Have an account?

domingo, 28 de março de 2010

Bicicleta tem que ser "cool", diz pesquisadora

Flávia de Souza, pesquisadora da Coppe/UFRJ, acredita que o Rio de Janeiro tem potencial para aumentar o número de ciclistas. “O carioca não tem tanto preconceito, não vê a bicicleta como transporte de pobre, como acontece em outras regiões. Acho que podem ser feitas promoções com artistas, por exemplo, para quebrar aqueles que ainda têm o estigma. A bicicleta tem que ser vista como um transporte ‘cool’ e acho que isso já está na veia do carioca, basta incentivo”, diz.

Leia matéria completa no G1:



sábado, 27 de março de 2010

Três "Isabelas Nardoni" em uma semana

Na última terça-feira (23), foi noticiado pela TV Gazeta de Alagoas o atropelamento e morte da estudante Jeane Silva Feitosa, de 13 anos, num povoado próximo a Limoeiro de Anadia.
-
-
Na mesma semana, no sábado (27), também foi noticiado pela TV Gazeta de Alagoas o atropelamento e morte das primas Mykaelle Alencar, de 11 anos e, Bruna Mirela, de 9 anos, em Santana do Ipanema.
-
-
As notícias não foram transmitidas em rede nacional, apenas em dois videos, de cerca de dois minutos, nos jornais locais de Alagoas.
-
Enquanto isso, os brasileiros estão entretidos em saber se foram mesmo o pai e a madrasta de Isabela Nardoni que a mataram. Apegaram-se tanto ao caso, que as emissoras de TV, percebendo o Ibope que estão conseguindo, passam o dia inteiro transmitindo flashes, ao vivo, do julgamento. Detalhes como um espirro dado pelo juiz ou saber se algum jurado se ausentou para ir ao banheiro devem interessar bastante à opinião pública.
-
Enquanto os brasileiros estão ansiosos para saber o desfecho desse caso pontual, milhares de crianças continuarão morrendo nas estradas e no trânsito de nossas cidades. Todos os anos, cerca de 30 mil brasileiros são mortos em "acidentes" de trânsito.
-
Desde quando substituimos nossas ferrovias por rodovias e, desde que o automóvel foi introduzido em nossas cidades (há pouco mais de 100 anos), nossas vidas estão a mercê da (ir)responsabilidade daqueles que conduzem os veículos. Uma manobra mal-feita, uma simples distração ou alguns copos de cerveja antes de dirigir podem tirar a vida de pessoas inocentes que não faziam nada de mais, apenas caminhavam por aí.
-
Se o motorista que assassinou Jeane Feitosa for encontrado, talvez venha a ser preso. Talvez o mesmo possa acontecer com o motorista que assassinou as primas Mykaelle e Bruna. Mas, e aí? A prisão dos assassinos trará as meninas de volta para seus pais? Ou, pelo menos, servirá de exemplo para que outros motoristas não façam o mesmo?
-
A sociedade adora achar culpados. Depois que a m**** está feita, querem saber de quem foi a culpa. É capaz até de culparem um pedestre por sua morte, alegando que este deveria ter atravessado na faixa de pedestre e, como não o fez, tem de pagar com a morte.
-
Sempre buscamos analisar as consequências dos problemas, quando deveriamos analisar as causas. Será que os culpados por tudo isso não somos nós mesmos, que aceitamos que essa matança continue acontecendo debaixo de nossos olhos? Até quando aceitaremos essa guerra silenciosa onde qualquer um de nós poderá ser o próximo vencido?



http://www.tudonahora.com.br/noticia/interior/2010/03/23/89313/moradores-bloqueiam-trecho-da-al-220-e-transito-fica-congestionado

http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Interior&vCod=82357

http://www.tudonahora.com.br/noticia/interior/2010/03/27/89787/cacamba-invade-canteiro-e-mata-duas-criancas

http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Interior&vCod=82553

Março de 2010

A última Bicicletada de Maceió contou com 17 participantes, por enquanto a maior do ano. Porém a panfletagem não foi tão efetiva por conta da chuva, que molhava os panfletos em nossas mãos.

Mais ainda assim o resultado foi positivo, tendo em vista o aumento no número de cicloativos, que através do nosso trabalho de divulgação e conscientização tende a crescer nos próximos meses



http://www.ciclistasdemaceio.com/fotos/view/2#5453127480169667265/1

sexta-feira, 26 de março de 2010

Minc defende transporte coletivo para diminuir poluição

Nas áreas urbanas do País, o número de pessoas que se desloca em ônibus e vans é igual ao de usuários de carros e motocicletas. Reflexo da precariedade do sistema de transporte coletivo, a utilização dos chamados meios individuais tem forte impacto ambiental, uma vez que estes poluem mais o ar, por serem mais numerosos. A informação consta do 1º Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, lançado hoje, no Rio, pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

A frota brasileira de ônibus é estimada hoje em 315 mil; a de veículos comerciais leves (vans e picapes), em 4,3 milhões; a de automóveis, em 21,1 milhões; e a de motos, em 9,2 milhões. No total, são 36 milhões de veículos automotores rodoviários. O levantamento, que deverá ser atualizado periodicamente, é importante porque possibilita que seja dimensionado o desafio de melhorar a qualidade no ar, em especial nas grandes cidades, por meio de políticas públicas.

Para se ter uma ideia dos danos causados pelos veículos individuais, eles são responsáveis por 87% das emissões de CO (um dos poluentes mais prejudiciais à saúde), enquanto os coletivos respondem por 3%, conforme explicou o gerente de Qualidade do Ar do ministério, Rudolf Noronha.

Segundo apontou o inventário, o volume de viagens feitas em transporte coletivo, seja para o trabalho, estudos ou lazer, é de 17 bilhões por ano, número equivalente às feitas de carro e moto. "Foi um dado que chamou a atenção. Em nenhum País é assim. Isso mostra a deficiência do transporte público. O número de pessoas transportadas é o mesmo, mas a emissão de carros e motos é 40 vezes superior à emissão dos ônibus", disse Minc.

Como medidas para tentar reverter o problema, ele citou o licenciamento de ferrovias, do trem bala e de metrô. "Também decidimos não fazer hidrelétricas sem hidrovias." De acordo com uma projeção, o número de motos aumentará cinco vezes de 2004 a 2020, passando de 4 milhões para 20 milhões no período. Apesar do aumento anual da frota, as emissões de poluentes como monóxido de carbono (CO) vêm caindo. Já as de dióxido de carbono (CO2) têm aumentado. "Temos que avançar mais no biocombustível", disse Minc.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Calendario CicloBR

Como NUS sentimos

Pode parecer difícil e incoerente a associação do nu ao ato de pedalar, mas aqueles que pedalam todos os dias em qualquer metrópole do mundo conseguem captar com facilidade a mensagem que pretendemos passar.Enquanto os motoristas se sentem “protegidos” dentro das suas carruagens de metal, os ciclistas estão nus, sem nenhuma proteção, dependendo apenas da vontade dos motoristas em protegê-los ou não.

Chega a ser discrepante e incoerente a absurda quantia que a indústria automobilística investe para garantir a segurança dos seus clientes, sem importar a velocidade que eles se encontrem, criando verdadeiros tanques de guerra urbanos, onde quem está dentro está protegido, já quem vive fora da bolha...

Enquanto alguns comerciais automotivos exaltam e estimulam a velocidade de seus carros, pedestres e ciclistas perdem a vida diariamente em acidentes de trânsito, que só em São Paulo ceifam a vida de 1500 pessoas por ano. Desses apenas 18% dos mortos são motoristas e passageiros.

Pedalar nu é um ato de protesto que busca chamar a atenção da fragilidade do ciclista no trânsito, além de motivar a sociedade a debater o mal uso do carro nos centros urbanos. Esse ato é realizado anualmente em várias cidades ao redor do mundo na manifestação batizada como WNBR (World Naked Bike Ride). A história começou em Zaragoza na Espanha em 2002 e hoje acontece em mais de 200 cidades pelo mundo. No Brasil a primeira edição expressiva ocorreu em 2008, reunindo cerca de 500 ciclistas e teve até repercussão mundial.

Quando surgiu a idéia da criação do Calendário CicloBR, o ato de posar nu tomou conta dos envolvidos como um “inconsciente coletivo”. Naturalmente ficou decidido que todos os modelos posariam nus, o que motivou 20 voluntários a posarem pela causa. Dentre os modelos alguns ilustres anônimos cicloativistas que já realizaram diversas ações pela causa, além de alguns ciclistas já bastante conhecido no nosso meio, como a Jornalista Renata Falzoni, a ex jogadora de Volei Ida e a SubPrefeita Soninha Francine.

Esses 20 modelos motivaram a criação de 2 calendários mistos que serão lançados oficialmente no dia 28 de fevereiro de 2010, durante o Festival CicloBR. Particularidades: Todos os 20 modelos são ciclistas urbanos e doaram suas imagens para o Instituto CicloBR preparar o seu calendário. Todos os envolvidos no projeto, Fotógrafos, produção, arte-finalistas, todos são ciclistas e também trabalharam como voluntários no projeto abrindo mão de qualquer quantia.

Todos os valores arrecadados com a venda do Calendário serão revertidos para o Instituto CicloBR, que serão aplicados em projetos do Instituto e na manutenção do mesmo.Maiores informações sobre o calendário, mande um email para ciclobr@ciclobr.com.br.
Link das Fotos do Calendário

Fonte: Site do INSTITUTO CICLOBR

Ciclista aposenta bicicleta de madeira, apos 27 anos e 1,2 milhões de quilômetros

Osvaldo de Souza, de 64 anos, rodou 11 Estados brasileiros e mais três países, e agora pretende escrever dois livros

Depois de percorrer Argentina, Paraguai, Chile e 11 Estados do Brasil em uma bicicleta de madeira, o ex-padeiro Osvaldo Soares de Souza, 64 anos, decidiu encostar sua companheira de estrada.

Na viagem de despedida, passou dois dias pela cidade de Governador Valadares (MG), onde procurou peças para sua engenhoca e pediu, à Câmara e à prefeitura, declarações para comprovar que esteve mesmo na cidade a bordo de sua MadeBike, construída por ele mesmo em 1982. Souza carrega consigo três pastas com fotos, recortes de jornais e declarações de autoridades de todas as cidades por onde passou de bicicleta.

- Muita gente não acredita que consiga rodar tanto com ela.

A bicicleta tem um diferencial: apenas com o giro dos pedais, gera energia para carregar o telefone celular e acender os faróis. Essa energia, segundo o ciclista, é gerada por uma peça chamada dínamo, com 20 watts de potência.

O sonho de rodar o mundo a bordo de uma bicicleta, contou Souza, o acompanha desde os 12 anos, quando diz que montou sozinho a primeira delas. Nascido em Jequié (BA), ele chegou a modelos mais complexos e começou a rodar o mundo. Em 1982, ele criou a primeira versão da MadeBike, exemplar com o qual visitou a Argentina e o Chile, no ano seguinte.

O viajante assegura que, usando duas diferentes bicicleta de madeira, rodou cerca de 1,2 milhão de quilômetros.

- Juntando todos os locais que já percorri, rodei cerca de 1,2 milhão de quilômetros em duas bicicletas. No total, foram 15.320 dias e 42 anos de minha vida pedalando. Passei minha vida nas estradas. Sou um solitário a bordo de uma bicicleta que eu mesmo inventei e construí. Tinha o sonho de conhecer a América do Sul e consegui realizá-lo sem pagar passagem.

Seu próximo desafio, conta, será condensar sua história em dois livros, que chamará de América do Sul em Bicicleta e Solitário do Pedal.

Fonte: Portal R7

quarta-feira, 24 de março de 2010

O carro: pane de libido?

por Pascal Bruckner*

São milhares de carcaças novas que, por toda a Europa e Estados Unidos, formam filas nos pátios, sob galpões, e esperam em vão por um comprador. Em nada lembram os clássicos cemitérios de carros, com seus montes de latarias amassadas, de chassis danificados apodrecendo em um terreno baldio, como o mítico Cadillac Ranch na Route 66 nos Estados Unidos, monolitos de metal pintados de forma grotesca, enfiados na areia do deserto californiano. Estes testemunhavam a vitalidade de uma indústria que largava atrás de si seus dejetos.

Os cemitérios de hoje vivem uma pane do sistema. A crise acelera uma aversão crescente pelo automóvel. Os glutões 4 x 4 são denunciados nos Estados Unidos pelos grupos evangélicos que veem neles símbolos de uma arrogância contrária aos ensinamentos de Cristo! Em toda parte os grandes fabricantes fecham usinas, reduzem a produção, declaram falência, demitem a torto e a direito. Fim de um objeto de fetiche que foi herói do século XX e criou em sua esteira tantas obras-primas, pequenas maravilhas da mecânica.

As mudanças na demografia anulam o direito à mobilidade. Tão maravilhoso quanto reservado a uma minoria, o carro, uma vez popularizado, se transforma em pesadelo, tornando cada motorista em prisioneiro de seu veículo, além de ser dispendioso. Fim da rapidez, da generalização do engarrafamento, do acidente como mostram tantas obras literárias ou cinematográficas.

Alienação e inércia

O escritor Roberto Calasso bem disse: "A democracia é o acesso de todos a bens que não existem mais". Acrescente a esse descrédito o encarecimento dos custos do petróleo e sobretudo a acusação feita pelo discurso ecológico sobre essa indústria, poluente e incômoda. Antes símbolo de liberdade, o carro se tornou símbolo de alienação e inércia. A máquina que devorava o espaço se afundou em uma coagulação generalizada. O maravilhoso automóvel se transformou em banheira, lixeira barulhenta da qual fugimos horrorizados.

Não se trata de um simples regime ou dieta provisória antes de retomar a orgia: é realmente a conclusão de um ciclo. Claro, sempre se fabricarão carros, mas limpos, elétricos, pequenos, que não emitam nenhum gás carbônico, e recarregáveis na tomada.

A Califórnia comercializa há alguns anos o Tesla Roadster, um conversível limpo, escolhido pelos astros, e o prefeito Bertrand Delanoë logo lançará em Paris um sistema Autolib' nos mesmos moldes do Vélib': pequenos veículos elétricos que podem ser alugados por hora ou por dia. Seremos todos "ecocidadãos responsáveis", pegaremos o ônibus, o bonde, o metrô, pararemos de financiar, por meio de nossa gana por petróleo, as ditaduras sanguinárias ou os regimes opressores.

Mas como é um carro que não é nem chamativo, nem poluente, nem barulhento? Um meio de transporte, não um objeto de desejo. A ecologia tem razão, e é por isso que ela nunca suscitará o entusiasmo, uma vez que suas palavras de ordem são economia, privação e precaução. Fim da ostentação dos carrões que esmagavam com seu luxo a multidão de pedestres; fim das façanhas dos amantes de velocidade que brincavam de acelerações vertiginosas e flertavam com a morte a cada curva.

As acusações de Ivan Ilitch, André Gorz ou René Dumont em nada o afetaram. Foi preciso uma deserção global para que o sonho automobilístico perdesse seu encanto e que as vendas despencassem. Mas nunca se mata uma paixão sem antes substituí-la por outra. Nossas reluzentes máquinas já são substituídas pelos laptops, os computadores que respondem ao duplo princípio de independência e locomoção: estamos em todos os lugares sem sair de casa, ligados a todos sem estar com ninguém. No lugar dos monstros consumidores de energia, telas ultraplanas de funções múltiplas, em uma ferramenta de algumas centenas de gramas. É um novo paradigma que mexe com o indivíduo contemporâneo em uma era inédita de autossuficiência e mobilidade.
Não é o mercado que agoniza, é uma forma ultrapassada de capitalismo que desaparece porque deixou de ser desejável.

*Pascal Bruckner é escritor e ensaísta
Fonte: http://www.tirodeletra.com.br