O Instituto do Meio Ambiente (IMA) já tem tudo pronto para a quinta edição do Passeio Ciclístico, que este ano acontecerá no dia 5 de junho, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. O evento tem concentração marcada para as 8h, na Quadra Poliesportiva do Pontal da Barra, próximo ao Detran, de onde os ciclistas partirão em direção à Praça do Gogó da Ema, em frente ao antigo Clube Alagoinha, na Ponta Verde.
Os participantes receberão kits com camiseta, boné, mochila e garrafa d’água. Eles também serão acompanhados por equipes do IMA, que prestarão assistência durante todo o trajeto. Além disso, no final do passeio ciclístico, também haverá o sorteio de prêmios. As inscrições começam a partir de hoje e poderão ser feitas até o dia quatro de junho, nos pontos de apoio ou, no dia do passeio, na Quadra Poliesportiva do Pontal da Barra.
Os interessados devem comparecer com RG e 1Kg de alimento não perecível nos seguintes pontos:
· Sede do IMA, no Mutange · Hiper Bompreço na Gruta de Lourdes, Burque de Macedo e Jatiúca; · Stop Bike, no Jacintinho; · Master Bike e Samciclo na Jatiúca; · MB Bicicletas, na Praça do Pirulito; · Slallon, na Ponta Verde; · Leo Peças; no Jardim Petrópolis II; · BTJ Bike, no Conjunto Santo Eduardo e · Dé Bike, no Conjunto Cleto Marques Luz.
Nós, participantes da Bicicletada de Maceió, vamos nos encontrar no Guaraná 24 h (ao lado da pizzaria Carlito), na Ponta Verde, às 7h. De lá, seguiremos juntos até o Pontal para participar do passeio do IMA.
Viajar de bicicleta proporciona momentos prazerosos também durante o caminho
Andar de bicicleta, além de saudável, divertido e benéfico para o meio ambiente, ainda pode ser uma excelente maneira de conhecer novos lugares. Carros, aviões, ônibus e trens lançam toneladas de gases poluentes na atmosfera. Por isso, da próxima vez que for arrumar suas malas rumo ao seu destino de férias, pense bem, se programe e vá pedalando!
Claro que de bicicleta você não irá tão longe nem tão rápido como se estivesse indo com um meio de transporte convencional. Mas se você se planejar corretamente, suas férias sob duas rodas não-motorizadas podem ser tão, ou até mais memoráveis que qualquer outra viagem.
Caso você não esteja em forma, essa é uma boa oportunidade para se motivar. Pequenos treinos semanais e uma consulta com seu médico são o suficiente para iniciar a preparação para a viagem.
Seguindo essas dicas fica fácil aproveitar a viagem e transformar a sua bike em uma companheira de estrada!
Faça um itinerário
Esse é o começo de tudo. É a partir daí que você irá organizar seu tempo, os locais que irá percorrer, as paradas no meio do caminho etc. Calcule quantos quilômetros você consegue pedalar confortavelmente em um dia e quais cidades podem servir de hospedaria em cada noite de sua viagem. Não esqueça do mapa da região e, se puder, leve um aparelho de GPS.
Não corra
Não precisa pedalar desesperadamente para chegar ao seu destino. Não esqueça que isso não é uma competição e que seu objetivo é curtir o lugar e aproveitar o momento. Portanto, se você está indo do Rio de Janeiro (RJ) com destino a Santos (SP), tenha em mente que sua viagem é todo o caminho que te leva até lá, e não a praia paulista, propriamente dita.
Aproveite o percurso
Uma das vantagens em viajar de bicicleta é o fato de poder estar em maior contato com as pessoas e as culturas daquela região. Mesmo tendo um itinerário a ser cumprido, pare se for o caso, para um dedo de prosa com um nativo de alguma cidadezinha perdida no meio do caminho. São esses momentos que tornarão suas férias inesquecíveis.
Não deixe de dar notícias
Essa é uma das melhores formas de se manter protegido, mesmo que a distância. Nunca se sabe o que pode acontecer a um ciclista que parte em busca de aventura nas estradas do país e do mundo. Por isso, mantenha sua família e amigos informados de sua situação geográfica e de saúde, seja para tranqüilizá-los, seja para que alguém saiba onde você está (o que poderá ser bastante útil em caso de emergência).
Não viaje sozinho
Pedalar em dupla ou em grupo é muito mais seguro e divertido do que pedalar sozinho. Portanto, procurem alguém que queria dividir essa experiência com você e caia na estrada.
Leve dinheiro suficiente
Faça as contas antes de sair de casa do quanto você irá precisar levar para se manter durante toda a viagem. Leve apenas o necessário. Dinheiro demais pode atrair pessoas mal-intencionadas. Também dê preferência a cartões de débitos a dinheiro vivo.
Leve apenas o necessário
Uma viagem de bike pode ser uma grande oportunidade de percebermos o que realmente é necessário em nossa mala e o que é peso inútil em nossas vidas. Livre-se do que não for fundamental.
Fique atento aos sinais de seu corpo
Um grande percurso de bicicleta pode ser demais para algumas pessoas que não conseguiram se preparar o suficiente. Portanto, não deixe passar em branco os sinais do seu corpo e respeite seus limites. Lembre-se que isso não é um teste de resistência.
Justiça condena Prefeitura de Maceió e SMTT a fazer licitação dos ônibus
Em decisão publicada agora à tarde, a juíza substituta da 14ª Vara Cível da Capital, Soraya Maranhão, estabeleceu o prazo de 60 dias para que a Prefeitura de Maceió deflagre a licitação do transporte coletivo de Maceió.
Todo o procedimento deve estar concluído em, no máximo, seis meses. A decisão é em julgamento do mérito de Ação impetrada pelo Ministério Público Estadual.
Numa sentença de conteúdo contundente, a magistrada considerou que o projeto em tramitação na Câmara de Vereadores não impede a realização da concorrência.
Ela diz no texto: ”Não se pode conceber que o interesse público continue a mercê de subjetivismos que só criam privilégios para particulares. Repito, A LICITAÇÃO É UM DEVER, por isso não adianta, através de malabarismos legislativos, continuar “empurrando com a barriga” uma obrigação imposta pelo Constituinte de 88 aos administradores da coisa pública”.
O prazo para o cumprimento da sentença é “improrrogável” e seu descumprimento implicará em pagamento de multas diárias no valor de R$ 100 mil para cada litisconsorte passivo – Prefeitura e SMTT.
A Prefeitura e a SMTT também ficam obrigadas a “somente proceder à abertura de novas linhas de transporte coletivo observado o regular procedimento licitatório”.
A juíza da Vara da Fazenda Municipal encaminhou cópias da sua decisão ao Ministério Público Estadual, para apuração de eventual ato de improbidade administrativa por parte dos gestores públicos, e ao Tribunal de Contas, para avaliação de prejuízos ao erário – em ambos os casos se houver descumprimento da decisão judicial.
No último domingo (15), foi implantada a mudança no trânsito da Av. Júlio Marques Luz (mais conhecida como Av. Jatiúca), que deixou de ter mão dupla e passou a ter o sentido único praia/Centro.
Implantação do sentido único na Av. Jatiúca
Com a mudança, a SMTT acredita que melhorará a circulação de automóveis na região, uma vez que, aparentemente, os carros terão duas faixas para circular. Na realidade, não foi criado mais espaço para os automóveis. Houve apenas uma segregação, utilizando ruas paralelas com sentidos inversos entre si, o que a Prefeitura de Maceió costuma chamar de “binário”.
Tal ideia surge do pensamento rodoviarista (o mesmo utilizado na concepção de Brasília) que entende que o trânsito de automóveis deve fluir ininterruptamente pela cidade, com a busca constante da eliminação de cruzamentos, imaginando que a cidade funciona tal qual o sistema circulatório dos seres humanos e que tem que estar constantemente em movimento.
Intervenções semelhantes já foram adotadas em outros locais da cidade, como a Av. João Davino / Av. Álvaro Calheiros (na Jatiúca), recentemente, e a Av. Tomás Espíndola / R. Comendador Palmeira (no bairro o Farol), não tão recente. No caso mais antigo, já se pode observar a ineficácia da solução no médio prazo, apresentando congestionamentos diários nos horários de pico.
Congestionamento diário na Av. Tomás Espíndola (antes mão dupla, hoje mão única)
Tal solução busca favorecer preferencialmente o tráfego de automóveis e desconsidera pedestres, ciclistas e usuários de transporte coletivo, sendo estes vistos como empecilhos à “boa fluidez” do trânsito. Pedestres passam a ter mais dificuldade para atravessar essas ruas, que se tornam verdadeiras pistas de corrida, com o constante desrespeito aos limites de velocidade. Usuários de ônibus não têm mais os pontos de parada concentrados numa única avenida e precisam se deslocar um ou vários quarteirões.
Quanto às bicicletas, o assessor especial de trânsito da SMTT diz que, apesar de não terem ainda uma solução concreta, que dependerá de discussão interna na SMTT (sabe-se lá por quanto tempo), o objetivo é de “induzir o ciclista a não trafegar nessa via”. Como assim “não trafegar nessa via”?! E como o ciclista chega a alguma residência ou estabelecimento comercial localizado na Av. Jatiúca?
Recentemente, tem sido veiculada na TV, uma propaganda da SMTT oferecendo “dicas” de segurança para os ciclistas:
O vídeo esquece de dar as mesmas dicas para os motoristas, que são os que colidem com o ciclista e, muitas vezes, provocam sua morte, lembrando o que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro:
"Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres." (Art. 29, inciso XII, §2º do CTB)
Na vinheta, é dito para os ciclistas não trafegarem na contramão e, por uma falha, aparece uma mão impedindo a passagem do ciclista no exato momento em que o narrador fala “nunca pedale na contramão”, enquanto ele pedalava no sentido correto.
NA CONTRAMÃO
A questão da contramão ainda é um pouco controvérsia. Muitos ciclistas costumam trafegar no lado esquerdo da via por acreditarem que, conseguindo ver os veículos de frente, terão mais segurança. Um engano que deveria ser explicado pelas campanhas educativas em vez de simplesmente dizer “não faça”, sem explicar o porquê.
O perigo de se trafegar no lado esquerdo da via pode ser explicado pela Física:
a) Se um ciclista trafega pelo lado direito da via (no mesmo sentido dos carros) a 20 km/h e é ultrapassado por um carro que segue a 60 km/h, o somatório de velocidade dos dois é de 40 km/h. Ou seja, o ciclista está mais lento em relação ao motorista do que todos os postes, placas, árvores e a própria noção que o motorista tem da sua velocidade;
b) Se um ciclista trafega pelo lado esquerdo da via (no sentido oposto aos carros) a 20 km/h e é ultrapassado por um carro que segue a 60 km/h, o somatório de velocidade dos dois é de 80 km/h. Com isso, o motorista tomará um verdadeiro susto ao avistar o ciclista, que virá na sua direção mais rápido do que a noção de velocidade que ele tinha ao observar postes, placas, árvores e tudo mais que passava.
Sendo assim, mesmo sendo aterrorizante sentir um carro passando em alta velocidade a poucos centímetros do guidão da bicicleta, ainda é menos perigoso do que se você estiver indo de encontro a ele.
Porém, numa intervenção como a que foi realizada na Av. Jatiúca, que a transformou em mão-única, o ciclista pode/deve continuar circulando pelo lado direito da via? Como já explicamos, tal situação traria grande perigo ao ciclista. Mas então o ciclista terá que pedalar até a Av. Amélia Rosa (como foi sugerido aos motoristas) para seguir no sentido Centro/praia?
Provavelmente não é o que acontecerá na prática e, enquanto a SMTT não concluir suas “discussões internas”, muitos ciclistas poderão morrer na Av. Jatiúca, já que a via já foi aberta ao tráfego sem que lhes fosse apresentada uma solução satisfatória.
Para contribuir com a “discussão interna” da SMTT, apresentamos uma solução que foi encontrada na cidade de Quito, capital do Equador, para o trânsito bidirecional de bicicletas em uma via de mão única.
Como a Av. Jatiúca ficou com quatro faixas (sendo duas para tráfego e duas para estacionamento), depois da intervenção, sugerimos que a faixa de estacionamento da esquerda seja transformada em ciclofaixa, tal qual o exemplo de Quito. Também sugerimos que sejam instaladas barreiras, rentes ao meio-fio, para evitar que os motoristas estacionem seus automóveis em cima do passeio público, como é muito comum encontrar na Av. Jatíuca. As imagens abaixo mostram o uso dessas barreiras em ruas de Paris e que são muito comuns em diversas cidades europeias.
Se a SMTT vier a implantar tais sugestões, agradará bastante os pedestres e causará grande revolta nos motoristas que estão sempre demandando mais e mais espaço para estacionarem suas banheiras. Mas é isso que as cidades dos países desenvolvidos estão fazendo: restringindo cada vez mais o espaço dos carros para que, assim, seu uso possa ser desestimulado.
Acreditamos que uma intervenção “pró-bicicletas” nessa avenida serviria de modelo para futuras intervenções em outras ruas e avenidas da cidade. Como não temos mais notícias do Plano dos transportes não motorizados (que vinha sendo desenvolvido pela Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Maceió), acreditamos que, se formos construindo de pouquinho em pouquinho as intervenções em cada rua da cidade, um dia teremos o todo que seria proposto pelo Plano. Mas se não há “Plano dos transportes motorizados” para que intervenções como essa da Av. Jatiúca seja feita, por que temos que esperar a elaboração do “Plano dos transportes não motorizados”?
Está na hora de mudar. Está na hora da SMTT parar de pedalar na contramão.
* publicado no Blog do Vilar (10h01, 14 de maio de 2011)
Um dos representantes do movimento Bicicletada, em Maceió, fez um contraponto interessante ao protesto “Ninguém Aguenta Mais”, que reuniu diversas autoridades e entidades na orla de Maceió para protestar contra os altos preços dos combustíveis. Claro que preços extorsivos têm que ser combatidos, pois ferem o consumidor. Não só da gasolina, mas de qualquer item de primeira necessidade. Ainda mais quando se trata da gasolina, que é um fator que acaba determinado o preço de várias outras mercadorias, em função dos transportes de cargas por vias terrestres e os – consequentes – fretes!
Daniel Moura – o representante do movimento que citei acima - não é contra nada disso. Apenas acha abusivo o estardalhaço envolvendo autoridades e mídia. Estardalhaço este – coloca Moura (da Bicicletada) – que não se vê, por exemplo, para se investigar as empresas de transporte público municipal, que não se vê quando aumenta a tarifa do ônibus e em outros casos, onde pagamos por itens de primeira necessidade, que não possuem seus aumentos abusivos justificados.
O protesto ganha força – na visão de Moura – porque atinge uma classe privilegiada: a dos motoristas e seus possantes. “Querem baixar o preço da gasolina e assim usarem mais carros, mas não atentam para que um dos grandes problemas do trânsito nas cidades grandes é justamente o automóvel. Esquecem de investir em alternativas, como o transporte público de qualidade, de mostrar a bicicleta como alternativa. O que questiono é que não é visto o mesmo esforço empregado em outras causas, como a tarifa que pagamos nos ônibus, como a cobrança do processo licitatório para o transporte público municipal que ainda espera e não sai do papel”, salienta Daniel Moura, em contraponto ao protesto.
Não se trata – na visão dele - de ser contra, afinal como já destacado o preço é abusivo mesmo. Mas se vê, conforme Moura, uma excessiva mobilização da classe política, que não se vê em outros temas de igual ou maior importância. “É preciso que se tenha o mesmo ânimo para discutir o investimento em outras formas de deslocamento, incentivando melhorias na logística da cidade, do transporte e do trânsito, pensando no ciclista, no pedestre, no usuário do transporte coletivo...”, detalha o representante da bicicletada.
Resolvi ouvir Daniel Moura e dar este espaço a suas reflexões, porque acho que é um contraponto de fato interessante que pode gerar uma discussão sadia, em benefício de todos. Estamos – afinal de contas – criando cidades para os automóveis; as vias públicas não são mais das pessoas, mas sim das máquinas. E – quanto mais a cidade cresce – mais o conceito de melhoria de trânsito é abrir novas vias, criar veias no emaranhado da selva de pedra para o deslocamento rápido dos possantes, esquecendo discussões paralelas que já avançam em outros países, mas adormecem por aqui.
Opções como o VLT – caso se torne um dia, quem sabe, uma realidade! – dentre outras, incluindo a própria bicicleta, são válidas. O nosso Plano Diretor, por exemplo, parece ter esquecido do passeio público para os pedestres. É interessante quando uma discussão puxa a outra, pois o tema da gasolina é sim relevante e – minha opinião – deve sim ser reconhecido o esforço de determinadas autoridades para esclarecer o porque de pagarmos tão caro pelo combustível. Porém, há outros temas que podem ser puxados pelo novelo da temática; e que se tivermos coragem para refletir, teremos em mãos uma boa oportunidade. O movimento da bicicletada está na internet para quem queira conhecer mais: www.bicicletada.org
A elite maceioense está indignada com o preço que a gasolina tem sido vendida nos últimos dias nos postos da cidade. É raro encontrar um posto que ainda venda a gasolina abaixo de R$ 3,00, o que era comum há pelo menos um mês. Dentre os motivos apresentados pelos donos de postos está a alta carga tributária que incide sobre os combustíveis e o período de entressafra das usinas de açúcar do estado, já que há um percentual de álcool na composição da gasolina.
Apesar de Alagoas ser um estado conhecido pela monocultura da cana-de-açúcar, o preço do etanol já não compensava há bastante tempo, pois as usinas consideram mais lucrativo vender açúcar no mercado externo a produzir álcool para ser consumido no próprio estado.
Na semana passada, um protesto organizado por motoristas propunha passar, de posto em posto, em carreata pela cidade, abastecendo a quantia de R$ 0,50, pagando no cartão de crédito e exigindo nota fiscal, o que acreditavam trazer prejuízo ao dono do posto.
O protesto não teve resultados e a gasolina continua sendo vendida acima de R$ 3,00. Tal fato não incomoda aos usuários de ônibus, já que a tarifa dos coletivos continua a mesma, nem tampouco os usuários da bicicleta, já que seu combustível é outro.
Porém, a parcela da população que utiliza o carro como meio de transporte continua incomodada com o impacto que o aumento do preço da gasolina trará ao seu orçamento pessoal e resolveu agir. Já que o protesto foi inócuo, decidiram utilizar dos meios oficiais.
OAB, Ministério Público, Procon e vereadores de Maceió se reuniram na última quarta-feira (11) para buscar formas de “orientar o consumidor e ‘forçar’ os donos de postos a baixarem os preços”:
Esperávamos ver a mesma motivação que os órgãos demonstraram na reunião do dia 11, toda vez que fosse anunciado o aumento da tarifa do transporte coletivo. Até mesmo porque, por menor que seja o aumento na tarifa do ônibus, proporcionalmente, seu impacto será maior no bolso de alguém que ganha 1 salário mínimo do que é o impacto do preço da gasolina para alguém que ganha muitos salários mínimos.
Os vereadores e os demais órgãos não parecem estar preocupados com o efeito dominó que o aumento do preço da gasolina trará para a cidade, com a elevação dos custos de transporte de pessoas e mercadorias. Ao convidar o Procon para a reunião, demonstra-se que a preocupação está unicamente em defender o bolso daqueles que consomem gasolina.
A matança de ciclistas no trânsito e a inércia do caos no transporte coletivo de Maceió apenas comprovam que o poder público não age em função da coletividade, e sim da classe dominante que tem “voz” para exigir seus direitos, nem que seja a redução de R$ 0,10 no preço da gasolina.
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Fato semelhante ocorre na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, onde deputados discutem a instauração da “CPI da TIM”. Isso mesmo. Não pretendem discutir o problema de uma forma global: as telecomunicações no estado de Alagoas como um todo, avaliando se a privatização foi benéfica ou maléfica para a população. Discutirão a (in)operância de uma empresa em particular. Mesmo que saibamos que, com a privatização da telefonia móvel, o cliente tem a liberdade de migrar de uma operadora para outra quando não estiver satisfeito com o serviço, muitos deputados declararam, em seus pronunciamentos, que são clientes da empresa TIM. Ou seja, quando o usuário comum tem problema com sua empresa telefônica (seja Oi, Claro ou Vivo), vai para a fila do Procon. Quando o problema atinge a operadora que os deputados utilizam, instaura-se uma CPI.
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Vale lembrar que o aumento do preço da gasolina é uma tendência mundial, já que o petróleo é uma fonte de energia finita. Apesar dos Estados Unidos viverem em guerras para manter a estabilidade do preço e, apesar do ex-presidente Lula achar que seria o novo xeique, pelas descobertas de petróleo que o país fez na camada pré-sal, os países europeus têm buscado alternativas, como o investimento em transporte coletivo (que pode ser movido a eletricidade) e no uso da bicicleta (que é movida a feijão com arroz).
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Por fim, gostaríamos de ver os maceioenses engajados em protestos que busquem a melhoria da mobilidade para todos e não apenas cada um defendendo seu próprio interesse.
Transportes alternativos não podem ser vistos como a solução dos gargalos, mas como aliados da tecnologia e dos sistemas integrados, que aliviam o tráfego
Mesmo com adesão crescente, usuários de formas alternativas de locomoção, como bicicletas e skates, sofrem com o desrespeito dos motoristas e o atraso no planejamento para esses transportes. Como uma realidade cada vez mais presente nos centros urbanos, os veículos não motorizados ainda são vistos como forma de lazer; e o pedestre é encarado como quem não tem dinheiro para comprar um carro - uma verdadeira espécie de sociedade marginal do trânsito.
''Os meios de transportes não motorizados sempre existiram. Todo mundo sempre andou a pé. A novidade é que isso está mudando a perspectiva de quem planeja a mobilidade urbana. Antes, os projetos eram chamados ‘planos de transporte’; hoje atendem por planos de mobilidade'', afirma Marcos Bicalho Pimentel – superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).
Para Bicalho, arquiteto e urbanista, o uso dessas opções não se trata de uma tendência, muito menos uma solução paras os sérios problemas enfrentados no trânsito. ''Estão reconhecendo que esse povo existe. Hoje, há proposta de mudança nas relações da mobilidade nos projetos. Historicamente, esse investimento é voltado para meios de transporte motorizados individuais e, em menor escala, coletivos. Agora, pedestres e usuários de outros meios são considerados'', diz.
No entanto, para o especialista, a mudança ainda engatinha. ''Apesar dessa nova percepção, o cenário continua difícil. O ideal não é buscar a conquista de espaço, mas consideração. A atenção ainda está voltada para carros, caminhões, ônibus e motocicletas. A ideia é argumentar que esses meios de transporte têm um papel importante e não devem ser desconsiderados'', expõe.
O importante é a compreensão do compartilhamento de espaços e a convergência de soluções à tecnologia e aos sistemas integrados. Para José Mario de Andrade, diretor da Perkons S/A, ''Os sistemas integrados permitem a captação de dados e o planejamento das informações a partir desse mapeamento. São essas informações que poderão fazer com que os planejamentos das cidades vislumbrem demanda na gestão urbana'', diz. Além disso, José Mario contempla medidas restritivas à circulação do automóvel e crescimento da interação com o usuário no trânsito por meio de informações e indicações de rotas alternativas. ''Porém, esta não pode ser uma medida isolada. É preciso considerar que, ao restringir o trânsito do veículo privado, outras alternativas de transporte com infraestrutura adequada à mobilidade e à segurança do cidadão sejam oferecidas'', observa.
''Não temos ciclovias em São Paulo. Os ciclistas dividem espaço com carros e ônibus'', diz o diretor geral da Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, Thiago Benicchio.
O usuário já está buscando essas alternativas por conta própria enquanto aguarda uma infraestrutura totalmente adequada. Porém, sofre preconceito porque o problema vai além da questão de ter um local seguro e apropriado para transitar: ''as pessoas não compreenderam que o trânsito é um espaço a ser compartilhado'', destaca Andrade.
MUITOS DESTINOS DEMORAM MAIS COM VEÍCULOS MOTORIZADOS
Outro ponto desta discussão é: com atrativos imbatíveis, como conforto e praticidade, como fazer as pessoas abdicarem do automóvel? Para o professor e pesquisador em transportes da Universidade de Brasília, Artur Morais, há falta de opção por conta da desestrutura. ''O problema é que há poucos lugares com ciclovia e ciclofaixa porque, no Brasil, bicicleta é sinônimo de lazer. Pode perceber que elas estão espalhadas em parques e orlas das cidades. A bicicleta nunca foi pensada como meio de locomoção e o poder público não criou infraestrutura para utilização dela além do lazer. Os ciclistas são obrigados a compartilhar o espaço com carros, motos e pedestres num espaço que não foi adaptado a eles'', explica.
O professor cita um estudo da Comunidade Europeia. ''Em um trajeto de até oito quilômetros, o uso da bicicleta é mais eficiente que outros meios. A pessoa foge de engarrafamento, do trânsito caótico. Nessa distância, ela leva cerca de 20 ou 30 minutos para chegar ao destino, o que não compromete sua integridade física. Se fosse de carro, teria de procurar estacionamento; de ônibus ou metrô, teria que se deslocar até o ponto ou estação'', analisa.
''VÁ TRABALHAR!''
Segundo o diretor geral da Ciclocidade- Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, Thiago Benicchio, São Paulo tem, aproximadamente, 600 mil pessoas andando de bicicleta pelo menos uma vez por semana. São mais de 140 mil destinos feitos por bicicleta todos os dias na maior cidade brasileira. Mesmo assim, o ambiente para os ciclistas é hostil. '' Todos os dias os ciclistas sofrem com o comportamento agressivo dos motoristas. Acredito que a bicicleta não deva ser vendida ou empurrada como solução para deslocamentos, mas como complemento de transporte público ou pequenas distâncias'', diz. Thiago pedala desde 2005 em São Paulo, que tem 18 mil quilômetros de ruas, mas quase nenhuma ciclofaixa. ''Nós dividimos o mesmo espaço dos carros, ônibus e bicicletas. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi ‘vá andar no parque’ ou então ‘vá trabalhar’, quando estava indo para o trabalho de bicicleta'', conclui.