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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

75ª Bicicletada de Maceió

   
Aconteceu, na noite de hoje (29), a 75ª edição da Bicicletada de Maceió. Nós nos reunimos a partir das 18h em nosso tradicional ponto de encontro, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol. O candidato a deputado estadual, Bispo Filho (PSB), havia nos contatado previamente e pedido para conversar com os participantes da Bicicletada sobre uma de suas propostas de campanha, referente ao “Projeto de Lei do Planejamento Cicloviário”.

        
Bispo Filho (PSB) compareceu e apresentou sua proposta, além de discutir sobre a possibilidade de realização de uma palestra com Fabiano Faga Pacheco, cicloativista do estado de Santa Catarina. Ao final de sua fala, agradecemos sua presença e explicamos que a Bicicletada consiste de um movimento apartidário, no entanto, nossos membros têm liberdade de pensamento político, somos abertos ao diálogo com quaisquer partidos e organizações que queiram conhecer as ideias do movimento. Inclusive, já debatemos com membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em outro momento; já participamos de debate realizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT); participamos de debate realizado pelo DCE/UFAL, onde dividimos mesa com integrantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); todos a convite. Também ouvimos as propostas dos candidatos a prefeito de Maceió nas eleições de 2012, no que se refere à Mobilidade Urbana, e participamos, a convite da vereadora Heloísa Helena (PSOL), de reuniões realizadas no Ministério Público Estadual, para tratar da necessidade de implantação de infraestrutura cicloviária na cidade. Além disso, já participamos de discussões no Coletivo Anarquista Resistência Popular, que possui uma proposta semelhante à do movimento Bicicletada, no sentido de entender que as mudanças necessárias à nossa realidade não partirão do Poder Político, nos moldes atuais, mas da própria sociedade.
 
Explicamos que a maneira de atuar da Bicicletada não é através da política partidária. Nossa atuação política é através do diálogo com a sociedade, mostrando caminhos para alcançarmos outro modelo de cidade, mais humana, mais justa, menos poluída. Sabemos que o movimento é pequeno para cobrar algo do poder público e, por isso, buscamos o apoio da sociedade, para que esta, com a força que tem, cobre dos gestores públicos aquilo que a Bicicletada propõe.


Bispo Filho agradeceu o espaço e se despediu do grupo, dizendo que não buscara votos, mas o início do diálogo com o movimento. Agradecemos sua presença e saímos para um rolé pela cidade.

 

Assim como fizemos na 74ª edição da Bicicletada, seguimos pela Av. Fernandes Lima, agrupados, ocupando a Faixa Azul, conforme solução “provisória” adotada pela SMTT em novembro de 2013, enquanto não se implanta uma ciclovia na avenida.

Tivemos apenas um incidente com o motorista do carro 7291 da empresa São Francisco que, irritado ao ver as bicicletas ocupando a Faixa Azul e, provavelmente não tendo passado pelo treinamento realizado por André Pasqualini, passou pelo grupo com duas rodas do ônibus na Faixa Azul e duas rodas na faixa adjacente, bem próximo às bicicletas, descumprindo o art. 201 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e colocando em risco nossas vidas.


Aproveitamos as paradas nos semáforos para entregar panfletos e mostrar cartazes aos motoristas, com o intuito de alertá-los sobre a necessidade de preservar a integridade física daqueles que optam por utilizar a bicicleta em seus deslocamentos.


Fomos até a Av. Rotary e retornamos também pela Av. Fernandes Lima. Na volta, fomos ameaçados por alguns motoristas de táxi que, mesmo tendo a faixa do meio e a da esquerda para trafegar, insistiam em passar tirando fino do grupo, ocupando metade da Faixa Azul, acelerando violentamente seus carros, talvez com a intenção de demonstrar o poder de suas máquinas ante as bicicletas.


Seguimos até o centro comercial da cidade que, por não ter ocupação residencial, torna-se um deserto no período noturno. Fizemos algo impossível de se fazer no horário em que as lojas estão abertas: pedalamos pelo calçadão das ruas Moreira Lima e Do Comércio.
       
      
Passamos pela Praça D. Pedro II e rua Do Sol, subimos a ladeira Do Brito e retornamos ao ponto de encontro da Bicicletada, totalizando 10 km.


Antes do grupo que seguiria em direção à parte baixa da cidade partir, um suíço chamado Nikolas se aproximou de nós, entusiasmado ao ver as bicicletas, provavelmente por reconhecer algo que é tão comum em seu país. Enquanto ele provava o acarajé de Maceió, trocamos algumas palavras em português/inglês/alemão e demos algumas risadas para terminar bem a noite.

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Depoimento de uma das participantes sobre a Bicicletada de hoje:

"Gostaria de registrar minhas impressões sobre alguns acontecimentos simples, porém interessantes, ocorridos na noite de ontem, quando eu participava de mais uma edição da Bicicletada de Maceió.

Primeiramente, fiquei bastante feliz quando cheguei ao local de encontro e vi que havia mais participantes que o de costume, entre mulheres e homens, o que reforçou um sentimento de esperança. Em seguida, quando começamos a pedalar, fomos seguidos por um cachorro que, andando pela calçada ao nosso lado, latia pra qualquer um que se aproximava, como se quisesse nos proteger. Achei bonito porque os animais são sinceros e esse gostou mesmo da Massa.

O passeio transcorreu normalmente. Levamos fechada de ônibus, normalmente; algumas buzinadas e gritos sem motivo (a não ser o de conseguirmos existir fora de uma máquina), normalmente; também conversamos, rimos, mostramos cartazes, panfletos, demos legalzinho para motorista de ônibus simpático (coisa um tanto rara) e tudo o mais.

Ao retornar ao ponto de encontro, paramos para trocar ideias. Pouco depois, uma senhora (que, pela expressão de sua face, também poderia ser uma bruxa do mal) aborda uma colega, que estava com parte da roda traseira de sua bike em cima da faixa de pedestres, e pede para que ela se afaste para dar passagem, tudo bem. Mas, o que me impressionou é que a mesma senhora não se incomodou quando, logo em seguida, o motorista de seu carro (seu marido, talvez) o estacionou em cima da mesma faixa de pedestres e em frente à rampa de cadeirante.

Na sequência, o homem liga o alerta e sai do veículo, acompanhando a senhora na degustação de um acarajé, sentados em bancos de plástico de fronte para seu veículo de luxo. Ficamos observando de soslaio o casal e presenciamos a cena em que o homem chuta um gato que dele se aproximara e o enxota com o banquinho em que estava sentado. Depois disso, aproxima-se do grupo um rapaz suíço, que diz em outras palavras: 'Que legal suas bicicletas!'"


      

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os skatistas estão crescendo na Orla de Maceió. Viva!


por Natália Souza - 20/08/2014

A Orla de Maceió é “a mais bonita do Brasil”, como bem enchemos a boca pra falar, mas tá virando a menos democrática.

O colega jornalista Ricardo Mota postou hoje em seu blog o texto “Os estúpidos dos skates estão crescendo no calçadão da orla de Maceió”, onde conta que viu um skatista aloprado em alta velocidade atropelando uma senhorinha que caminhava no mesmo local. Disse que isso vem acontecendo com frequência com idosos, jovens e crianças e comparou os skatistas a torcidas organizadas, hordas de bárbaros e brutamontes voadores.

Mota falou da falta de educação dos jovens de classe média que não contribuem por uma civilidade num local compartilhado. Ele deixa “claro” que “a crítica, está claro, não é aos praticantes do esporte, mas aos que se comportam dessa forma”.


Pois bem. Concordo que bom senso, educação e civilidade têm que existir em qualquer lugar. INCLUSIVE, deixo claro, que já vi exemplos de skatistas e gente de patins fazendo manobras agressivas entre as pessoas na Rua Fechada dia de domingo e não aprovo.

Mas, acredito que posts como o dele, que deveriam debater a AUSÊNCIA de espaço público destinado ao lazer e à prática de esportes dos jovens, crianças e adultos em Maceió, mas tiveram o efeito contrário, só incitaram a raiva da sociedade contra skatistas, longboarders (e qualquer um que ande numa prancha sobre 4 rodas), visto a maioria dos comentários no blog. Sério, tem comentários surreais mandando a prefeitura proibir de vez patins e skates na Orla e dizendo que os skatistas estão crescendo assustadoramente, como se isso fosse algo ruim, já pensou? (Alguns comentários se salvam com coerência por lá).

Outro dia, EU estava andando de longboard no calçadão da orla que estava LOTADA de jovens correndo, casais caminhando de mãos dadas, idosos que param pra conversar, turistas tirando foto, crianças etc. Como eu fiquei agoniada em ter que me desviar demais dos pedestres (e também notei a cara feia de uns), desci pra ciclovia e comecei a andar de long lá.

Nem deu 10 minutos e o primeiro ciclista que passou por mim me deu um grito desaforado dizendo que ali era uma CICLOVIA e que eu estava no lugar errado. Nos dois lugares eu não “era bem-vinda” e andar na pista no meio da rua eu não era doida de fazer.

E aí, qual o lugar do skatista e do patinador?

Os skatistas estão crescendo no calçadão da orla de Maceió, vamos debater o uso do espaço público?

Existe uma pista de skate e patins na Pajuçara, mas basta qualquer pessoa ir lá para ver as rachaduras e falta de condições do local. As praças (do skate) e outras nem se fala. Sem segurança, escuras, abandonadas e vulneráveis a assaltos. A outra pista voltada a skate e patins fica no Benedito Bentes, que particularmente, eu nunca fui e não sei em quais condições se encontram, mas tenho a direito de não querer ir tão longe para praticar uma atividade física que me dá prazer.

E mesmo que existissem locais perfeitos e isolados para essas categorias -projeto de revitalização da Praça do Skate tá aí sendo tocado, acredito que é um direito nosso de transitar na Orla. Vejo cidades como Aracaju, que tem um espaço grande na orla só para isso, e outras cidades que as pessoas compartilham o local, mas aqui, a sociedade (pelo menos o povo dos comentários do Ricardo Mota) pede que a SMCCU proíba skatistas e patinadores. Meio radical, não?

Falando novamente por mim, não me considero uma brutamontes, até pelo meu porte físico, nem uma integrante de torcida organizada de futebol que quero tomar a força o local, só quero poder usufruir do espaço a que tenho direito também. Como o skate é necessário uma certa velocidade para andar, e qualquer velocidade será alta em relação a um pedestre, acabamos passando essa sensação de estarmos “voando” em relação aos demais. Não é questão de agressividade.

Fiscalizar? Como? Estipular uma velocidade média? Baixar uma lei que agora os skatistas e patinadores DEVEM andar na ciclovia? (os ciclistas agora iam ter que aceitar isso). Enfim, a maioria dos comentários que li e pelo que entendi do post do colega (a quem vejo com frequência caminhando na orla), foi pedindo que o poder público interferisse de forma “repressora” aos skatistas, ainda não vi uma quantidade expressiva falando sobre esse debate da utilização do espaço público.

Pessoas, ainda mais jovens ociosos e sem espaço para a prática de esporte ou lazer, não podem resultar em nada positivo para o bem estar social, como diz a música do Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte”. Esse assunto merece muito ser debatido dessa forma, e o poder público sim, intervindo, mas apresentando solução para essa melhor convivência e não expulsando categoria x ou y do local, como sugerem os internautas.

Estúpidos estão aumentando em todo lugar com qualquer que seja o tipo de veículo utilizado. Lembrando que muitos pedestres e corredores amadores ou profissionais, vivem usando a ciclovia para correr, vejo isso também quando estou a pé, fazendo “cooper” por lá.

Por lei, os veículos de maior porte são sempre responsáveis pelos menores. Reforço que tem que haver responsabilidade no uso do espaço público, mas precisamos perder essa mania de achar que para garantir um direito nosso o do outro coleguinha tem que ser anulado.
Alguns dos comentários raivosos dos internautas no Blog do RM. Interessante a associação dos skatistas com drogados. Lamentável!

Alguns dos comentários raivosos dos internautas no Blog do RM. Interessante a associação dos skatistas com drogados. Lamentável!


Essa é a minha impressão. Impressão de alguém que anda de long/skate, que corre frequentemente e que anda de bike periodicamente. Qual a sua?


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Nota do blog

Todo esse debate é importante para mostrar que, mesmo na maior área de lazer da cidade, os carros dominam quase todo o espaço disponível, enquanto pedestres e usuários de veículos não motorizados precisam se espremer numa estreita faixa destinada a eles, algo que se torna impraticável principalmente no Verão, quando a cidade que se enche de turistas. Que tal diminuir o espaço dos carros e aumentar o das pessoas?
 
   
 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Apenas 11 km de ciclovias em 4 anos


Participamos, na manhã de hoje, no auditório Procuradoria Geral do Município, da audiência pública convocada pela Prefeitura de Maceió para tratar do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2015 — PLOA 2015. A audiência teve início com a fala do Secretário Municipal de Planejamento e Desenvolvimento, Sr. Manoel Messias Costa, que enfatizou a importância desse momento de discussão do orçamento com a sociedade.


Em seguida, Messias convidou o líder comunitário do Conjunto Virgem dos Pobres, Sr. Hamilton Santos, para falar em nome da sociedade. Hamilton disse contar com a gestão municipal para trazer melhorias à localidade onde mora, que carece de pavimentação e saneamento.

Canal do Conjunto Virgem dos Pobres III
(clique aqui para girar a visualização)
  
Dando continuidade, Messias passou a palavra para o Diretor Geral de Programação e Orçamento das Regiões Administrativas, Sr. Jailton Pereira Nicácio, para fazer a prestação de contas dos recursos de 2014 aplicados até aquele momento. Jailton apresentou os serviços realizados pela Prefeitura de Maceió nas regiões administrativas 1, 2, 5 e 8, ficando as regiões 3, 4, 6 e 7 para serem apresentadas na segunda audiência, que ocorrerá na próxima sexta-feira (08), na Faculdade Pitágoras, no bairro do Benedito Bentes.
 
         
Ao final da apresentação de cada região administrativa, era facultada a palavra para a participação da sociedade. Havíamos participado das audiências que trataram do Plano Plurianual 2014-2017 (PPA 2014-2017), em agosto de 2013, onde a sociedade teve a oportunidade de apresentar, ao poder público, suas demandas sobre os setores onde deve ser investido o orçamento municipal.


Nas audiências que tivemos a oportunidade de participar, tentamos incluir a necessidade de construção de infraestrutura direcionada à bicicleta. Em algumas, o tema não foi eleito como prioritário (como a da região administrativa 8), em outras sim (como a da região administrativa 3). Uma das grandes preocupações dos moradores do Litoral Norte de Maceió (região administrativa 8) foi com relação à infraestrutura de mobilidade e saneamento, por conta da intenção do mercado imobiliário de verticalizar aquela região.

Contudo, aquele momento, como determina a própria palavra “audiência”, teve o intuito de ouvir a população e saber os seus anseios. Após aquele momento, a Secretaria Municipal de Planejamento, ouvindo as diversas secretarias que compõem a Prefeitura, monta o orçamento municipal, destinando um percentual de tudo que espera arrecadar (seja de tributos locais, seja de transferências estaduais e federais) em cada um dos quatro anos subsequentes, para as rubricas que foram apontadas pela população como prioritárias durante as audiências do PPA.

Anexo V do Plano Plurianual 2014-2017
(clique aqui para ver o documento completo)

Segundo a rubrica 1195, a Prefeitura de Maceió pretende investir R$ 2,2 milhões na construção de ciclovias entre os anos de 2014 e 2017 (do total de R$ 8 bilhões, em quatro anos, somando a media de arrecadação anual de R$ 2 bilhões). Numa busca pela internet, encontramos que o custo médio de construção de ciclovia gira em torno de R$ 150 mil/km (Rio de Janeiro), R$ 200 mil/km (São Paulo) e R$ 250 mil/km (Curitiba). Se adotarmos o valor médio de R$ 200 mil/km, podemos concluir que, com os 2,2 milhões que a Prefeitura de Maceió destinou à rubrica 1195, no PPA 2014-2017, será possível construir 11 km de ciclovias em 4 anos. É suficiente? É muito? É pouco?

Só é possível descobrir se tivermos parâmetros para comparar. Segundo esta reportagem do G1, Maceió possuía, em março deste ano, 30 km de ciclovias, o que coloca a cidade na 9ª posição entre as capitais brasileiras. Como esse valor não diz onde estão localizadas as ciclovias (que em Maceió se concentram na orla marítima, destinadas ao lazer) e nem a relação com o tamanho da malha viária ou da população, foram calculadas também essas relações:


Se considerarmos o percentual que as ciclovias correspondem ao total da malha viária da cidade, Maceió cai para a 12ª posição entre as capitais, com apenas 1% de sua malha viária destinada às bicicletas. Se relacionarmos com a população, Maceió fica na 10ª posição entre as capitais.

Como as capitais brasileiras também não podem ser usadas como exemplo para aquilo que se deseja de uma cidade amiga da bicicleta, fomos buscar exemplos de outras cidades do Brasil e do mundo, famosas por inserirem cada vez mais a bicicleta no trânsito.
   
    
Como não temos acesso ao total da malha viária de cada cidade, fizemos a comparação com o número de habitantes de cada uma, que pode ser facilmente encontrado na internet. Da tabela acima, concluímos que quanto maior for a malha cicloviária da cidade, menor será a relação habitantes/km. Desses números, podemos concluir que, para Maceió chegar a alcançar o padrão de cidades como Amsterdã, Berlim, Copenhague, Paris, Portland ou Sorocaba, teria que ter de 200 a 500 km de malha cicloviária. Se hoje temos 30 km e a Prefeitura de Maceió pretende construir 11 km em 4 anos, agora temos parâmetros para avaliar se é suficiente, se é muito ou se é pouco.
 
Se mantivermos essa média nas próximas gestões (11 km em 4 anos), alcançaremos os 200 km apenas no ano 2076 e os 500 km apenas no ano 2184, considerando que a população manter-se-á estável.

Incluímos também a cidade de São Paulo porque, em junho deste ano, o prefeito Fernando Haddad anunciou a construção de 400 km de ciclovias até o final de 2015. Se mantiver esse ritmo, de 400 km a cada 18 meses, São Paulo alcançará os padrões das cidades mencionadas entre os anos de 2023 e 2036, um horizonte bem mais próximo que o planejado para Maceió.
 
Provavelmente alguém vai dizer que não há como comparar a riqueza da cidade de São Paulo com o orçamento de Maceió, que tem cerca de 70 % proveniente de transferências. Mas justamente por nossos recursos serem mais escassos é que deveríamos usá-los com mais racionalidade. Apresentamos, na audiência, a rubrica 1183, do PPA 2014-2017, que trata da “construção de viaduto no Bom Parto e urbanização no entorno” e tem um montante de R$ 27,5 milhões para 4 anos. Ou mesmo a rubrica 1181, que trata da “urbanização na orla de Cruz das Almas, Jacarecica e intervenções viárias em vias do entorno” e tem um montante de R$ 68,6 milhões em 4 anos.

Anexo V do Plano Plurianual 2014-2017
(clique aqui para ver o documento completo)

Somadas, as duas obras têm um montante de quase R$ 100 milhões em 4 anos. Com esse valor, Maceió conseguiria atingir a meta de 500 km de ciclovia até o ano 2017. Ou seja, não apenas seus bisnetos poderiam ter uma cidade amiga da bicicleta, como você mesmo.

Durante a audiência, fomos questionados pelo Sr. Fernando Lima, líder comunitário do bairro do Bom Parto, por termos apontado os R$ 27,5 milhões que serão destinados ao seu bairro como um recurso que poderia ter sido direcionado às ciclovias. Segundo ele, não estaríamos observando o ganho social da obra do viaduto, mas apenas seu custo financeiro.

Em particular, explicamos a ele que não queremos questionar qualquer investimento que seja feito no bairro do Bom Parto, que todos sabemos ser carente de infraestrutura. Nosso questionamento é direcionado pontualmente à obra do viaduto, que já vem prometida desde a gestão do prefeito Cícero Almeida.


Já está mais do que provado que viadutos não melhoram o trânsito, apenas desafogam num cruzamento e permitem que os motoristas cheguem mais rápido ao próximo congestionamento. São obras de grande visibilidade e que ainda estão no imaginário da população como “a solução para o trânsito da cidade”. Cidades que construíram viadutos já os estão demolindo para trazer vida de volta às pessoas, devido à degradação que os viadutos provocam no seu entorno.

Em sendo uma obra destinada exclusivamente à melhoria da circulação de automóveis, contraria o Plano Diretor de Maceió (lei municipal 5.486/2005), que diz em seu artigo 79, II:

"Art. 79. São diretrizes gerais para implementação da mobilidade no Município de Maceió:
(...)
II – prioridade aos pedestres, ao transporte coletivo e de massa e ao uso de bicicletas, não estimulando o uso de veículo motorizado particular;"


E quando é colocado no orçamento municipal que a rubrica é destinada à “construção de viaduto e urbanização no entorno” é apenas uma maneira de legitimar a construção do viaduto tendo o apoio da comunidade do entorno.


Quanto à urbanização de Cruz das Almas e Jacarecica, onde a Prefeitura de Maceió pretende gastar 30 vezes mais do que gastará com a construção de ciclovias em toda a cidade, quem será beneficiado? A população da cidade como um todo ou o mercado imobiliário, que já saturou o bairro de Ponta Verde com edifícios, vem saturando o bairro de Jatiúca e vê Cruz das Almas e Jacarecica como um filão para expandir seus negócios?

É justo que recursos públicos sejam utilizados nos bairros de Cruz das Almas e Jacarecica para favorecer empresas privadas do setor de imóveis, enquanto ciclistas continuam a morrer atropelados por toda a cidade? Por mais que a Prefeitura, em seu discurso, diga que pretende estimular o uso da bicicleta e do transporte coletivo, é através do orçamento municipal que podemos perceber onde estão as verdadeiras prioridades.
  
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As cidades não se comunicam com os pedestres

Foto: Luiz Augusto Lucas/SMCS
  
Diante de ruas que só falam aos carros, campanha pede que autoridades pensem em sinalizações para os não motorizados
    
por Reinaldo Canto — publicado em 01/08/2014 às 18h30
       
O leitor já deve ter se deparado com a seguinte situação ao caminhar por ruas e avenidas de qualquer cidade brasileira: você precisa chegar a algum lugar, um determinado endereço que sabe estar próximo. Procura uma placa de sinalização, muitas vezes inexistente, mas ao finalmente encontrá-la, ela aponta um caminho, mas... que caminho?

Você sabe que essa localidade está à sua esquerda, mas a placa aponta a necessidade de pegar a direita e fazer uma conversão mais à frente. Se você está a pé, que sentido faz isso? Nenhum, claro. O que acontece é que essa sinalização não “fala” com o pedestre. Ela se dirige, exclusivamente, aos seres devidamente motorizados.

Esse não é um caso isolado. Cerca de 90% de toda a sinalização existente em nossas cidades são dirigidas para motoristas, ou seja, para um público que, nem ao menos representa a maioria dos deslocamentos nas cidades.

Uma recente pesquisa divulgada pelo Datafolha em São Paulo constatou que o ônibus é o principal meio de transporte diário das pessoas, com 79% das respostas. Em seguida vem o metrô, com 39%, e só em terceiro lugar aparecem os carros, com 17%, um pouco à frente dos usuários de vans, lotações e peruas, com 13%.  Ainda segundo a pesquisa, 7% dos entrevistados disseram andar apenas a pé.

Uma campanha do portal Mobilize especializada em mobilidade urbana e denominada Sinalize quer contribuir para mudar essa realidade.

Para os organizadores do movimento, o objetivo não é “encher as cidades de placas” que, obviamente, contribuiriam para uma enorme poluição visual, mas buscar melhor interação e conforto para pedestres, ciclistas e usuários de transporte público.

Aliás, outra questão apontada pelo Mobilize é exatamente a atenção que se dá aos passageiros de ônibus que, em geral, é nenhuma! Basta estar em algum ponto de ônibus e tentar descobrir quais linhas passam por ali, os respectivos itinerários e indicação de locais de interesse como hospitais, serviços públicos diversos e pontos turísticos.

Também de modo geral os ciclistas não são contemplados com placas específicas para esses usuários, com exceção a locais perigosos nos quais os riscos de acidentes são enormes.

Os cuidados, então, com a segurança dos deficientes visuais, como a instalação de sinais sonoros, é praticamente inexistente. Fato que prejudica demais a mobilidade e a independência colocando em risco a própria integridade física dessas pessoas.

Várias cidades do mundo, como Londres, Nova York e Paris, já possuem uma série de sinalizações positivas que contribuem para melhorar e facilitar a vida das pessoas. São totens estrategicamente localizados, mapas e indicações de pontos de interesse que ajudam muito os pedestres a se movimentar com rapidez e segurança nessas metrópoles.

No Brasil temos um longo caminho pela frente e muitos desafios. São inúmeras as ações necessárias para tornar uma cidade mais humana, amigável e próxima dos cidadãos. E, sem dúvida, aquelas que levem a inclusão e o respeito contribuem muito para uma vida mais feliz e equilibrada.
 
Fonte: Carta Capital | Opinião

  

sexta-feira, 25 de julho de 2014

74ª Bicicletada de Maceió

  
Aconteceu, na noite de hoje (25), a 74ª edição da Bicicletada de Maceió. A Bicicletada tem crescido significativamente, nas últimas edições, com chegada de novos participantes, com a participação dos mensageiros do Ecourier e de uma turma que vem do bairro do Vergel do Lago.


Saímos por volta das 19h, do nosso tradicional ponto de encontro, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol, e seguimos pela Av. Fernandes Lima.


Com o trânsito um pouco congestionado para os carros, seguimos pela faixa dos ônibus (popularmente chamada de Faixa Azul), conforme recomendação da SMTT, do compartilhamento dessa faixa entre ônibus e bicicletas.
   
  
Apesar dos conflitos cotidianos envolvendo motoristas de ônibus e taxistas que não aceitam a presença de bicicletas na Faixa Azul, talvez por não terem passado pelo treinamento realizado por André Pasqualini, o motorista do ônibus 5409, da empresa Cidade de Maceió, foi bastante gentil conosco. Manteve uma distância segura, não buzinou e ainda fez um “legalzinho” quando paramos no semáforo à sua frente.


Da Fernandes Lima, seguimos para a rua Camaragibe, passando pelo bairro do Ouro Preto e chegando à Av. Menino Marcelo. Fizemos uma breve parada no posto de gasolina da entrada do Conj. José Tenório...


... retornamos pelo Murilópolis e novamente pela Av. Fernandes Lima, até chegar ao ponto de saída, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol.


Infelizmente, no retorno pela Fernandes Lima, não tivemos a mesma tranquilidade da ida. Com o trânsito bastante livre, por volta das 20h30, diversos ônibus passaram bem próximos de nós em altíssima velocidade (descumprindo o art. 220, XIII, do Código de Trânsito Brasileiro). Outros, assim que nos passavam buzinando, jogavam o ônibus bruscamente para a Faixa Azul, quase batendo a traseira da carroceria nas bicicletas, talvez tentando nos dizer algo (que não deveríamos estar ali), à sua maneira de se expressar: com buzinas e fechadas. Lamentável ver toda essa violência depois da cordialidade do motorista do ônibus 5409, da empresa Cidade de Maceió.
  

domingo, 6 de julho de 2014

O desinteresse americano por shoppings

Desde 1990, os grandes centros comerciais vêm decaindo e 2007 foi o primeiro ano, em mais de 4 décadas, em que nenhum foi aberto

Por James Greiff - Bloomberg / Reuters
Tradução de Terezinha Martino

Na semana passada o Slate publicou fotos de enormes shopping centers decadentes, vazios, que fazem parte de um novo livro, Autópsia da América.

As imagens são impressionantes e o momento não podia ser melhor. Os grandes centros comerciais erigidos nas áreas suburbanas e hoje abandonados estão na moda. Um grupo do Facebook, The Dead Malls Enthusiasts (Os entusiastas dos centros comerciais defuntos) conta com 14.000 membros. Uma pesquisa no Google sobre os “dead malls” (centros comerciais mortos) produz 5,7 milhões de resultados. E os interiores desolados dessas mecas do varejo continuam a aparecer nos thrillers e filmes de terror.
  
Shopping em Ohio, o terceiro Estado a ter o maior número de centros comerciais abandonados
(Deadmalls.com/Divulgação)
 
As fotos chamam a atenção para algumas mudanças fundamentais da América suburbana e da experiência do varejo, embora os urbanistas que esperam que esses shoppings esvaziados contribuam para a revitalização do centro da cidade possam se decepcionar. A realidade é mais complexa.
  
Alguns aspectos devem ser levados em consideração. Uma raça em extinção: o que alguns escritores costumam chamar de “centro comercial” acabou. Tente encontrar alguém pensando em abrir um novo shopping center regional, esses edifícios com mais de 100 lojas circundados por uma enorme área de estacionamento. Desde 1990, quando um espaço de compras de 1,489 milhão de metros quadrados foi aberto, os centros vêm decaindo e 2007 foi o primeiro ano em mais de quatro décadas em que nenhum shopping foi inaugurado nos EUA. Apenas um foi aberto desde então, em 2012. 
  
As modalidades de desenvolvimento urbano menos sustentáveis do passado — centros comerciais, parques empresariais e avenidas de comércio — vêm sendo cada vez mais reformuladas dando lugar a espaços mais urbanos e sustentáveis, com prédios e espaços que fomentam a colaboração comunitária, a diversidade e reduzem o tráfego.
 
Há apenas um problema. Os shoppings em decadência estão localizados em áreas onde toda a economia local está em frangalhos, o que torna difícil ver como o varejo urbano se beneficiará. Na verdade, alguns desses shoppings defuntos estão no centro de cidades que adotaram o modelo de shopping suburbano tentando em vão trazer as pessoas de volta para o centro.
   
Isso fica claro apenas ao olhar a lista dos centros de compras abandonados ou em vias de fechar por Estado, listados no website deadmalls.com. Nova York lidera com 42 locais, quase todos eles ao norte do Estado. 
   
Não é coincidência o fato de que 5 das 10 áreas metropolitanas com crescimento mais lento, citadas num recente estudo encomendado pela Conference of Mayors dos Estados Unidos, estão ao norte do Estado de Nova York. A Pensilvânia é a próxima da lista de centros em extinção, com 28. Illinois e Ohio empatam, com 27.

Compras online. Uma fator óbvio. A internet está fazendo com os shoppings o que eles fizeram com os centros das cidades. Tudo o que a J.C.Penney — clássica rede de lojas — vende, a Amazon.com oferece por um preço menor. A Amazon também se dá ao luxo de ter acionistas muito pacientes que não exigem lucros imediatos.
  
Compra online é uma força que poucas lojas convencionais conseguiram vencer. Desde 1999, quando as vendas pela internet eram insignificantes, o comércio eletrônico disparou. No primeiro trimestre de 2014, elas alcançaram US$ 71 bilhões, uma taxa anual de quase US$ 300 bilhões por ano, o equivalente a mais de 6% do total das despesas do varejo nos Estados Unidos.
 
O envolvimento com a comunidade dos adolescentes e jovens, tendo uma vida social nos shoppings também mudou, em parte, pela mídia social.
  
As compras online e a negligência local ajudam a explicar por que a frequência nas lojas declinou tanto.
  
Os centros de compras ainda vêm conseguindo algumas isenções fiscais. No ano passado, o Legislativo de Minnesota aprovou a quantia de US$ 250 milhões em benefícios fiscais a serem aplicados na duplicação do segundo maior centro de compras do país, o Mall of America.
     
O dinheiro veio de um fundo criado para reduzir as disparidades econômicas entre áreas ricas e pobres. Por outro lado, New Jersey injetou US$ 390 milhões num projeto de shopping center nas Meadowlands, conhecido como Xanadu, que deveria ser aberto em 2006. Os incorporadores esperam inaugurá-lo em 2016 com um novo nome: American Dream.
  
Maior do mundo. Dubai está lançando um projeto para construir um distrito de entretenimento e hotelaria que vai incluir o maior shopping center do mundo, afirmou no sábado, o governante do emirado, xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum.
 
Os planos para o projeto “Shopping do Mundo” foram originalmente revelados 18 meses atrás, ajudando a disparar um forte rali nos mercados imobiliários e de ações de Dubai. O anúncio deste sábado parece indicar que o trabalho no projeto poderá começar agora.
  
A última versão dos planos inclui a construção de um shopping com 743 mil metros quadrados, conectado a um parque de diversões, cinemas, instalações para turismo de saúde e 100 hotéis e prédios de apartamentos com 20 mil quartos. O complexo poderá abrigar por ano 180 milhões de visitantes, pouco menos que a população brasileira.
   
Dubai ainda está se recuperando da crise de dívida de 2009 e o Fundo Monetário Internacional alertou que uma série de projetos imobiliários pode levar a uma nova bolha.

Fonte: Estadão
  
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Veja também:
  

sábado, 28 de junho de 2014

73ª Bicicletada de Maceió

Matéria da TV Gazeta de Alagoas, exibida em 28/06/2014
   
O video acima resume como foi a 73ª edição da Bicicletada de Maceió, quando comemoramos nosso 6º aniversário. Nós nos reunimos na noite da última sexta-feira (27), no tradicional ponto de encontro da Bicicletada, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol, às 18h. Por volta das 19h, seguimos em direção à Av. Josefa de Melo, inaugurada na semana passada, no dia 18/06/2014, com o intuito de realizar uma vistoria nas condições da ciclovia daquela avenida, semelhante ao que fizemos em 2012, quando da inauguração da Av. Márcio Canuto.

Percurso realizado pela Av. Fernandes Lima (clique para ampliar)

Seguimos pela Av. Fernandes Lima, ocupando a Faixa Azul, compartilhando-a com os ônibus, como foi recomendado pela SMTT em novembro de 2013, temporariamente, enquanto não se constrói uma ciclovia no canteiro central, que já vem prometida desde 2010. Como de costume, fomos espremidos na sarjeta pelo motorista do carro 1198, da empresa Real Alagoas, que decidiu nos ultrapassar mesmo desrespeitando o art. 201 do Código de Trânsito Brasileiro.

Ausência de sinalização da ciclovia da Av. Márcio Canuto em cruzamento com rua transversal / Página 50 do Manual de Sinalização Horizontal do Denatran (clique para ampliar)

Passamos pela Av. Márcio Canuto e constatamos que as falhas que identificamos na sinalização em 2012 continuam inalteradas. Ao final da ciclovia da Av. Márcio Canuto, para acessar a ciclovia da Av. Josefa de Melo, diferente dos carros, que têm um túnel que os leva diretamente para a outra avenida, tivemos que atravessar a Av. Juca Sampaio com a travessia denominada de “suástica” por Daniel Guth, no seminário “Transporte e mobilidade urbana no Brasil: desafios e oportunidades”, realizado em São Paulo, durante todo o dia de ontem, pelo Greenpeace.
   
Travessia da ciclovia da Av. Márcio Canuto para a ciclovia da Av. Josefa de Melo (clique para ampliar)

Em abril de 2013, fomos convidados para uma reunião e outra, na Secretaria Municipal de Planejamento, para discutir a conexão entre as ciclovias das avenidas Josefa de Melo e Márcio Canuto e a ciclofaixa da Av. Juca Sampaio. Uma terceira reunião tinha sido agendada para 09/05/2013 e fomos comunicados na véspera sobre o adiamento da mesma. Desde então, não fomos convidados novamente e a obra foi finalizada e inaugurada sem que a solução que discutimos na primeira reunião fosse aplicada.

Exemplos de passagens para ciclistas em túneis (clique para ampliar)

No vídeo da matéria da TV Gazeta que postamos não aparece, mas após a matéria foi dito que a SMTT justificou a ausência de conexão entre as três estruturas cicloviárias pela razão de “não poder construir ciclovias em viadutos”, o que se comprova, com as imagens acima, como uma inverdade, caso a SMTT pretendesse fazer a passagem de ciclistas por baixo da Av. Juca Sampaio. Porém, essa possibilidade sequer chegou a ser discutida nas reuniões que tivemos com a Prefeitura. O que se buscava era uma conexão na Av. Juca Sampaio que privilegiasse pedestres e ciclistas, como no caso holandês do vídeo abaixo ou este e este outro de uma rotunda no mesmo país. Contudo, mais uma vez, a Prefeitura de Maceió optou por privilegiar os automóveis, em detrimento aos pedestres e ciclistas.

Exemplo de travessia para pedestres e ciclistas em Amsterdã, na Holanda

A ciclovia construída é bidirecional e tem 3 metros de largura, o que é bastante satisfatório. O secretário municipal de infraestrutura, Sr. Roberto Fernandes, afirmou em entrevista ao site TNH que a mesma seguiria os “padrões europeus”. Contudo, talvez o secretário não saiba que não se usa mais construir ciclovias rebaixadas em relação ao passeio público, pelo fato de acumular água durante e após chuvas. O que se faz, atualmente, é nivelar a ciclovia com o passeio público e aplicar sinalização horizontal ou revestimento diferente do espaço dos pedestres.
  
À esquerda, visão geral da ciclovia da Av. Josefa de Melo / À direita, exemplo de ciclovia em Munique, na Alemanha (clique para ampliar)

Continuando nossa vistoria, constatamos que, com apenas dez dias de inaugurada a avenida, a faixa de pedestre já está se desprendendo e esfarelando. Registramos também um carro estacionado e outro manobrando sobre a ciclovia, provavelmente por não haver, naquele local, sinalização horizontal e vertical que indiquem que aquele espaço é destinado às bicicletas, ou mesmo barreiras físicas que impeçam os motoristas de invadirem a ciclofaixa, como é comum acontecer na Av. Márcio Canuto.

Faixa de pedestre se desprendendo e esfarelando (clique para ampliar)
 
Flagrantes de veículos na ciclovia da Av. Josefa de Melo (clique para ampliar)
     
Flagrantes de veículos invadindo a ciclovia da Av. Márcio Canuto (clique para ampliar)

Constatamos o mesmo problema que apontamos na Av. Márcio Canuto em 2012: quando a ciclovia cruza vias transversais que chegam à Av. Josefa de Melo, não há sinalização horizontal e vertical que indique a preferência da bicicleta. Ao final da matéria da TV Gazeta, também foi dito que a SMTT ainda complementará a sinalização que ficou faltando, o que não podemos acreditar, tendo em vista o caso da Av. Márcio Canuto, que perdura de 2012 até hoje.

Ausência de sinalização da ciclovia da Av. Josefa de Melo em cruzamento com rua transversal / Página 50 do Manual de Sinalização Horizontal do Denatran (clique para ampliar)
 
É escassa a sinalização vertical indicativa de via exclusiva para bicicletas e praticamente inexiste a sinalização horizontal. Também não há sinalização semafórica quando há travessia de pedestres pela ciclovia. A ausência de sinalização semafórica direcionada às bicicletas provocou a morte do Sr. José Afrânio Filho, em abril de 2012.

Escassez de sinalização vertical e ausência de sinalização horizontal e semafórica
(clique para ampliar)

Ao chegarmos ao bairro de Cruz das Almas, encontramos a ciclovia que foi feita quando da construção do Parque Shopping. Também não há conexão entre as duas ciclovias e a travessia é feita na sorte, pois sequer existe faixa de pedestre. Quando esta ciclovia cruza um semáforo, não há sinalização horizontal da passagem da ciclovia, apenas a retenção dos carros estranhamente pintada no meio da ciclovia. Mais adiante, na entrada do Shopping Center, há faixa de pedestre, mas não há sinalização da travessia da ciclovia.

À esquerda, conexão da ciclovia da Av. Josefa de Melo com a ciclovia quem passa em frente ao Parque Shopping / No meio, ausência de sinalização horizontal de passagem da ciclovia e retenção dos veículos no meio da ciclovia / À direita, ausência de sinalização horizontal de passagem da ciclovia (clique para ampliar)

Seguimos pela Av. Gustavo Paiva, passamos embaixo do viaduto do bairro de Mangabeiras, onde há alguns metros de uma ciclovia que termina de maneira absurda de frente com o fluxo de carros que passa por uma estreita rua local e, para terminar a noite, paramos numa lanchonete no bairro de Jatiúca para repor as energias.


Fizemos a vistoria no período noturno, mas imaginamos quão desagradável deve ser, tanto para pedestres, quanto para ciclistas, passar por essa avenida no período diurno, debaixo de sol forte, pois não há arborização para amenizar o calor da radiação solar.

Acreditamos que só haverá preocupação com esses detalhes da escala do ser humano (e não do automóvel) quando as pessoas que projetam e executam essas obras passarem a experimentar a cidade a pé ou de bicicleta. Enquanto pedalar e caminhar for algo fora da realidade delas, enquanto a cidade for, para elas, um mero espaço para passar, em alta velocidade, com seus carros (com ar-condicionado), elas vão acreditar que está tudo maravilhoso e não vão conseguir compreender nada do que foi exposto aqui.

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Veja também:

- 1ª Reunião na Sempla
 
- 2ª Reunião na Sempla
 
- 46ª Bicicletada de Maceió
 
- 47ª Bicicletada de Maceió