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terça-feira, 30 de setembro de 2014

10ª reunião da perda de tempo


Estava marcada para as 13h de hoje (30), no auditório da SMTT, a 10ª reunião do Conselho Municipal de Transporte. Chegamos por volta das 13h20 e apenas o vereador Silvânio Barbosa (representante da Câmara Municipal de Maceió no Conselho) se encontrava no auditório. Ele disse que chegara às 13h e que mais ninguém havia chegado.

Em seguida, chegaram os conselheiros Luiz Antônio Jardim (CDL), Roberto Barreiros (SMTT) e Jorge Bezerra (SMTT). Por falta de quórum, às 13h45, Roberto Barreiros e Jorge Bezerra iniciaram e encerraram a reunião.

A Bicicletada não tem cadeira no Conselho. Reivindicamos uma vaga na primeira reunião, realizada em 28/05/2013, mas nos foi negada pelo fato do movimento não ter CNPJ. Mesmo assim, sempre consideramos as reuniões um espaço importante para discussão de temas relevantes que envolvem a Mobilidade Urbana em Maceió.

Ao final de cada reunião, depois da discussão de uma pauta vazia de conteúdo, pedíamos a palavra e tentávamos levantar a discussão de temas que considerávamos relevantes, como: a Tarifa Zero, as Jornadas de Junho, a licitação do transporte coletivo de Maceió, a ausência de infraestrutura destinada à bicicleta na cidade, o perigoso compartilhamento da Faixa Azul entre ônibus e bicicletas, dentre outros.
 
Contudo, a falta de interesse da SMTT em aprofundar essas discussões e dos demais conselheiros, que já se ausentavam da reunião antes mesmo de ser oficialmente encerrada, assim que iniciávamos as discussões, têm nos desmotivado a participar de tais reuniões, que representam uma verdadeira perda de tempo. Ao que parece, todos os problemas estruturais de Mobilidade Urbana em Maceió já foram resolvidos e não há nada mais importante a se discutir nessas reuniões do que um reajuste na tarifa do táxi ou a implantação de novos terminais de recarga dos cartões utilizados no transporte coletivo, por exemplo.
 
A ausência de quórum na reunião de hoje demonstra o descompromisso que os conselheiros (que têm obrigação de comparecer) têm com essas reuniões, diferente de nós, que só não comparecemos a duas das dez reuniões realizadas (mesmo sem termos qualquer obrigação de comparecer).

Para a reunião de hoje, estava marcada a apresentação da empresa que está implantando o rastreamento por GPS dos ônibus de Maceió. Pretendíamos indagar a SMTT sobre quatro assuntos que consideramos extremamente relevantes para a Mobilidade Urbana em Maceió:

1) Andamento da pesquisa origem-destino, apresentada na 9ª reunião;
2) Andamento do Plano de Mobilidade, que tem prazo até 03/01/2015 para ser concluído;
3) Andamento da licitação do transporte coletivo de Maceió;
4) Implantação de ciclofaixa na rua Dep. José Lages, conforme reunião que tivemos em 16/05/2014;

Também pretendíamos apresentar aos membros do Conselho os resultados do 4º Desafio Intermodal de Maceió. Chegamos a indagar o representante da SMTT sobre os quatro pontos listados acima:
 
1) Sobre a pesquisa origem-destino, disse estar sendo realizada pelo Governo do Estado e, portanto, não saberia informar;
2) Sobre o Plano de Mobilidade, disse não ser responsabilidade da SMTT, mas da Secretaria Municipal de Planejamento e, portanto, não saberia informar;
3) Sobre a licitação, disse estar aguardando a conclusão da pesquisa-origem destino;
4) Sobre a ciclofaixa na rua Deputado José Lages, disse estar aguardando orçamento para sua realização.

Diante da falta de seriedade por parte da SMTT e tamanho descompromisso dos conselheiros com as reuniões, Daniel Moura, participante da Bicicletada de Maceió, que vinha acompanhando e relatando o que era discutido nas reuniões, se negou a comparecer às próximas. Caso alguém se habilite a comparecer e relatar o que for debatido nas reuniões, o espaço do blog está aberto. Caso contrário, vamos poupar os leitores do blog de tanta mediocridade e, Daniel Moura, de tanta perda de tempo.
  
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Leia também:

- 1ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 28/05/2013

- 2ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 21/06/2013

- 3ª reunião do Conselho Municipal de Transportes -  30/07/2013

- 4ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 30/08/2013

- 5ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 26/09/2013

- 6ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 29/10/2013

- 7ª reunião do Conselho Municipal de Transportes - 29/11/2013
    
    

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

76ª Bicicletada de Maceió


A 76ª edição da Bicicletada de Maceió aconteceu em três momentos do dia. Às 6h30 da manhã, nos encontramos em cima da passarela do Cepa e afixamos faixas mostrando os prejuízos que o automóvel traz para a cidade e os benefícios que o transporte coletivo e a bicicleta podem trazer, quando são estimulados pelo poder público.


Enquanto expúnhamos as faixas, conversávamos com as pessoas que passavam por cima da passarela, principalmente aqueles que estavam com bicicleta, convidando-os a participar da Bicicletada. Permanecemos ali até as 8h da manhã e então retiramos as faixas.


Às 16h30, retornamos à passarela para afixar novamente as faixas, para que fossem vistas pelas pessoas que retornavam do trabalho, no sentido centro-periferia. Permanecemos ali até as 18h30, quando seguimos em direção ao viaduto Aprígio Vilela, tradicional ponto de encontro da Bicicletada, onde outra parte do grupo, que não pudera ir mais cedo à passarela, se concentrava.


Ficamos surpresos com a quantidade de pessoas que nos aguardavam no viaduto. Além das bicicletas, compareceram cinco participantes do grupo Maceió Patins Clube. De lá, seguimos um percurso de cerca de 10 km que foi traçado pela turma do Maceió Patins Clube.
      

Passamos novamente pela passarela do Cepa, para retirar as faixas que tínhamos afixado. Fizemos o restante do percurso, descendo a Av. Fernandes Lima e ladeira Geraldo Melo, passando pela Praia da Avenida, pelo calçadão do Centro, subindo a ladeira do Brito e retornando novamente ao viaduto Aprígio Vilela, ponto inicial e final de toda Bicicletada.


Tem sido bastante gratificante ver o engajamento das pessoas na Bicicletada, que cresce não apenas em quantidade, mas em qualidade, com cada um dando sua contribuição para o engrandecimento do movimento, que busca uma cidade melhor para todos. Uma cidade mais humana, menos motorizada, onde haja mais encontros e mais vida nos espaços públicos.


Moacir Pedrosa, veterano participante da Bicicletada de Maceió, expôs sua emoção em ver o crescimento do grupo neste breve comentário do vídeo abaixo:


Esperamos poder contar com mais e mais participantes nas próximas edições, para que possamos ter uma verdadeira Massa Crítica na cidade, capaz de poder cobrar do poder público uma cidade mais humana, menos para os carros e mais para as pessoas.


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DIA MUNDIAL SEM CARRO DE 2014

Conforme comentamos na última postagem, a Prefeitura de Maceió decidiu antecipar a comemoração do Dia Mundial Sem Carro – DMSC da segunda-feira (22/09) para o domingo (21/09), passando a equivocada ideia da bicicleta apenas como um objeto de lazer, tentando ignorar sua importância e sua bastante utilizada função como meio de transporte.
      
  
O passeio organizado pela Prefeitura de Maceió, no domingo (21), segundo a própria Prefeitura, reuniu mais de mil pessoas. Até então, não tínhamos conhecimento do que a Prefeitura planejava para a segunda-feira (22).
  

Na segunda-feira, ficamos sabendo pelo grupo da Bicicletada no aplicativo de celular Whatsapp, por volta das 11h da manhã, que a Prefeitura realizava uma intervenção em comemoração ao DMSC, chamada de Vaga Viva e que, à noite, haveria uma palestra na Faculdade Maurício de Nassau. Em busca na internet, encontramos uma publicação no site da Prefeitura de Maceió, das 11h08 da manhã do sábado (20), que informava sobre a intervenção da segunda-feira.
  

Tomamos conhecimento do que foi realizado, em Aracaju, durante o DMSC. A Prefeitura de lá criou, com o auxílio de cones, uma ciclofaixa temporária para incentivar que os cidadãos utilizassem a bicicleta, no trecho de 1,6 km entre o Hospital de Urgências de Sergipe e a Av. Maranhão, como experiência. Seria interessante se Maceió tivesse seguido o exemplo de Aracaju e fizesse o contrário: em vez de um passeio ciclístico no domingo e uma Vaga Viva na segunda-feira (quando as pessoas estão trabalhando), uma Vaga Viva no domingo (com um local mais bem pensado, onde realmente trouxesse impacto para os automóveis) e uma ciclofaixa na Av. Fernandes Lima, na segunda-feira. Como o fluxo é mais intenso no sentido periferia-centro, no rush da manhã e, centro-periferia, no rush da noite, poder-se-ia utilizar uma das faixas do sentido oposto da avenida para implantar a experiência da ciclofaixa no DMSC.
    
Na tarde da segunda-feira (22), Daniel Moura, participante da Bicicletada de Maceió, foi convidado para participar do programa Gazeta Comunidade, na Rádio Gazeta AM, para falar sobre o Dia Mundial Sem Carro. Ouça aqui o podcast da entrevista.
 
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Ironicamente, assim como aconteceu em 2012, quando o Governo do Estado inaugurou a duplicação da rodovia AL-101 Sul em pleno DMSC, foi publicada no site TNH1* a matéria da imagem acima, que mostra que a Prefeitura ainda acredita que a solução para a Mobilidade Urbana está no oferecimento de mais espaço para o automóvel, com a construção de novas avenidas.
       
* Segundo o jornalista Odilon Rios e os sites Cada Minuto e Extra, o atual prefeito de Maceió é acionista do Pajuçara Sistema de Comunicação, responsável pelo site TNH, que veiculou a matéria acima.
    
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Veja também:

- Bicicletada de Natal/RN, hoje à noite.
     
- Revista Veja, de 24/09/2014, sobre as ciclovias/ciclofaixas de São Paulo (01 - 02)
  
- Maceió: Apenas 11 km de ciclovias em 4 anos
      
     

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

4º Desafio Intermodal de Maceió

  
Aconteceu, na manhã de hoje (18), a 4ª edição do Desafio Intermodal de Maceió - DIM. O evento consiste em percorrer um trajeto pré-definido (5,4 km), na hora do rush, utilizando diversos modais diferentes, para ser feita uma avaliação comparativa entre o tempo gasto por cada um, levando também em consideração a eficiência energética e a poluição emitida por cada modalidade de transporte.


Os participantes saíram da porta do Ibama, na Av. Fernandes Lima, às 7h30 e seguiram em direção à Praça dos Martírios, no bairro do Centro. Além das dez modalidades que participaram do DIM 2013, tivemos a inclusão do skate e da integração bicicleta+trem. No total, 21 voluntários participaram do desafio em 12 modalidades diferentes de transporte.


Assim como nas três últimas edições do DIM, a motocicleta foi a primeira colocada no quesito tempo, acompanhada da bicicleta que, utilizando a propulsão humana, chegou apenas 19 segundos depois do veículo motorizado de duas rodas. Se levarmos em consideração as despesas, a energia consumida e a poluição emitida, a bicicleta sagra-se campeã do desafio.


A grande surpresa do desafio foi o estreante skate, que ficou na terceira colocação, com um tempo de 17’47”, chegando antes mesmo do táxi, que fez o percurso em 18’06”. Por conta da Faixa Azul, ônibus e táxi tiveram um grande ganho de tempo em relação aos anos anteriores. O táxi teve uma redução de 43% do seu tempo e o ônibus de 34%, se compararmos com 2013, quando não havia Faixa Azul.


Mesmo com a Faixa Azul, quem não teve grande benefício foi a cadeirante, que teve uma redução de tempo de apenas 10% em relação a 2013 e foi a última a chegar à praça. Segundo a participante Maria Cícera da Rocha, nem todos os ônibus são adaptados com elevador para cadeira de rodas. E daqueles que são, quando ela deu sinal com a mão, os motoristas sinalizavam dizendo que o elevador estava com defeito ou que não estavam com a chave para operá-lo. Daí o motivo de ter levado quase o triplo do tempo da participante que seguiu em ônibus comum.

Já a participante que realizou a integração ônibus+trem, por pouco não perdeu o trem, por conta do tempo que ficou aguardando o ônibus no ponto da Av. Fernandes Lima. Para chegar à estação da CBTU em Bebedouro, a única linha de ônibus disponível é a Circular 2. Ela relatou que, assim que embarcou no trem, a porta se fechou. Ela só conseguiu pegar o trem das 8h08. Se perdesse esse, o próximo só passaria às 9h14. Foi a penúltima a chegar à praça, em 56’50”, ganhando apenas da cadeirante.


O mesmo problema não teve o participante que realizou a integração bicicleta+trem. Pedalando, chegou rapidamente à Estação Bebedouro. Foi recepcionado pela assessora de imprensa da CBTU e, enquanto esperava a chegada do trem das 7h48, ainda teve tempo de explicar aos passageiros que estavam na estação que o embarque da bicicleta se tratava apenas de uma experiência para a realização do Desafio Intermodal.


O trem fez o percurso de 4,3 km entre a Estação Bebedouro e a Estação Mercado relativamente rápido, gastando apenas 12 minutos, o que da uma velocidade média de 21,5 km/h, superior aos 13,6 km/h alcançados pelo ônibus que seguiu pela Fernandes Lima, se considerarmos o tempo que a participante permaneceu no ponto aguardando.


Como mostramos na edição de 2012 do DIM, quando a bicicleta foi impedida de acessar o trem, o vídeo promocional da CBTU que apresentava o projeto de modernização do trem de Maceió mostrava bicicletas penduradas no interior do vagão. Sugerimos, por e-mail, a inclusão da integração bicicleta+trem no DIM, que foi acatada pela empresa como experiência. Pela pouca frequência de horários (7h06 / 7h48 / 8h08 / 9h14) no rush da manhã, os trens seguem cheios, o que tornar-se-ia incômodo aos passageiros, caso a CBTU permitisse o acesso de bicicletas aos trens, ainda que do modelo dobrável, como a que foi utilizada pelo participante. Sugerimos à assessora de imprensa que a CBTU experimentasse instalar bicicletários nas estações, de modo que possa atrair passageiros de localidades mais distantes e/ou reduzir o tempo de deslocamento até a estação daqueles que já utilizam o trem atualmente.


Os participantes que fizeram o percurso a pé (caminhando e correndo), relataram que os principais problemas que encontraram foram os desníveis ou a inexistência de passeio público, além do desconhecimento dos motoristas ao artigo 38, parágrafo único, do Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que determina que:

Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá:

Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.


A cada rua transversal à Av. Fernandes Lima que atravessavam, corriam o risco de serem atropelados por carros que entravam ou saíam das ruas transversais sem ceder passagem a eles, como manda a lei.

O carro teve um incremento de tempo de 32%, em relação a 2013. Porém, não podemos atribuir esse aumento à implantação da Faixa Azul, que diminuiu a quantidade de faixas para automóveis de três para duas, pois o tempo do carro em 2014 foi semelhante ao de 2012: cerca de 38 minutos.


De todas as modalidades, os patins e o skate deram um show à parte. Assim como as bicicletas, os participantes tiveram que dividir espaço com os ônibus, táxis e demais veículos na Faixa Azul. Segundo os participantes, os motoristas de ônibus foram bem cuidadosos, apesar de alguns passarem muito próximos. Apenas um motorista de táxi se irritou com a presença dos veículos de propulsão humana na Faixa Azul. Ficou buzinando insistentemente na curva antes de chegar à Praça Centenário, irritado porque um micro-ônibus aguardava um espaço seguro para ultrapassar os participantes. Um pouco adiante, ameaçou o skatista com o carro, tentando derrubá-lo.

Um outro problema relatado pelos participantes do skate e dos patins foi relativo às ondulações presentes no asfalto, que se formam próximo aos pontos de ônibus, por conta do atrito dos pneus no momento da frenagem. Vale a pena assistir aos vídeos feitos pelos participantes do skate, dos patins e da motocicleta, ao longo de todo o percurso.

Com a realização dessa 4ª edição do DIM, podemos concluir que a implantação da Faixa Azul, que começou a funcionar em fevereiro de 2014, com um custo relativamente baixo (R$ 391 mil, segundo a Prefeitura de Maceió), trouxe um ganho de tempo muito grande para usuários de ônibus e táxis, sem oferecer aumento do tempo dos automóveis, se compararmos com os anos anteriores. Iniciativas como a da Faixa Azul precisam se espalhar por toda a cidade pois, de nada adianta o ônibus passar rapidamente pela Av. Fernandes Lima e ficar preso em congestionamentos no restante da cidade.

Pedestres e cadeirantes precisam de calçadas niveladas e acessíveis, que tenham a mesma atenção do poder público que tem o leito carroçável, capeado e recapeado a cada nova gestão municipal que assume. Para isso, há que se intensificar a fiscalização dos proprietários de lote que não constroem o passeio público de maneira adequada ou, quem sabe, adotar uma medida mais enérgica: transferir a responsabilidade da construção e manutenção dos passeios públicos do ente privado para o poder público, suprimindo o artigo 339 do Código de Edificações e Urbanismo de Maceió.

Ainda para as pessoas com deficiência, mostra-se necessário aumentar o percentual da frota de ônibus adaptados com elevador para a cadeira de rodas, punir as empresas que não estão com o elevador em funcionamento ou, quem sabe, fazer como a cidade de Curitiba, em que o elevador para acesso da cadeira de rodas fica na própria plataforma de embarque. Quando o ônibus para, os passageiros já estão no mesmo nível do ônibus e com a passagem já paga, o que reduz o tempo de embarque.

Quanto ao trem da Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, compreende-se sua pequena oferta (quatro trens no período de duas horas) em razão da baixa densidade populacional residente no entorno da linha. Contudo, o DIM mostrou que ainda há muito a avançar na sua integração ao serviço de transporte por ônibus da cidade, bem como à bicicleta.

O ótimo desempenho dos veículos de propulsão humana no DIM demonstra que, caso o poder público municipal investisse em infraestrutura adequada para a utilização desses veículos, correriam menos risco de morte aqueles que já os utilizam no dia a dia e encorajaria as milhares de pessoas que desejam ir trabalhar de bicicleta, patins ou skate e não o fazem por medo dos veículos motorizados.


O Desafio Intermodal é realizado, em Maceió, pelos participantes da Bicicletada e compõe as atividades da Semana da Mobilidade, que antecede o Dia Mundial Sem Carro - DMSC, comemorado no dia 22 de setembro. Ano passado, o DMSC caiu num domingo e a Prefeitura de Maceió realizou um passeio ciclístico saindo do posto da Polícia Rodoviária Federal, no entroncamento das rodovias BR-104 e BR-316, com destino à Praça Centenário, onde fora iniciado o evento Lazer na Praça. A atividade casou bem com um dia de domingo.
 
Clique aqui para ver o vídeo

Contudo, nesse ano, o DMSC caiu numa segunda-feira e a Prefeitura, curiosamente, o antecipou para o domingo e programou um passeio ciclístico semelhante ao de 2013. A Prefeitura perde (ou foge de) uma grande oportunidade de discutir, numa segunda-feira, a Mobilidade Urbana pautada exclusivamente no automóvel. Em vez de propor alternativas aos cidadãos para se deslocarem na segunda-feira, diferentes do automóvel, como o transporte coletivo ou a criação de uma ciclovia temporária (com a utilização de cones), numa das faixas da Av. Fernandes Lima, por exemplo, a Prefeitura de Maceió continua tratando a bicicleta como um brinquedo de domingo e ignorando aqueles que a utilizam como meio de transporte, bastante eficiente, por sinal, como têm demonstrado consecutivamente as quatro edições do DIM.

Atitudes como essa ou como o horizonte de 62 a 170 anos traçado pela Prefeitura de Maceió para alcançar os padrões de Berlim ou Amsterdã, nessa ordem, no que diz respeito à infraestrutura destinada à bicicleta, demonstram o descompromisso da atual gestão municipal com a Mobilidade Urbana Sustentável. Como mostramos na postagem sobre a reunião que discutiu o orçamento municipal para o ano de 2015, é através das atitudes dos gestores (e não do seu discurso) que avaliamos com o que se está comprometido.

Mais importante do que aquilo que a Prefeitura diz é aquilo que ela não diz. Como diria o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, “Não tomar uma decisão já é uma decisão. Não fazer uma escolha já é uma escolha."

Enquanto isso, em São Paulo...

- Desafio Intermodal 2014 terá participação do prefeito de SP

- Prefeito de São Paulo e secretário de Transportes irão ao trabalho de bicicleta no DMSC
   
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Veja também um resumo das edições anteriores:




  

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

75ª Bicicletada de Maceió

   
Aconteceu, na noite de hoje (29), a 75ª edição da Bicicletada de Maceió. Nós nos reunimos a partir das 18h em nosso tradicional ponto de encontro, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol. O candidato a deputado estadual, Bispo Filho (PSB), havia nos contatado previamente e pedido para conversar com os participantes da Bicicletada sobre uma de suas propostas de campanha, referente ao “Projeto de Lei do Planejamento Cicloviário”.

        
Bispo Filho (PSB) compareceu e apresentou sua proposta, além de discutir sobre a possibilidade de realização de uma palestra com Fabiano Faga Pacheco, cicloativista do estado de Santa Catarina. Ao final de sua fala, agradecemos sua presença e explicamos que a Bicicletada consiste de um movimento apartidário, no entanto, nossos membros têm liberdade de pensamento político, somos abertos ao diálogo com quaisquer partidos e organizações que queiram conhecer as ideias do movimento. Inclusive, já debatemos com membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em outro momento; já participamos de debate realizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT); participamos de debate realizado pelo DCE/UFAL, onde dividimos mesa com integrantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); todos a convite. Também ouvimos as propostas dos candidatos a prefeito de Maceió nas eleições de 2012, no que se refere à Mobilidade Urbana, e participamos, a convite da vereadora Heloísa Helena (PSOL), de reuniões realizadas no Ministério Público Estadual, para tratar da necessidade de implantação de infraestrutura cicloviária na cidade. Além disso, já participamos de discussões no Coletivo Anarquista Resistência Popular, que possui uma proposta semelhante à do movimento Bicicletada, no sentido de entender que as mudanças necessárias à nossa realidade não partirão do Poder Político, nos moldes atuais, mas da própria sociedade.
 
Explicamos que a maneira de atuar da Bicicletada não é através da política partidária. Nossa atuação política é através do diálogo com a sociedade, mostrando caminhos para alcançarmos outro modelo de cidade, mais humana, mais justa, menos poluída. Sabemos que o movimento é pequeno para cobrar algo do poder público e, por isso, buscamos o apoio da sociedade, para que esta, com a força que tem, cobre dos gestores públicos aquilo que a Bicicletada propõe.


Bispo Filho agradeceu o espaço e se despediu do grupo, dizendo que não buscara votos, mas o início do diálogo com o movimento. Agradecemos sua presença e saímos para um rolé pela cidade.

 

Assim como fizemos na 74ª edição da Bicicletada, seguimos pela Av. Fernandes Lima, agrupados, ocupando a Faixa Azul, conforme solução “provisória” adotada pela SMTT em novembro de 2013, enquanto não se implanta uma ciclovia na avenida.


Tivemos apenas um incidente com o motorista do carro 7291 da empresa São Francisco que, irritado ao ver as bicicletas ocupando a Faixa Azul e, provavelmente não tendo passado pelo treinamento realizado por André Pasqualini, passou pelo grupo com duas rodas do ônibus na Faixa Azul e duas rodas na faixa adjacente, bem próximo às bicicletas, descumprindo o art. 201 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e colocando em risco nossas vidas.


Aproveitamos as paradas nos semáforos para entregar panfletos e mostrar cartazes aos motoristas, com o intuito de alertá-los sobre a necessidade de preservar a integridade física daqueles que optam por utilizar a bicicleta em seus deslocamentos.


Fomos até a Av. Rotary e retornamos também pela Av. Fernandes Lima. Na volta, fomos ameaçados por alguns motoristas de táxi que, mesmo tendo a faixa do meio e a da esquerda para trafegar, insistiam em passar tirando fino do grupo, ocupando metade da Faixa Azul, acelerando violentamente seus carros, talvez com a intenção de demonstrar o poder de suas máquinas perante as bicicletas.


Seguimos até o centro comercial da cidade que, por não ter ocupação residencial, torna-se um deserto no período noturno. Fizemos algo impossível de se fazer no horário em que as lojas estão abertas: pedalamos pelo calçadão das ruas Moreira Lima e Do Comércio.
       
      
Passamos pela Praça D. Pedro II e rua Do Sol, subimos a ladeira Do Brito e retornamos ao ponto de encontro da Bicicletada, totalizando 10 km.


Antes do grupo que seguiria em direção à parte baixa da cidade partir, um suíço chamado Nikolas se aproximou de nós, entusiasmado ao ver as bicicletas, provavelmente por reconhecer algo que é tão comum em seu país. Enquanto ele provava o acarajé de Maceió, trocamos algumas palavras em português/inglês/alemão e demos algumas risadas para terminar bem a noite.

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Depoimento de uma das participantes sobre a Bicicletada de hoje:

"Gostaria de registrar minhas impressões sobre alguns acontecimentos simples, porém interessantes, ocorridos na noite de ontem, quando eu participava de mais uma edição da Bicicletada de Maceió.

Primeiramente, fiquei bastante feliz quando cheguei ao local de encontro e vi que havia mais participantes que o de costume, entre mulheres e homens, o que reforçou um sentimento de esperança. Em seguida, quando começamos a pedalar, fomos seguidos por um cachorro que, andando pela calçada ao nosso lado, latia pra qualquer um que se aproximava, como se quisesse nos proteger. Achei bonito porque os animais são sinceros e esse gostou mesmo da Massa.

O passeio transcorreu normalmente. Levamos fechada de ônibus, normalmente; algumas buzinadas e gritos sem motivo (a não ser o de conseguirmos existir fora de uma máquina), normalmente; também conversamos, rimos, mostramos cartazes, panfletos, demos legalzinho para motorista de ônibus simpático (coisa um tanto rara) e tudo o mais.

Ao retornar ao ponto de encontro, paramos para trocar ideias. Pouco depois, uma senhora (que, pela expressão de sua face, também poderia ser uma bruxa do mal) aborda uma colega, que estava com parte da roda traseira de sua bike em cima da faixa de pedestres, e pede para que ela se afaste para dar passagem, tudo bem. Mas, o que me impressionou é que a mesma senhora não se incomodou quando, logo em seguida, o motorista de seu carro (seu marido, talvez) o estacionou em cima da mesma faixa de pedestres e em frente à rampa de cadeirante.

Na sequência, o homem liga o alerta e sai do veículo, acompanhando a senhora na degustação de um acarajé, sentados em bancos de plástico de fronte para seu veículo de luxo. Ficamos observando de soslaio o casal e presenciamos a cena em que o homem chuta um gato que dele se aproximara e o enxota com o banquinho em que estava sentado. Depois disso, aproxima-se do grupo um rapaz suíço, que diz em outras palavras: 'Que legal suas bicicletas!'"


      

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os skatistas estão crescendo na Orla de Maceió. Viva!


por Natália Souza - 20/08/2014

A Orla de Maceió é “a mais bonita do Brasil”, como bem enchemos a boca pra falar, mas tá virando a menos democrática.

O colega jornalista Ricardo Mota postou hoje em seu blog o texto “Os estúpidos dos skates estão crescendo no calçadão da orla de Maceió”, onde conta que viu um skatista aloprado em alta velocidade atropelando uma senhorinha que caminhava no mesmo local. Disse que isso vem acontecendo com frequência com idosos, jovens e crianças e comparou os skatistas a torcidas organizadas, hordas de bárbaros e brutamontes voadores.

Mota falou da falta de educação dos jovens de classe média que não contribuem por uma civilidade num local compartilhado. Ele deixa “claro” que “a crítica, está claro, não é aos praticantes do esporte, mas aos que se comportam dessa forma”.


Pois bem. Concordo que bom senso, educação e civilidade têm que existir em qualquer lugar. INCLUSIVE, deixo claro, que já vi exemplos de skatistas e gente de patins fazendo manobras agressivas entre as pessoas na Rua Fechada dia de domingo e não aprovo.

Mas, acredito que posts como o dele, que deveriam debater a AUSÊNCIA de espaço público destinado ao lazer e à prática de esportes dos jovens, crianças e adultos em Maceió, mas tiveram o efeito contrário, só incitaram a raiva da sociedade contra skatistas, longboarders (e qualquer um que ande numa prancha sobre 4 rodas), visto a maioria dos comentários no blog. Sério, tem comentários surreais mandando a prefeitura proibir de vez patins e skates na Orla e dizendo que os skatistas estão crescendo assustadoramente, como se isso fosse algo ruim, já pensou? (Alguns comentários se salvam com coerência por lá).

Outro dia, EU estava andando de longboard no calçadão da orla que estava LOTADA de jovens correndo, casais caminhando de mãos dadas, idosos que param pra conversar, turistas tirando foto, crianças etc. Como eu fiquei agoniada em ter que me desviar demais dos pedestres (e também notei a cara feia de uns), desci pra ciclovia e comecei a andar de long lá.

Nem deu 10 minutos e o primeiro ciclista que passou por mim me deu um grito desaforado dizendo que ali era uma CICLOVIA e que eu estava no lugar errado. Nos dois lugares eu não “era bem-vinda” e andar na pista no meio da rua eu não era doida de fazer.

E aí, qual o lugar do skatista e do patinador?

Os skatistas estão crescendo no calçadão da orla de Maceió, vamos debater o uso do espaço público?

Existe uma pista de skate e patins na Pajuçara, mas basta qualquer pessoa ir lá para ver as rachaduras e falta de condições do local. As praças (do skate) e outras nem se fala. Sem segurança, escuras, abandonadas e vulneráveis a assaltos. A outra pista voltada a skate e patins fica no Benedito Bentes, que particularmente, eu nunca fui e não sei em quais condições se encontram, mas tenho a direito de não querer ir tão longe para praticar uma atividade física que me dá prazer.

E mesmo que existissem locais perfeitos e isolados para essas categorias -projeto de revitalização da Praça do Skate tá aí sendo tocado, acredito que é um direito nosso de transitar na Orla. Vejo cidades como Aracaju, que tem um espaço grande na orla só para isso, e outras cidades que as pessoas compartilham o local, mas aqui, a sociedade (pelo menos o povo dos comentários do Ricardo Mota) pede que a SMCCU proíba skatistas e patinadores. Meio radical, não?

Falando novamente por mim, não me considero uma brutamontes, até pelo meu porte físico, nem uma integrante de torcida organizada de futebol que quero tomar a força o local, só quero poder usufruir do espaço a que tenho direito também. Como o skate é necessário uma certa velocidade para andar, e qualquer velocidade será alta em relação a um pedestre, acabamos passando essa sensação de estarmos “voando” em relação aos demais. Não é questão de agressividade.

Fiscalizar? Como? Estipular uma velocidade média? Baixar uma lei que agora os skatistas e patinadores DEVEM andar na ciclovia? (os ciclistas agora iam ter que aceitar isso). Enfim, a maioria dos comentários que li e pelo que entendi do post do colega (a quem vejo com frequência caminhando na orla), foi pedindo que o poder público interferisse de forma “repressora” aos skatistas, ainda não vi uma quantidade expressiva falando sobre esse debate da utilização do espaço público.

Pessoas, ainda mais jovens ociosos e sem espaço para a prática de esporte ou lazer, não podem resultar em nada positivo para o bem estar social, como diz a música do Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte”. Esse assunto merece muito ser debatido dessa forma, e o poder público sim, intervindo, mas apresentando solução para essa melhor convivência e não expulsando categoria x ou y do local, como sugerem os internautas.

Estúpidos estão aumentando em todo lugar com qualquer que seja o tipo de veículo utilizado. Lembrando que muitos pedestres e corredores amadores ou profissionais, vivem usando a ciclovia para correr, vejo isso também quando estou a pé, fazendo “cooper” por lá.

Por lei, os veículos de maior porte são sempre responsáveis pelos menores. Reforço que tem que haver responsabilidade no uso do espaço público, mas precisamos perder essa mania de achar que para garantir um direito nosso o do outro coleguinha tem que ser anulado.
Alguns dos comentários raivosos dos internautas no Blog do RM. Interessante a associação dos skatistas com drogados. Lamentável!

Alguns dos comentários raivosos dos internautas no Blog do RM. Interessante a associação dos skatistas com drogados. Lamentável!


Essa é a minha impressão. Impressão de alguém que anda de long/skate, que corre frequentemente e que anda de bike periodicamente. Qual a sua?


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Nota do blog

Todo esse debate é importante para mostrar que, mesmo na maior área de lazer da cidade, os carros dominam quase todo o espaço disponível, enquanto pedestres e usuários de veículos não motorizados precisam se espremer numa estreita faixa destinada a eles, algo que se torna impraticável principalmente no Verão, quando a cidade que se enche de turistas. Que tal diminuir o espaço dos carros e aumentar o das pessoas?
 
   
 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Apenas 11 km de ciclovias em 4 anos


Participamos, na manhã de hoje, no auditório Procuradoria Geral do Município, da audiência pública convocada pela Prefeitura de Maceió para tratar do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2015 — PLOA 2015. A audiência teve início com a fala do Secretário Municipal de Planejamento e Desenvolvimento, Sr. Manoel Messias Costa, que enfatizou a importância desse momento de discussão do orçamento com a sociedade.


Em seguida, Messias convidou o líder comunitário do Conjunto Virgem dos Pobres, Sr. Hamilton Santos, para falar em nome da sociedade. Hamilton disse contar com a gestão municipal para trazer melhorias à localidade onde mora, que carece de pavimentação e saneamento.

Canal do Conjunto Virgem dos Pobres III
(clique aqui para girar a visualização)
  
Dando continuidade, Messias passou a palavra para o Diretor Geral de Programação e Orçamento das Regiões Administrativas, Sr. Jailton Pereira Nicácio, para fazer a prestação de contas dos recursos de 2014 aplicados até aquele momento. Jailton apresentou os serviços realizados pela Prefeitura de Maceió nas regiões administrativas 1, 2, 5 e 8, ficando as regiões 3, 4, 6 e 7 para serem apresentadas na segunda audiência, que ocorrerá na próxima sexta-feira (08), na Faculdade Pitágoras, no bairro do Benedito Bentes.
 
         
Ao final da apresentação de cada região administrativa, era facultada a palavra para a participação da sociedade. Havíamos participado das audiências que trataram do Plano Plurianual 2014-2017 (PPA 2014-2017), em agosto de 2013, onde a sociedade teve a oportunidade de apresentar, ao poder público, suas demandas sobre os setores onde deve ser investido o orçamento municipal.


Nas audiências que tivemos a oportunidade de participar, tentamos incluir a necessidade de construção de infraestrutura direcionada à bicicleta. Em algumas, o tema não foi eleito como prioritário (como a da região administrativa 8), em outras sim (como a da região administrativa 3). Uma das grandes preocupações dos moradores do Litoral Norte de Maceió (região administrativa 8) foi com relação à infraestrutura de mobilidade e saneamento, por conta da intenção do mercado imobiliário de verticalizar aquela região.

Contudo, aquele momento, como determina a própria palavra “audiência”, teve o intuito de ouvir a população e saber os seus anseios. Após aquele momento, a Secretaria Municipal de Planejamento, ouvindo as diversas secretarias que compõem a Prefeitura, monta o orçamento municipal, destinando um percentual de tudo que espera arrecadar (seja de tributos locais, seja de transferências estaduais e federais) em cada um dos quatro anos subsequentes, para as rubricas que foram apontadas pela população como prioritárias durante as audiências do PPA.

Anexo V do Plano Plurianual 2014-2017
(clique aqui para ver o documento completo)

Segundo a rubrica 1195, a Prefeitura de Maceió pretende investir R$ 2,2 milhões na construção de ciclovias entre os anos de 2014 e 2017 (do total de R$ 8 bilhões, em quatro anos, somando a media de arrecadação anual de R$ 2 bilhões). Numa busca pela internet, encontramos que o custo médio de construção de ciclovia gira em torno de R$ 150 mil/km (Rio de Janeiro), R$ 200 mil/km (São Paulo) e R$ 250 mil/km (Curitiba). Se adotarmos o valor médio de R$ 200 mil/km, podemos concluir que, com os 2,2 milhões que a Prefeitura de Maceió destinou à rubrica 1195, no PPA 2014-2017, será possível construir 11 km de ciclovias em 4 anos. É suficiente? É muito? É pouco?

Só é possível descobrir se tivermos parâmetros para comparar. Segundo esta reportagem do G1, Maceió possuía, em março deste ano, 30 km de ciclovias, o que coloca a cidade na 9ª posição entre as capitais brasileiras. Como esse valor não diz onde estão localizadas as ciclovias (que em Maceió se concentram na orla marítima, destinadas ao lazer) e nem a relação com o tamanho da malha viária ou da população, foram calculadas também essas relações:


Se considerarmos o percentual que as ciclovias correspondem ao total da malha viária da cidade, Maceió cai para a 12ª posição entre as capitais, com apenas 1% de sua malha viária destinada às bicicletas. Se relacionarmos com a população, Maceió fica na 10ª posição entre as capitais.

Como as capitais brasileiras também não podem ser usadas como exemplo para aquilo que se deseja de uma cidade amiga da bicicleta, fomos buscar exemplos de outras cidades do Brasil e do mundo, famosas por inserirem cada vez mais a bicicleta no trânsito.
   
    
Como não temos acesso ao total da malha viária de cada cidade, fizemos a comparação com o número de habitantes de cada uma, que pode ser facilmente encontrado na internet. Da tabela acima, concluímos que quanto maior for a malha cicloviária da cidade, menor será a relação habitantes/km. Desses números, podemos concluir que, para Maceió chegar a alcançar o padrão de cidades como Amsterdã, Berlim, Copenhague, Paris, Portland ou Sorocaba, teria que ter de 200 a 500 km de malha cicloviária. Se hoje temos 30 km e a Prefeitura de Maceió pretende construir 11 km em 4 anos, agora temos parâmetros para avaliar se é suficiente, se é muito ou se é pouco.
 
Se mantivermos essa média nas próximas gestões (11 km em 4 anos), alcançaremos os 200 km apenas no ano 2076 e os 500 km apenas no ano 2184, considerando que a população manter-se-á estável.

Incluímos também a cidade de São Paulo porque, em junho deste ano, o prefeito Fernando Haddad anunciou a construção de 400 km de ciclovias até o final de 2015. Se mantiver esse ritmo, de 400 km a cada 18 meses, São Paulo alcançará os padrões das cidades mencionadas entre os anos de 2023 e 2036, um horizonte bem mais próximo que o planejado para Maceió.
 
Provavelmente alguém vai dizer que não há como comparar a riqueza da cidade de São Paulo com o orçamento de Maceió, que tem cerca de 70 % proveniente de transferências. Mas justamente por nossos recursos serem mais escassos é que deveríamos usá-los com mais racionalidade. Apresentamos, na audiência, a rubrica 1183, do PPA 2014-2017, que trata da “construção de viaduto no Bom Parto e urbanização no entorno” e tem um montante de R$ 27,5 milhões para 4 anos. Ou mesmo a rubrica 1181, que trata da “urbanização na orla de Cruz das Almas, Jacarecica e intervenções viárias em vias do entorno” e tem um montante de R$ 68,6 milhões em 4 anos.

Anexo V do Plano Plurianual 2014-2017
(clique aqui para ver o documento completo)

Somadas, as duas obras têm um montante de quase R$ 100 milhões em 4 anos. Com esse valor, Maceió conseguiria atingir a meta de 500 km de ciclovia até o ano 2017. Ou seja, não apenas seus bisnetos poderiam ter uma cidade amiga da bicicleta, como você mesmo.

Durante a audiência, fomos questionados pelo Sr. Fernando Lima, líder comunitário do bairro do Bom Parto, por termos apontado os R$ 27,5 milhões que serão destinados ao seu bairro como um recurso que poderia ter sido direcionado às ciclovias. Segundo ele, não estaríamos observando o ganho social da obra do viaduto, mas apenas seu custo financeiro.

Em particular, explicamos a ele que não queremos questionar qualquer investimento que seja feito no bairro do Bom Parto, que todos sabemos ser carente de infraestrutura. Nosso questionamento é direcionado pontualmente à obra do viaduto, que já vem prometida desde a gestão do prefeito Cícero Almeida.


Já está mais do que provado que viadutos não melhoram o trânsito, apenas desafogam num cruzamento e permitem que os motoristas cheguem mais rápido ao próximo congestionamento. São obras de grande visibilidade e que ainda estão no imaginário da população como “a solução para o trânsito da cidade”. Cidades que construíram viadutos já os estão demolindo para trazer vida de volta às pessoas, devido à degradação que os viadutos provocam no seu entorno.

Em sendo uma obra destinada exclusivamente à melhoria da circulação de automóveis, contraria o Plano Diretor de Maceió (lei municipal 5.486/2005), que diz em seu artigo 79, II:

"Art. 79. São diretrizes gerais para implementação da mobilidade no Município de Maceió:
(...)
II – prioridade aos pedestres, ao transporte coletivo e de massa e ao uso de bicicletas, não estimulando o uso de veículo motorizado particular;"


E quando é colocado no orçamento municipal que a rubrica é destinada à “construção de viaduto e urbanização no entorno” é apenas uma maneira de legitimar a construção do viaduto tendo o apoio da comunidade do entorno.


Quanto à urbanização de Cruz das Almas e Jacarecica, onde a Prefeitura de Maceió pretende gastar 30 vezes mais do que gastará com a construção de ciclovias em toda a cidade, quem será beneficiado? A população da cidade como um todo ou o mercado imobiliário, que já saturou o bairro de Ponta Verde com edifícios, vem saturando o bairro de Jatiúca e vê Cruz das Almas e Jacarecica como um filão para expandir seus negócios?
    
      
É justo que recursos públicos sejam utilizados nos bairros de Cruz das Almas e Jacarecica para favorecer empresas privadas do setor de imóveis, enquanto ciclistas continuam a morrer atropelados por toda a cidade? Por mais que a Prefeitura, em seu discurso, diga que pretende estimular o uso da bicicleta e do transporte coletivo, é através do orçamento municipal que podemos perceber onde estão as verdadeiras prioridades.
  
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As cidades não se comunicam com os pedestres

Foto: Luiz Augusto Lucas/SMCS
  
Diante de ruas que só falam aos carros, campanha pede que autoridades pensem em sinalizações para os não motorizados
    
por Reinaldo Canto — publicado em 01/08/2014 às 18h30
       
O leitor já deve ter se deparado com a seguinte situação ao caminhar por ruas e avenidas de qualquer cidade brasileira: você precisa chegar a algum lugar, um determinado endereço que sabe estar próximo. Procura uma placa de sinalização, muitas vezes inexistente, mas ao finalmente encontrá-la, ela aponta um caminho, mas... que caminho?

Você sabe que essa localidade está à sua esquerda, mas a placa aponta a necessidade de pegar a direita e fazer uma conversão mais à frente. Se você está a pé, que sentido faz isso? Nenhum, claro. O que acontece é que essa sinalização não “fala” com o pedestre. Ela se dirige, exclusivamente, aos seres devidamente motorizados.

Esse não é um caso isolado. Cerca de 90% de toda a sinalização existente em nossas cidades são dirigidas para motoristas, ou seja, para um público que, nem ao menos representa a maioria dos deslocamentos nas cidades.

Uma recente pesquisa divulgada pelo Datafolha em São Paulo constatou que o ônibus é o principal meio de transporte diário das pessoas, com 79% das respostas. Em seguida vem o metrô, com 39%, e só em terceiro lugar aparecem os carros, com 17%, um pouco à frente dos usuários de vans, lotações e peruas, com 13%.  Ainda segundo a pesquisa, 7% dos entrevistados disseram andar apenas a pé.

Uma campanha do portal Mobilize especializada em mobilidade urbana e denominada Sinalize quer contribuir para mudar essa realidade.

Para os organizadores do movimento, o objetivo não é “encher as cidades de placas” que, obviamente, contribuiriam para uma enorme poluição visual, mas buscar melhor interação e conforto para pedestres, ciclistas e usuários de transporte público.

Aliás, outra questão apontada pelo Mobilize é exatamente a atenção que se dá aos passageiros de ônibus que, em geral, é nenhuma! Basta estar em algum ponto de ônibus e tentar descobrir quais linhas passam por ali, os respectivos itinerários e indicação de locais de interesse como hospitais, serviços públicos diversos e pontos turísticos.

Também de modo geral os ciclistas não são contemplados com placas específicas para esses usuários, com exceção a locais perigosos nos quais os riscos de acidentes são enormes.

Os cuidados, então, com a segurança dos deficientes visuais, como a instalação de sinais sonoros, é praticamente inexistente. Fato que prejudica demais a mobilidade e a independência colocando em risco a própria integridade física dessas pessoas.

Várias cidades do mundo, como Londres, Nova York e Paris, já possuem uma série de sinalizações positivas que contribuem para melhorar e facilitar a vida das pessoas. São totens estrategicamente localizados, mapas e indicações de pontos de interesse que ajudam muito os pedestres a se movimentar com rapidez e segurança nessas metrópoles.

No Brasil temos um longo caminho pela frente e muitos desafios. São inúmeras as ações necessárias para tornar uma cidade mais humana, amigável e próxima dos cidadãos. E, sem dúvida, aquelas que levem a inclusão e o respeito contribuem muito para uma vida mais feliz e equilibrada.
 
Fonte: Carta Capital | Opinião