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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Reunião na SMTT


Aconteceu na manhã de hoje (01), no auditório da SMTT, a reunião para debater a implantação de infraestrutura cicloviária (IC) em Maceió. A reunião foi agendada pelo promotor Max Martins como encaminhamento da última ocorrida no Ministério Público Estadual (MPE) e com o objetivo de realizar um debate entre SMTT e usuários de bicicleta que pudesse elaborar propostas de intervenções na cidade.

Participaram da reunião, além dos usuários de bicicleta que vinham participando das reuniões no MPE e representantes da SEMPLA, diversos servidores da SMTT. Conforme informado, a segunda-feira é o dia no qual realizam-se “reuniões técnicas” da SMTT e, portanto, foi aproveitado este momento para o debate sobre IC.


Sendo conduzida pela SMTT, a reunião teve início às 10h com a apresentação do Assessor Especial de Trânsito da SMTT, Sr. José Moura, demonstrando em imagem do Google Earth as intenções de construção de IC em Maceió.


Em seguida, a representante da SEMPLA, Sra. Patrícia Pradines, expôs a apresentação em Power Point que fora vista pelos ciclistas na última reunião ocorrida no MPE. Ao final da apresentação, o Sr. José Moura sugeriu que fosse elaborado um mapa sobrepondo as propostas apresentadas pela SEMPLA e as apresentadas pela SMTT. Tal fato nos causou estranheza pois, ao que pareceu, as secretarias do município não trabalham em conjunto.

José Moura também levantou a possibilidade de serem realizadas outras reuniões entre SMTT e usuários de bicicleta, já que o assunto não se esgotaria numa única reunião. Expusemos nossa preocupação em estender o assunto por diversas reuniões e terminarmos perdendo o foco da questão. Também demonstramos a preocupação do promotor Max Martins com a objetividade quando sugeriu esta reunião entre SMTT e usuários de bicicleta, para que saíssem dali propostas concretas de intervenção na cidade e que pudessem embasar a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta entre SMTT e MPE.

Argumentamos também sobre a impossibilidade de realização de reuniões no horário da manhã, já que não poderíamos ausentarmo-nos do nosso trabalho com frequência. Sugerimos então que as reuniões fossem realizadas no período noturno.

Também explicamos que, mais importante do que a elaboração de um mapa de intenções seria a definição de um cronograma de intervenções físicas que coloquem em prática essas intenções. Sugerimos que, após a elaboração do mapa, elegêssemos um (ou mais) critério(s) para nortear a intervenção da Prefeitura no sistema viário. Apresentamos como proposta de ponto de partida para intervenção:

a) vias com maior fluxo de bicicletas (conforme contagem da Prefeitura);
b) vias com maior número de acidentes envolvendo ciclistas;
c) vias que vêm sofrendo intervenção da SMTT (ex: Av. Jatiúca, Comendador Leão, Deputado José Lages);
d) ...

Foi sugerido que nós apresentássemos uma proposta de malha cicloviária para a cidade que seria analisada pela Prefeitura e, posteriormente apresentada na reunião no MPE.


De repente, por volta das 11h15, sem que alguém desse a reunião por encerrada, o auditório começou a se esvaziar.


O Superintendente da SMTT, Sr. José Pinto de Luna, compareceu ao auditório e teve uma conversa informal com os que ali ainda se encontravam. Luna expôs sua intenção em ter um representante dos usuários de bicicleta no Conselho Municipal de Transporte. Também informou que o Prof. Antônio Facchinetti fará parte, como ouvinte, enquanto não consegue incluir efetivamente esta representação.

Leia também:

- SMTT discute futura malha cicloviária, por Ascom SMTT


E também:

- 3ª reunião no Ministério Público

- 2ª reunião no Ministério Público

- 1ª reunião no Ministério Público





domingo, 31 de julho de 2011

38ª Bicicletada de Maceió



Na última sexta-feira (29), aconteceu a 38ª edição da Bicicletada de Maceió. Reunimo-nos no tradicional ponto de encontro, o viaduto Aprígio Vilela, às 18h.



Realizamos a pichação inversa no paredão debaixo do viaduto Washington Luis, utilizando nada além de um pano e água. Molhando o pano e passando na parede suja da fuligem deixada pelos motores dos carros, conseguimos escrever e deixar o site da Bicicletada para divulgação.



Enquanto fazíamos nossa arte, uma senhora passou dirigindo uma SUV e soltou:


Bando de baderneiros!


Ainda tentamos explicar que o carro dela era a matéria-prima da nossa "pichação", mas ela já ia longe...



Após a "pichação", descemos para o Stella Maris e fizemos uma breve panfletagem entre os motoristas que passavam no cruzamento da Av. Álvaro Calheiros com a Rua Eng. Paulo Nogueira. Lá, nos divertimos ao ver um vereador que passou com o carro repleto de adesivos contestando o alto preço da gasolina, enquanto estendíamos a faixa com os dizeres: “queime calorias, não gasolina”.



Também rimos bastante com uma moça que estava impaciente buzinando para o carro que ia devagar à sua frente e que lhe faria perder o restinho do sinal amarelo. O motivo das risadas foi que ela terminou estancando o carro e tendo que esperar o sinal vermelho.



Para terminar a noite, jogamos conversa fora num dos vários barzinhos daquela rua. Combinamos alguns passeios e algumas viagens... de bicicleta, claro!



Participe da próxima Bicicletada de Maceió! Toda última sexta-feira do mês, às 18h, em cima do viaduto Aprígio Vilela, no Farol.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Integração Temporal

A partir de amanhã (30 de Julho) a SMTT de Maceió começa a testar o sistema de integração entre ônibus. Trata-se da ‘Integração Temporal’ que permitirá ao usuário trocar de ônibus pagando apenas uma passagem, sem precisar passar por um terminal.

O usuário que precisa pegar dois ônibus para chegar ao seu destino, pagará a primeira passagem e terá até 60 minutos para pegar o segundo coletivo, sem pagar a mais por isso. Qualquer pessoa com o passe eletrônico poderá usufruir deste benefício, inclusive os estudantes.

Por enquanto, apenas três linhas farão parte da Integração Temporal:

Linha 703 – Benedito Bentes / Ponta Verde – via Gruta
Linha 704 – Benedito Bentes / Ponta Verde – Via Farol
Linha 809 – Alimentador / Conjunto Selma Bandeira

Os ônibus que fazem as linhas citadas terão adesivos da Integração Temporal, proporcionando ao usuário a identificação imediata. Segundo a Assessoria de Transportes Urbanos (Assestru) da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), neste primeiro momento, a implantação da Integração Temporal contemplará apenas três linhas em fase experimental, devendo ser ampliada nos próximos meses até atender todas as linhas que operam no complexo do Benedito Bentes.

No dia 22 de Julho a SMTT foi indagada por e-mail e twitter sobre porque o projeto pretende abranger somente a região do Benedito Bentes e não toda Maceió. Não obtivemos retorno até o momento.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

3ª reunião no Ministério Público


Aconteceu, na última segunda-feira (25), no auditório do Ministério Público Estadual, a terceira reunião para tratar da construção de infraestrutura cicloviária na cidade de Maceió. A reunião teve início com a composição da mesa, onde foram convidados representantes dos ciclistas e da Câmara Municipal de Maceió.



Em seguida, o promotor Max Martins convidou o Sr. Gildo Santana, assessor da vereadora Fátima Santiago, para apresentar o Projeto de Lei nº 70 de 2010, que “dispõe sobre o Sistema Cicloviário no âmbito do município de Maceió” de autoria desta vereadora.


Após a apresentação, o promotor convidou as técnicas da Secretaria Municipal de Planejamento – SEMPLA, Dione Pereira e Patrícia Pradines, para fazerem a exposição dos resultados do Plano de Mobilidade Urbana de Maceió referente ao transporte não motorizado.


Durante a apresentação, foram demonstradas as contagens volumétricas da circulação de bicicletas em diversos pontos da cidade. Chamou bastante a atenção dos presentes os elevados números obtidos na Av. Gustavo Paiva, onde foi levantada a contagem de mais de 2.000 ciclistas por hora, e da Av. Siqueira Campos, onde a proporção da contagem de bicicletas e automóveis chega a um para um.


Ao final da apresentação, o representante da SMTT, Sr. José Moura, informou aos presentes que a SMTT encaminhou ao Governo Federal o projeto de construção de ciclovia na Av. Fernandes Lima no último mês de maio e que, provavelmente, em agosto, será apresentado na Casa Civil para ser incluído no PAC da Mobilidade.


Com a fala, a vereadora Heloísa Helena argumentou que acha constrangedor que tenhamos que estar no Ministério Público discutindo algo que é obrigação da Prefeitura [permitir o trânsito seguro de ciclistas pela cidade], mas que os trabalhadores estão morrendo no trânsito e é preciso achar uma solução de curto e longo prazo.


Como as soluções propostas para longo prazo apresentadas pelo Plano de Mobilidade demandam aprovações no orçamento e grande burocracia, os participantes da Bicicletada de Maceió apresentaram soluções mais imediatas para as ruas que estão sofrendo intervenção da SMTT.

A proposta dos participantes da Bicicletada de Maceió é que, toda vez que uma via da cidade venha a receber alguma intervenção da SMTT, como foi o caso da Av. Jatiúca, a bicicleta seja levada em consideração na delimitação dos espaços. Na última reunião, os integrantes da Bicicletada de Maceió cobraram do superintendente Pinto de Luna uma posição sobre o processo no qual sugerem uma ciclovia bidirecional na Av. Jatiúca. O superintende argumentou que as mudanças já foram assimiladas pelos motoristas e, agora, não seria mais possível incluir uma ciclovia naquela avenida.

Então, como tem sido veiculado na mídia que a SMTT pretende realizar mudanças nos sentidos de algumas ruas do bairro do Poço, tornando, por exemplo, a Av. Comendador Leão mão única, os integrantes da Bicicletada de Maceió resolveram se antecipar e apresentaram uma sugestão semelhante àquela apresentada para a Av. Jatiúca.


Tal proposta está embasada em estudo apresentado pelo Worldwatch Institute, já apresentado neste blog e que demonstra que o automóvel é o veículo menos eficiente para o meio urbano, mas que mesmo assim continua a ser privilegiado pelas ações da Prefeitura de Maceió.

Em seguida, os representantes da Associação Alagoana de Ciclismo – AAC sugeriram que sejam convidados para a próxima reunião: o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – DNIT, para tratar da não construção da ciclovia da Av. Menino Marcelo, bem como o Departamento de Estradas e Rodagem – DER e o Instituto do Meio Ambiente – IMA, para tratar da necessidade de ciclovia na duplicação da rodovia AL-101 Sul.


Para finalizar, o promotor Max Martins marcou duas reuniões intermediárias e uma terceira onde serão apresentados os resultados. Ficaram agendadas as seguintes reuniões:

- 01/08/2011 – 9h na SMTT – com a participação de ciclistas e técnicos do órgão para a definição de um cronograma e Plano de Ação por parte da Prefeitura para execução da infraestrutura cicloviária em curto, médio e longo prazo;

- 12/08/2011
– 9h no MPE – com a participação do DER e DNIT para tratar das ciclovias da Av. Menino Marcelo e da duplicação da rodovia AL-101 Sul, sendo aberta a quem quiser participar;

- 29/08/2011
– 9h30 no MPE – com a participação de todos os presentes na reunião do dia 25/07/2011 e nas reuniões subsequentes para dar encaminhamento aos resultados das duas reuniões intermediárias. Esta também aberta a toda a população.

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Na noite do dia 26/07/2011, cerca de 100 ciclistas saíram do Corredor Vera Arruda em direção à Av. Menino Marcelo onde, no último dia 16, a Sra. Adriana da Silva trafegava com sua bicicleta e fora atropelada e morta após a colisão de dois automóveis. Em forma de protesto, os ciclistas bloquearam a via e deitaram no asfalto por cerca de dois minutos.


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Leia também:

- 2ª reunião no Ministério Público

- 1ª reunião no Ministério Público


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Outras notícias referentes ao tema:

- Ciclistas querem ciclofaixa na Avenida Fernandes Lima, em O Jornal: na web ou impresso

- MP realiza hoje mais uma reunião para discutir a implantação de ciclovias em Maceió, em Tv Pajuçara

- Ministério Público discute criação de ciclovias como garantia de segurança, em Tv Gazeta

- Ciclistas vão ao MPE e pedem implantação de ciclovias em Maceió, em Tudo Na Hora

- Ciclistas vão ao MPE para pedir a implantação de ciclovias em Maceió, em TV Pajuçara

- Ciclistas vão às ruas em protesto para pedir punição de motorista, em Tudo Na Hora

- Ciclistas pedalam 10km em protesto a atropelamento de jovem na Serraria, em Gazetaweb

- Ciclistas bloqueiam cruzamento na Serraria em protesto ao atropelamento de jovem, em Tribuna Hoje

- Golf bate em Palio na Via Expressa e mata jovem ciclista que ia ao trabalho, em Tribuna Hoje

- Direito às Ciclovias, por Heloísa Helena

- Caderno Maré, em Gazeta de Alagoas


terça-feira, 26 de julho de 2011

Nunes ²

domingo, 24 de julho de 2011

Nunes


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Paraíso para pedestres

Europa atormenta motoristas em prol de paraíso para pedestres

Cidades europeias como Viena e Paris declaram guerra a carros, que passam a ser proibidos de circular em determinadas áreas

* por Elisabeth Rosenthal


Enquanto as cidades dos Estados Unidos estão sincronizando os faróis verdes para melhorar o fluxo de tráfego e oferecendo aplicativos para ajudar seus motoristas a encontrar vagas para estacionamento, muitas cidades europeias estão fazendo o oposto: criando ambientes declaradamento hostis aos carros. Os métodos variam, mas a missão é clara: tornar o uso do carro algo caro e impossível o suficiente para fazer com que os motoristas optem por meios de transporte mais sustentáveis.

Cidades de Viena a Munique e Copenhagen fecharam muitas de suas ruas para o tráfego de automóveis. Barcelona e Paris tiveram pistas de carro transformadas por populares programas de compartilhamento de bicicletas. Motoristas em Londres e Estocolmo pagam pesadas multas de congestionamento apenas para entrar no coração da cidade. E, ao longo dos últimos dois anos, dezenas de cidades alemãs se juntaram em uma rede nacional de "zonas ambientais", onde somente carros com baixas emissões de dióxido de carbono podem entrar.

Cidades parecidas recebem bem novos shoppings e prédios de apartamentos, mas restringem severamente o número máximo de vagas de estacionamento. O estacionamento na rua está desaparecendo. Nos últimos anos, mesmo capitais antes apaixonadas por carros, como Munique, têm evoluído e se tornado "paraísos" para pedestres, disse Lee Schipper, um engenheiro de pesquisa da Universidade de Stanford que se especializou em transporte sustentável.




Pedestres cruzam rua em Zurique, na Suíça
Foto: The New York Times


"Nos Estados Unidos, sempre houve uma tendência maior a adaptar as cidades para acomodar os carros", disse Peder Jensen, chefe do Grupo de Energia e Transportes da Agência Europeia do Ambiente. "Aqui há mais esforços para tornar as cidades mais habitáveis para as pessoas, criar cidades relativamente livres dos carros”.

Para isso, o Departamento de Planejamento de Trânsito Municipal em Zurique tem trabalhado muitas horas extras nos últimos anos para atormentar os motoristas. Faróis vermelhos param o tráfego em quase todas as esquinas da cidade, causando atrasos e angústia para os motoristas. Passagens de pedestres, que antes permitiam que o tráfego fluísse livremente em cruzamentos importantes, foram removidas. Os motoristas do crescente sistema de bonde elétrico da cidade podem mudar o farol em seu favor à medida que se aproximam, obrigando os carros a parar.

Nos quarteirões que cercam a Lovenplatz, uma das mais movimentadas praças de Zurique, os carros agora já não podem circular. Quando permitidos, sua velocidade foi limitada a de um caracol para que faixas de pedestres e faróis pudessem ser totalmente removidos, dando aos pedestres o direito de atravessar em qualquer lugar que queiram e a qualquer momento.

Ao observar alguns carros tentando passar por uma massa de bicicletas e pedestres, o planejador de tráfego da cidade, Andy Fellmann, sorriu. "Dirigir é uma experiência de interrupta", disse ele. "E nós gostamos disso! Nosso objetivo é reconquistar o espaço público para os pedestres, e não facilitar a vida dos motoristas”.

EUA

Enquanto algumas cidades dos Estados Unidos, como São Francisco, fizeram esforços semelhantes, expandindo ciclovias e criando calçadões apenas para pedestres, elas ainda são a exceção nos Estados Unidos, onde tem sido difícil fazer com que as pessoas imaginem uma vida sem carros, disse Schipper.

Cidades europeias em geral têm mais incentivos para agir. Construídas geralmente antes do advento dos automóveis, suas ruas são estreitas e não lidam bem com o tráfego pesado. O transporte público é geralmente melhor na Europa do que nos EUA, e o combustível muitas vezes custa mais de US$ 8 o galão, contribuindo para custos de condução que são de duas a três vezes maiores por quilômetro do que nos Estados Unidos, disse Schipper.

Além disso, os países da União Europeia provavelmente não teriam como cumprir o compromisso do Protocolo de Kyoto de reduzir suas emissões de dióxido de carbono a menos que reduzam o uso dos carros. Os EUA nunca ratificaram esse acordo.

Globalmente, as emissões geradas pelos transportes continuam em um aumento implacável, com metade delas proveniente de carros particulares. No entanto, um dos principais motivos por trás das reformas no tráfego da Europa pode ser compreendido pelos prefeitos de Los Angeles a Viena: tornar as cidades mais convidativas, com um ar mais limpo e menos tráfego.

Michael Kodransky, gerente de pesquisa global do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento, em Nova York, que trabalha com cidades para reduzir as emissões dos transportes, disse que a Europa anteriormente estava "no mesmo caminho que os Estados Unidos, com mais pessoas querendo seu próprio carro”. Mas na última década houve "uma mudança consciente no pensamento e na política", disse ele. E isso está tendo um efeito.

Após duas décadas atrás do volante de seu próprio carro, Hans Von Matt, 52 anos, que trabalha no setor de seguros, vendeu seu veículo e agora circula por Zurique de bonde elétrico ou bicicleta, usando um serviço de compartilhamento de carros para viagens para fora da cidade. Famílias sem carro aumentaram de 40% a 45% na última década, e os proprietários de automóveis utilizam os seus veículos menos, mostram as estatísticas da cidade.




Limmatquai, zona destinada exclusivamente para pedestres,
ao longo do Rio Limmat, em Zurique, Suíça
Foto: The New York Times


"Houve grandes debates sobre o assunto, mas a decisão foi tomada e as pessoas se acostumaram com ela", disse ele, descendo de sua bicicleta na margem do Rio Limmat, uma zona de pedestres cheia de cafés e bares que antes costumavam ser duas pistas de trânsito. O fechamento de ruas principais tem de ser aprovado em um referendo.

Hoje 91% dos delegados do Parlamento suíço usam o bonde elétrico para chegar ao trabalho. Ainda assim, há reclamações. "Há todas essas zonas onde você só pode dirigir a 20 ou 30 quilômetros por hora e isso é bastante estressante", disse o consultor Thomas Rickli, ao estacionar seu Jaguar em uma vaga na periferia da cidade. "É inútil".

Planejadores urbanos em geral concordam que um aumento no uso de carros não é desejável para qualquer cidade. Fellmann calculou que uma pessoa usando um carro ocupa 115 metros cúbicos de espaço urbano em Zurique, enquanto um pedestre ocupa três. "Então não é realmente justo com os outros se você tem um carro", disse ele.

As cidades europeias também perceberam que não conseguiriam atender diretrizes cada vez mais rígidas da Organização Mundial de Saúde para evitar a poluição do ar se os carros continuassem a reinar. Muitas cidades dos Estados Unidos também não conseguirão cumprir os requisitos do Ato Ar Limpo, mas esse fato "é aceito aqui", disse Kodransky.

Muitas vezes são necessárias medidas extremas para que as pessoas abandonem seus carros e proporcionar um bom transporte público é um passo fundamental. Uma nova estratégia adotada na Europa está intencionalmente tornando mais difícil e mais caro estacionar. "Estacionamento é encontrado facilmente e em a toda parte nos Estados Unidos, mas ele desapareceu do espaço urbano da Europa", disse Kodransky, que abordou a mudança em um relatório recente.

O Sihl City, um novo shopping de Zurique, é três vezes do tamanho do Atlantic Mall do Brooklyn, mas tem apenas metade do número de vagas de estacionamento. Como resultado, 70% dos visitantes usam o transporte público, disse Kodransky.

Em Copenhague, Dinamarca, Jensen, da Agência Europeia do Ambiente, disse que seu prédio tinha mais de 150 espaços para as bicicletas e apenas um para carro, para acomodar uma pessoa com deficiência.

Embora muitos códigos de construção da Europa limitem o número de vagas de estacionamento em edifícios novos para desencorajar o uso de carros, códigos americanos inversamente tendem a estipular um número mínimo. Complexos de apartamentos novos construídos ao longo da linha de metrô de Denver dedicam os dois últimos oito andares ao estacionamento, fazendo com que seja "muito fácil" entrar no carro ao invés de usar o transporte público, disse Kodransky.

Enquanto o prefeito de Nova York, Michael R. Bloomberg, gerou controvérsia na cidade ao "pedestrializar" algumas áreas como a Times Square, muitas cidades europeias têm progressivamente fechado vastas áreas para o tráfego de automóveis. Proprietários de lojas em Zurique temiam que o fechamento significaria uma queda nos negócios, mas o medo se mostrou infundado, disse Fellmann, porque o tráfego de pedestres aumentou de 30% a 40% onde os carros foram proibidos.

Com políticos e a maioria dos cidadãos ainda em grande parte atrás deles, os planejadores de Zurique continuam sua busca por domar o tráfego, encurtando o tempo dos faróis verdes e prolongando os vermelhos, para que os pedestres não esperem mais de 20 segundos para atravessar. "Nós nunca iríamos sincronizar luzes verdes para os carros com a nossa filosofia", disse Pio Marzolini, um oficial da cidade. "Quando estou em outras cidades, sinto que estou sempre à espera para atravessar a rua. Eu não consigo me acostumar com a ideia de que eu valho menos do que um carro”.

Fonte: IG