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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Na balada, de bicicleta!


Você já pensou alguma vez em sair para a balada de bicicleta? É o que propõe a banda Eek. No show de lançamento de seu primeiro CD, os músicos pretendem buscar uma abordagem sobre o tema da Sustentabilidade. Uma das iniciativas é a de convidar, todos aqueles que assim desejarem, a ir ao show de bicicleta.


O show acontecerá dia 04/12/2010, a partir das 16 h, na casa de show The Jungle, em Cruz das Almas, e contará com a participação das bandas “Mr. Freeze” e “Além de nós”. Segundo Diogo Braz (vocal e guitarra), haverá um local seguro, dentro da casa, para guardar as magrelas. Apesar da segurança, é importante levar a tranca para não dar bobeira.


Como sabemos, a bicicleta é um meio de transporte perfeito para curtas distâncias (até 6 km), que podem ser percorridas, facilmente, em cerca de 20 minutos. Para isso, marcamos no mapa de Maceió as regiões da cidade que ficam até 6 km distantes do local do show. Se o local que você mora está dentro dessa mancha vermelha, experimente ir ao show de bicicleta. Se você morar fora da mancha vermelha, experimente ir no transporte coletivo. Se você acha que o transporte coletivo não lhe atende, faça uma reflexão sobre os porquês de abandonarmos os serviços públicos e buscarmos resolver nossas vidas de forma privada. Qual a sociedade que estamos construindo quando agimos dessa forma? Da inclusão ou da exclusão?

A banda também abriu espaço para a Bicicletada de Maceió falar sobre o movimento, no intervalo de um show a outro. Não perca!


Dia: 04/12/2010, a partir das 16hs (cheguem cedo porque não vai atrasar)
Local: The Jungle (Av Brigadeiro Eduardo Gomes, Cruz das Almas, próximo ao Hotel Matsubara).
Shows com Além de Nós; Mr. Freeze; e Eek.

Ingresso = R$ 10,00 e Ingresso + CD = R$ 15,00
Pontos de venda: Studio Poker, Chilli Beans e Botequim Paulista.
Apoio: FMAC, Secult e FDAC, e você :)


Leia também:

- Banda Eek lança CD 'Fantasia de Equilibrista'

- Eek lança primeiro disco com show em Maceió



O lindo vídeo de lançamento do novo site da Caloi

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

TRANS 2010-2020




A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) realiza, nos dias 2 e 3 de dezembro, o Seminário TRANS 2010-2020. O encontro acontece no Hotel Ritz Lagoa da Anta. O objetivo é debater com a sociedade os desafios do Transporte e Trânsito na capital alagoana. As inscrições para o evento podem ser feitas pelo fone 3311-9074.

Fonte: SMTT / Maceió





Felizmente, podemos perceber um grande avanço no discurso da SMTT:

1) No reconhecimento de que o atual quadro da Mobilidade Urbana em Maceió se situa como parte de um processo histórico pelo qual algumas cidades já passaram (como algumas cidades dos países desenvolvidos) e outras cidades não deveriam nem pensar em passar (como as pequenas cidades do interior do Estado de Alagoas). O que podemos tirar como vantagem desse nosso "atraso" no processo histórico é que, assim como um irmão mais novo aprende com o mais velho a não cometer os mesmos erros que aquele já cometeu, a cidade de Maceió poderia aprender com os erros cometidos por outras cidades e pular certas etapas. A cidade de Brasília, construída em função do automóvel, já se mostrou ineficiente para aquilo que foi planejada. A cidade de São Paulo já nos mostrou que, quanto mais viadutos, pontes, tuneis e avenidas nós construímos, mais facilidade damos ao deslocamento de carros, fazendo com que mais pessoas comprem carros, voltando a congestionar novamente a cidade, alimentando o que os urbanistas chamam de "ciclo vicioso da mobilidade". Cidades como Copenhague e outras do norte europeu têm demonstrado que a restrição do uso do automóvel e o incentivo ao uso da bicicleta associada ao transporte coletivo tem trazido bons resultados;

2) No reconhecimento de que a Engenharia de Tráfego não consegue acompanhar o ritmo das vendas de automóveis nas cidades. Ainda bem! Se conseguisse, estaria reproduzindo o modelo de Brasília, uma cidade onde não há pessoas nas ruas, apenas carros se deslocando em altas velocidades;

3) No reconhecimento de que o transporte coletivo é a solução para a Mobilidade nas grandes cidades. Faltou apenas mencionar que a bicicleta também pode ser uma alternativa para os deslocamentos curtos (de até 6 km), mas nós damos um desconto, diante de tantos avanços percebidos nessa entrevista.


Torcemos para que não fiquemos apenas no discurso e possamos ver os avanços também na prática.


sábado, 27 de novembro de 2010

Última Bicicletada de Maceió do ano





... com um luau de confraternização no final.



Clique aqui para ver todas as fotos

domingo, 21 de novembro de 2010

Conheça a Lei de Jante

Fui checar se a Dinamarca é mesmo o país mais feliz do mundo. Com os dinamarqueses

* por Paulo Nogueira

Alegria contagia

NUMA ESCALA de zero a dez, qual é seu grau de felicidade?

Estou na Dinamarca, o país mais feliz do mundo, segundo um estudo feito por gente séria, e quero saber se os nativos concordam com isso. Faço a pergunta acima a algumas pessoas em Copenhague, depois de dizer que sou um jornalista brasileiro. São pessoas diferentes, mas em comum têm a afabilidade sorridente, o inglês fluente e uma alta taxa de felicidade. Todas se atribuíram oito.

Roy, 71 anos, é aposentado da Marinha. Ele parece ter 15 anos menos. Desempenado, cabelos fartos, penteados de lado. Está de uniforme quando falo com ele. Duas ou três vezes por semana, trabalha como guarda do Museu Arken, no balneário de Ishøj, a 15 minutos de Copenhague. Você chega ali por um trem silencioso em que uma placa mostra que conversas no celular não são bem-vindas. Há um vagão especial para o transporte de bicicletas, e ao lado das poltronas sacos plástivos verdes estão à sua disposição para que você não jogue lixo onde não deve.

“Passei por um período duro recentemente”, Roy diz. “Perdi meu pai.” Ele tinha 94 anos. “Mas em situações normais me dou oito, de zero a dez, em felicidade.” Roy estaria menos satisfeito se, com tamanha disposição, estivesse inteiramente recolhido em sua casa. Antes de me aproximar dele, eu o vira conversar com um grupo de colegas no museu. Estavam todos rindo. A conversa devia ser boa.

Roy pertence ao povo mais feliz do mundo

Duas jovens balconistas também se dão oito. Uma delas, Filippa, é sueca. Tem 31 anos, e vive em Copenhague. Filippa gosta do estilo dinamarquês. “Os suecos se preocupam com o que os outros pensam deles”, diz ela. “Os dinamarqueses se interessam pelo que eles pensam de si mesmos.” A Dinamarca é um país que cultiva a ironia, diz Filippa. Tinha que ser aqui, segundo ela, que um grupo de cartunistas faria charges zombateiras de Maomé, um episódio que teve desdobramentos trágicos. Um cálculo do jornal que publicou os desenhos em 2005, o Jyllands-Posten, fala em 150 mortos nas manifestações e atentados que se seguiram.

O frio é duro, ela faz questão de dizer. “Entre outubro e fevereiro, todo mundo fala que gostaria de mudar de país.” Filippa passou quatro semanas, no inverno passado, numa praia tropical. Quando o sol reaparece, a Dinamarca se rejubila. A questão do clima não é uma unanimidade. Uma engenheira sexagenária com quem falei num restaurante afirma que a Dinamarca é agradável sob qualquer temperatura. Ela tinha ido almoçar fora com a mãe, uma senhora alinhada, mas já não muito firme, de quase 90 anos. Como boa parte dos habitantes de Copenhague, a engenheira vai trabalhar de bicicleta. Está alguns quilos acima do peso, o que demonstra que bicicleta não faz milagres.

A outra balconista, Julie, 27 anos, é mais esquiva. Hesita em se deixar fotografar, e só aceita quando Filippa topa. Quer saber direito a revista para a qual escrevo. Digo que a Época é uma revista semanal, ao estilo da Time americana. Ela mostra receio de ser citada erroneamente. Tento tranquilizá-la. Julie amacia quando cantarolo Bob Marley. Ela fez seus cabelos ficarem rástas. Julie fala na Janteloven.

Julie e Filippa são a cara da Dianamarca

É, em dinamarquês, Leis de Jante. Jante é uma cidadezinha imaginária criada pelo romancista Aksel Sandemose em 1933 no livro Um Fugitivo Cobre Seus Passos. Os traços básicos dos habitantes de Jante refletem o dinamarquês médio. Foram agrupados nas assim chamadas Leis de Jante. Uma frase sintetiza o decálogo: “Você não é melhor que ninguém.” Logo, ninguém também é melhor que você. A Janteloven estimula a modéstia e a simplicidade.

Sandemose consagrou a essência da alma dinamarquesa: ninguém é melhor que ninguém

Os americanos acabaram dividindo a sociedade entre vencedores e perdedores, sendo que o critério um, dois e três é o dinheiro. Você tem hoje nos Estados Unidos uma sociedade obesa, neurótica e agarrada em horas alternadas a antidepressivos e calmantes. O declínio americano não é por acaso.

O dinamarquês leva a vida de outro modo. Vejo-os nas ruas, em bicicletas e capacetes multicoloridos, e sou tomado por uma vontade de sorrir.

Alegria contagia.


Leia também:

O brasileiro tem raiva da felicidade do dinamarquês

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tirinha




quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O trânsito de Maceió tem solução!

27% de todos os deslocamentos na cidade de Freiburg (cidade ao Sul da Alemanha) são realizados por Bicicleta

* por Lincoln Paiva


Taxa de Motorização não impacta na Mobilidade Urbana Sustentável

Como um país com uma taxa de motorização tão alta, algo em torno de 1,5 (o equivalente a 1,53 pessoas para cada carro) consegue ter uma Mobilidade fantástica, ótima qualidade de vida, níveis reduzidos de poluição?

Para você ter uma idéia, a Cidade de São Paulo tem taxa de Motorização de 1,8 ( 1,8 pessoas para cada carro) menor do que Freiburg, mas nem é preciso dizer porque temos 200 km de congestionamentos quase que diarimente. Mas se você não sabe e ainda anda de carro todos os dias na cidade, deveria saber.

Em Freiburg basta dar apenas uma pequena volta no centro da cidade (de preferência a pé) para obter a resposta, mas se você ainda tem dúvidas e gostaria de mais explicações como eu, então precisa falar diretamente com o Prefeito da Cidade, eu consegui uma audiência através de uma negociação realizada pela Green Mobility.


Em 1969, Freiburg desenhou um plano de mobilidade urbana para a cidade. Já naquela época, eles previram que uma taxa de motorização crescente poderia provodar um verdadeiro caos numa cidade Medieval como a deles, o desafio era: como preservar a história da cidade e sem comprometer o desenvolvimento da cidade?

Eles fizeram um plano de Mobilidade para 2020, com a estimativa de crescimento e desenvolvimento, imaginando integração modal e quantidade ideal para a divisão modal da cidade na seguinte ordem:

Notem que a meta para 2020 foi batida em 1999.

A divisão modal de Freiburg permite obter uma mobilidade extremamente sustentável, sem altos custos de infraestrutura para a cidade. Eles possuem mais de 420 km de ciclovias e o transporte público consegue atender a demanda de transportes em períodos de inverno, pois além dos VLTs (que atende 90% dos bairros), tem um ótimo serviço de trens, rede de ônibus que atendem bairros mais afastados e ainda possuem uma rede de Car-sharing bastante eficiente integrado ao "Bilhete único" da cidade.


Basta olhar o número de bicicletas estacionadas (em dia normal) que você percebe porque a cidade de Freiburg é considerada uma das cidades mais Sustentáveis do Mundo, imagine se todas estas bicicletas fossem carros?


Era tanta bicicleta que era impossível ver o final do estacionamento...

Agora, se você acha que a topografia de São Paulo é acidentada, faz muito calor ou muito frio, é porque você não conhece Freiburg, uma cidade que tinha tudo para ser uma catástrofe em relação a Mobilidade, no entanto, a população quis uma cidade diferente.

Que cidade você quer viver?



Comentário do blog:

O texto mostra que Freiburg começou a planejar um novo modelo de Mobilidade para a cidade em 1969. Também foi nessa época que Copenhague, capital da Dinamarca resolveu resgatar aos pedestres os espaços que antes eram dominados por automóveis. Hoje, estas cidades estão colhendo seus frutos e se mostrando para o mundo como exemplos de cidades do futuro.

É muito comum ouvirmos a população e os próprios gestores públicos maceioenses dizerem que “Maceió não foi uma cidade planejada”, para continuar justificando todos os problemas de Mobilidade Urbana que temos. Mas quando é que vamos parar de repetir isso e vamos começar a planejar?