicicleta não derivam do clima, do relevo ou da inaptidão física do usuário, mas das políticas públicas por eles capitaneadas. Compreenderão também a qualidade dos cidadãos que, por opção ou necessidade, adotam a bicicleta como uma companheira no cotidiano desafio de ir e vir. E então, sr. prefeito, vai encarar?


Fonte: Revista da Bicicleta


Veja também:

- Vice-prefeito de Nova York adere à bicicleta

- Prefeitos que pedalam e a C40