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sábado, 24 de agosto de 2013

Cicloviagem pelo sul da Alemanha

 
* por Maria Cecilia Setton
 
Em junho desse ano, eu e meu marido Eduardo fizemos uma fantástica viagem de bicicleta pelo sul da Alemanha durante cinco dias. A ideia de fazer essa viagem de bike surgiu bem ao acaso: marcamos nossas férias e decidimos ir para Alemanha passar 13 dias por lá. Como pedalo com bastante frequência em Maceió e já havia conversado com algumas pessoas que fazem cicloviagens pela Europa, me veio a ideia de fazer parte dessa viagem de bicicleta. A primeira coisa que fiz foi procurar informações na internet sobre passeios e viagens de bicicleta pela Alemanha. Não esperava que fossem aparecer tantas opções de empresas que prestam esse tipo de serviço. A partir daí já comecei a perceber como a utilização da bicicleta é valorizada e priorizada nos países desenvolvidos, bem diferente do Brasil. Depois de pesquisar bastante, entrei em contato com a empresa Bike Tours Direct (BTD) para obter mais detalhes sobre as rotas de bike. Escolhemos uma rota de cinco dias, pelo sul da Alemanha, saindo da cidade de Würzburg até a cidade de Donauworth, cuja operação seria da empresa local Velotours. Essa rota corresponde a um trecho da famosa Rota Romântica, um passeio obrigatório para quem visita o sul do país. O pacote que fechamos com a Velotours (através da BTD) incluía aluguel das bikes, hospedagem em todas as cidades, transporte das nossas bagagens de uma cidade para outra e os mapas da rota. Detalhe: nossa viagem seria self-guided, ou seja, somente Eduardo e eu, sem nenhum guia. No total pagamos 600 euros por pessoa. Alguns dias antes da viagem, recebi vários e-mails da BTD com informações sobre os hotéis, dicas sobre o passeio, informações sobre as bicicletas etc. Tudo muito bem explicado. Troquei vários e-mails com eles e sempre foram muito atenciosos.
 
Já estávamos na Alemanha havia dois dias quando chegamos à primeira cidade da cicloviagem (que também é a cidade de entrada para a rota romântica): Würzburg. Ao chegar ao hotel reservado pela BTD, nossas bikes e os mapas da rota já estavam lá nos aguardando. Nesse primeiro dia, fizemos um passeio pela linda cidade de Würzburg, onde bicicletas, carros, ônibus e pedestres convivem em perfeita harmonia.


 Mapas e informações fornecidos pela Velotours

 
Palácio Residenz em Würzburg

No dia seguinte, saímos de Würzburg com o objetivo de completar os 65 km até o primeiro destino: a cidade de Bad Mergentheim. No começo ficamos um pouco atrapalhados com o percurso, pois fiz uma modificação na rota fornecida pela empresa e as placas de sinalização das rotas de bicicleta ainda não estavam aparecendo. Mas nada grave, apenas demoramos um pouco mais do que o esperado no percurso. Depois dos primeiros 15 km começaram a aparecer as placas das rotas exclusivas para bicicletas. A partir daí nem mesmo os mapas eram mais necessários, pois a sinalização era excelente. A maioria do percurso foi feito em ciclovias exclusivas, longe das rodovias e cortando florestas, pastos, plantações e pequenos vilarejos. Apenas em alguns trechos, andamos por vias secundárias compartilhadas por carros. Ainda assim, era raro ver um carro passar e quando isso acontecia, os motoristas diminuíam a velocidade e tomavam uma distância enorme dos ciclistas. Respeito total!

Placas das rotas de bicicletas informando as distâncias e direções

Ciclovia em meio à plantação de trigo
 
 
Trilha no meio da floresta

Chegamos a Bag Mergentheim após 8 horas de viagem, pois era impossível não parar a cada 2 km para apreciar as belezas dos lugares e tirar milhões de fotos. Fizemos uma parada mais longa no meio do dia para almoçar em uma das charmosas cidadezinhas da rota romântica, cujo  nome é impronunciável (Tauberbischofsheim).

Parada para o almoço em Tauberbischofsheim

Nosso destino no segundo dia era a cidade mais famosa da rota romântica, Rothenburgob der Tauber. Essa cidade, assim como várias outras da região, ainda preserva a arquitetura e o clima de cidade medieval e nos dá a impressão que voltamos no tempo. Até hoje a cidade é cercada por um muro, construído na idade média para protegê-la de ataques inimigos.

Entrada da cidade de Rothenburg ob der Tauber

Praça principal (Marktplatz) de Rothenburg

O clima estava muito agradável nesse dia, não choveu nem fez muito calor e o passeio de 55 km foi fantástico.


No terceiro dia sofremos um pouco com a chuva que, apesar de não ser muito forte, nos acompanhou durante quase todo o percurso. Apesar do frio, pedalar debaixo de chuva também foi uma experiência sensacional. Depois de 65km, chegamos em Dinkelsbühl, cidade muito charmosa e bem mais calma que Rothenburg, sem aquela loucura de turista pelas ruas.


 
Chegada em Dinkelsbühl debaixo de chuva

Nos dois últimos dias, os percursos eram um pouco mais curtos e  os fizemos em menos tempo, assim deu para aproveitar mais as cidades.  Nosso último destino foi a cidade de Donauworth e, para fechar com chave de ouro, a BTD nos reservou o melhor hotel da viagem, super aconchegante e localizado na parte alta da cidade, de onde se via paisagens incríveis. Ao chegar no hotel, devolvemos as bikes e aproveitamos o resto do dia no hotel, com aquela sensação de dever cumprido e ao mesmo tempo saudades dos momentos vividos. 

Sem dúvida, essa experiência foi única em nossas vidas. Conhecemos o país de uma forma muito peculiar e intimista, vivenciamos a verdadeira cultura do local e o estilo de vida das pessoas, sem a influência do comum “feito para turista ver” que encontramos nas grandes cidades. Recomendo a todos!


Margem do rio Wornitz

 
Vista do Park Hotel em Donauworth
 

  

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Vagas de carro se transformarão em áreas de convivência em SP

Parklet em Oakland, EUA Parklet em Oakland, EUA

por Romullo Baratto

Entre os dias 15 e 18 de agosto, duas vagas da Zona Azul de São Paulo serão transformadas em áreas de convivência semelhantes a pequenas praças, inspiradas nos “parklets” americanos. Serão ocupadas duas vagas em diferentes locais da cidade, uma na rua Amauri, no bairro Itaim Bibi, e outra na rua Maria Antônia, em Higienópolis.

 Os idealizadores do projeto, do Instituto Mobilidade Verde, preferem o nome “zona verde”, em contraponto à Zona Azul do sistema de estacionamento. As mini-praças serão equipadas com bancos, estacionamentos de bicicletas, vegetação e iluminação através de energia solar. Todos os materiais utilizados no projeto são certificados.

O local onde comumente pára o carro se transformará em um lugar de encontro e trocas entre pessoas, provocando um debate sobre o uso dos espaços da cidade, ditos públicos.


Em outubro haverá uma segunda etapa do projeto, com zonas verdes espalhadas por 20 pontos da cidade durante um mês inteiro, fazendo parte da Bienal de Arquitetura. Segundo o grupo, o objetivo é que, se a resposta do público for positiva, a criação destes espaços passe a ser uma política da própria administração.

Esta é a espécie de iniciativa de curto prazo que, para um olhar superficial, pode significar apenas uma provocação e “menos duas vagas”, entretanto, além dos benefícios aos pedestres e ciclistas - que dispõem de um local confortável para se sentar e se reunir -, ela aumenta o movimento do comércio circundante, já que as pessoas consomem mais quando há um lugar para descansar em segurança, segundo uma pesquisa sobre intervenções semelhantes realizadas e Nova Iorque.

Os responsáveis pela iniciativa são José Marton, Vanessa Espínola, Pedro Useche, Paulo Alves, SuperLimão Studio e André Cruz, ligados ao grupo Design OK, e Helena Camargo e Guilherme Ortenblad.

Fonte: archdaily

Veja mais detalhes em mobilize.org

 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Prefeito ciclista de Roma fecha avenida do Coliseu para carros


Uma das ruas mais movimentadas de Roma, que circunda o Coliseu, foi bloqueada para o tráfego de carros neste sábado. A ação foi um primeiro teste no plano de transformar a avenida numa área apenas para pedestres - e, claro, irritou muito os motoristas da cidade. O prefeito Ignazio Marino, no entanto, afirma que a iniciativa é importante.

"Precisamos decidir se queremos carros ou valorizar nossos monumentos", disse Marino, que adotou um estilo distinto desde a sua eleição, há dois meses, ao ir de bicicleta para compromissos. "Eu não acho que qualquer outra cidade no mundo (...) teria transformado o Coliseu, provavelmente o mais famoso monumento do planeta, em uma rotatória."

A arena de 2 mil anos, onde gladiadores lutavam batalhas sangrentas para o entretenimento de grandes multidões, foi escurecida pela fumaça do tráfego pesado que durante anos passou perto de suas paredes. O objetivo do prefeito é, eventualmente, transformar toda a área em um parque arqueológico.

O fechamento atinge a maior parte da estrada Fori Imperiali, de 1,1 km do Coliseu até o monumento gigante de mármore Victor Emaneule. O local ficou imortalizado pelo passeio de scooter de Audrey Hepburn e Gregory Peck no filme "A princesa e o plebeu", de 1953.

Por enquanto, táxis e ônibus ainda podem passar pela via que liga a Piazza Venezia ao Coliseu. A implantação do estágio experimental acontece em agosto, quando os moradores da cidade fogem do calor da capital.

Um grupo de extrema-direita disse que a medida será tomada "às custas das poucas lojas antigas e pequenos negócios já atingidas pela crise financeiras e pelos impostos". O argumento é péssimo. Há vários exemplos de áreas de comércio revitalizadas graças a medidas desse tipo. As pessoas passando a pé ou de bicicletas, afinal de contas, tem maior proximidade com as lojas de rua que alguém dentro de um carro. Neste link há um bom artigo sobre o que aconteceu em Nova York.

Fonte: Blog de Bike

 

terça-feira, 30 de julho de 2013

3ª reunião do Conselho Municipal de Transportes


Aconteceu, na tarde de hoje, no auditório da SMTT, a 3ª reunião do Conselho Municipal de Transporte – CMT de 2013. O superintendente da SMTT, Sr. Tácio Melo, iniciou a reunião dando as boas vindas a todos os presentes. Foi feita a conferência do quorum. Os representantes da Seminfra, Procuradoria Geral do Município, OAB e movimentos estudantis não compareceram a esta reunião. Foi feita a leitura da ata da reunião anterior. Após aprovada a ata, o superintendente deu início à reunião.

O superintendente disse não ter sido necessário convocar uma reunião extraordinária após a última reunião, para discutir um possível aumento da tarifa do transporte coletivo, já que as empresas de ônibus de Maceió retiraram o processo que tramitava no Tribunal de Justiça pedindo aumento da tarifa, em razão da promessa de desoneração de tributos por parte do Governo Estadual (IPVA dos ônibus e ICMS do diesel) e Prefeitura Municipal (ISS), com o intuito de manter a tarifa nos atuais R$ 2,30.

Gildo Santana, representante da Associação Alagoana de Ciclismo – AAC, questionou a medida utilizada pela Prefeitura para preservar o atual valor da tarifa. Segundo Gildo, quando o poder público propõe renúncia fiscal, deixa de arrecadar tributos que seriam destinados a outras áreas e, para manter a estimativa de receita, deve apresentar medidas compensativas. Gildo questionou qual seria a fonte de recursos para compensar o que o poder público deixará de arrecadar com a renúncia fiscal. Tácio disse não saber.


Tácio também informou aos presentes sobre reunião realizada pelo corpo técnico da SMTT para definir quais patologias teriam direito a gratuidade no transporte coletivo. Segundo Tácio, foram definidas 15 patologias (antes eram 19) que continuarão tendo direito e, para não provocar aumento da tarifa, a Prefeitura de Maceió pagará R$ 250 mil por mês (R$ 3 milhões por ano) às empresas de ônibus para que seja mantido o atual valor da tarifa. Tácio informou também que, para ter direito à gratuidade, além da patologia, a pessoa precisa estar fora do mercado de trabalho e inserida nos programas federais de assistência social.

Luiz Antônio Jardim, representante da Câmara dos Dirigentes Lojistas, CDL, sugeriu que fosse criada uma junta médica para avaliar as patologias, pois, segundo ele, hoje está muito fácil conseguir um atestado médico, onde não é mais o médico quem define a quantidade de dias que um empregado ficará afastado do trabalho, em caso de doença, mas o próprio empregado, perguntado pelo médico sobre a quantidade de dias que deseja para o afastamento.

Ana Lúcia Costa, representante da Transpal, disse que a Lei Federal não fala em acompanhante e, segundo ela, acompanhantes dos portadores de patologias estariam burlando o serviço, fazendo o portador da patologia colocar o polegar no leitor de digital do ônibus para então seguir viagem, enquanto o portador de patologia retorna para casa com outra pessoa.

Daniel Moura, participante da Bicicletada de Maceió, disse que todo esse debate para definir quem tem direito ou não à gratuidade seria desnecessário se a Prefeitura de Maceió implantasse a Tarifa Zero no transporte coletivo. Daniel entregou ao superintendente da SMTT, Sr. Tácio Melo, DVD contendo debates sobre a Tarifa Zero e pediu que fossem feitas cópias do DVD para entregar aos presentes à reunião que se interessassem em saber mais sobre o tema. O conteúdo do DVD é o seguinte;

01 - Panorama Ipea: financiamento transporte público
02 - Programa Roda Viva: entrevista com membros do Movimento Passe Livre
03 - Tarifa Zero: uma realidade possível

Daniel também reforçou o que fora questionado por Gildo Santana: sobre a renúncia fiscal que Prefeitura de Maceió e Governo do Estado vêm utilizando para manter o atual valor da tarifa. Segundo Daniel, tanto a renúncia fiscal como o pagamento das gratuidades por parte da Prefeitura são medidas paliativas imediatistas, mas como não se está prevendo a fonte de recursos, em 2014, quando custos do transporte coletivo aumentarem novamente, a Prefeitura não terá mais tributos para desonerar e terá que aumentar a tarifa. Para Daniel, a Prefeitura está apenas postergando o problema para esfriar os protestos que aconteceram no mês de junho, contra o aumento da tarifa.

Segundo Daniel, enquanto não for implantada a Tarifa Zero, que propõe distribuir os custos de operação do serviço de transporte coletivo por toda a sociedade (e não apenas entre aqueles que o utilizam e que geralmente pertencem às camadas de menor renda da sociedade), a tarifa terá de ser reajustada todos os anos, pois os custos do transporte coletivo aumentam e a demanda de passageiros só tem diminuído, com a migração de passageiros para o táxi-lotação, para a motocicleta, automóvel, bicicleta ou mesmo o caminhar.

O vereador Silvânio Barbosa (PSB-AL), representante da Câmara Municipal de Maceió, disse que terá reunião com a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) e convidará o ex-secretário de transportes de São Paulo, Sr. Lúcio Gregori, propositor da Tarifa Zero quando Erundina foi prefeita de São Paulo (de 1989 a 1993), para realizar uma Audiência Pública sobre o tema, na Câmara Municipal de Maceió.

Em seguida, José Cícero de Oliveira, representante da Federação das Associações de Moradores de Alagoas - Famoal, solicitou do superintendente Tácio Melo uma balanço das medidas que a SMTT vem adotando para combater o transporte clandestino. Tácio informou que foram realizadas 600 apreensões e deu outras informações.

Fernanda Cortez, coordenadora geral de mobilidade urbana da Sempla, questionou se estaria sendo feito monitoramento para saber o porquê de haver transporte clandestino em determinadas áreas da cidade, pois é necessário buscar a origem do problema. Tácio disse que o transporte clandestino acontece em função da deficiência no sistema de transporte coletivo.

Daniel repetiu o que vêm colocando desde a primeira reunião do Conselho Municipal de Transporte – CMT: combater o transporte “clandestino” sem oferecer um transporte regulamentado de qualidade é o mesmo que enxugar gelo. Sabe-se que seria irracional extinguir o transporte coletivo por ônibus e sugerir que todas as pessoas se desloquem em táxis-lotação. Porém, mais danoso para a cidade são os automóveis que circulam com apenas um ocupante e que não sofrem nenhuma restrição do poder público para circular (como o Pedágio Urbano, muito utilizado em cidades europeias) ou para estacionar (como a Zona Azul, já utilizada outrora em Maceió).

Vê-se também a frota de motocicletas e motonetas crescendo na cidade, aumentando os gastos com saúde pública para tratar dos acidentados e mutilados, e nada faz a Prefeitura de Maceió para trazer os passageiros de volta ao transporte coletivo. Os próprios empresários de ônibus sabem da precariedade do serviço, tanto é que nem eles mesmos utilizam o serviço que “vendem”. O transporte coletivo continua sendo tratado como uma migalha aos pobres, um transporte falido que ainda é utilizado apenas por aqueles que moram distante do local de trabalho e não têm a opção de ir a pé, de ter seu próprio automóvel ou motocicleta ou não querem arriscar suas vidas utilizando a bicicleta numa cidade que a desconsidera.
 

Antes de finalizar a reunião, Gildo Santana pediu para pontuar rapidamente três questões:

a) solicitou que o convite para as reuniões do Conselho seja feito por e-mail ou telefone e não mais por ofício, pois a Sempla, por exemplo, só recebera o convite na véspera da reunião, quando os ciclistas estavam reunidos com o secretário Messias Costa na manhã de ontem. Gildo solicitou também que a reunião seja amplamente divulgada nos meios de comunicação para que a população que queira participar como ouvinte também tenha a oportunidade de saber da reunião antes do seu acontecimento;
 
b) que a pauta da reunião seja definida e divulgada com antecedência;
 
c) Gildo também informou que, no último dia 18, o MP transformou o Procedimento Administrativo que trata do uso da bicicleta na cidade de Maceió em Inquérito Civil (DOE/MPE de 18/07/2013, p. 111), onde a Prefeitura de Maceió é citada.

Tácio Melo informou que a SMTT ainda não foi notificada sobre a instauração do Inquérito Civil e sugeriu que já fique agendada para o dia 30 de agosto a próxima reunião do Conselho Municipal de Transportes, ao tempo em que encerrou a reunião.

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Reunião com o Secretário Municipal de Planejamento

 
Na manhã de hoje, a convite do Secretário Municipal de Planejamento, Sr. Manoel Messias, representantes da Associação Alagoana de Ciclismo – AAC e participantes da Bicicletada de Maceió estiveram reunidos para tratar de questões referentes à bicicleta na cidade de Maceió.

Messias, que assumiu a Secretaria em janeiro deste ano, disse que sua equipe vinha participando de reuniões (01/02/03) com os usuários de bicicleta e que, devido a outros compromissos, ele não pudera comparecer. Por isso, convocou essa reunião para estabelecer esse primeiro contato.

Messias falou sobre a necessidade de iniciar as discussões sobre a revisão do Plano Diretor de Maceió, sancionado em 2005, que deve ser revisado a cada 10 anos, portanto, em 2015. Para ele, é necessário entender quais as recomendações contidas no Plano de 2005 que não foram colocadas em prática e avaliar as mudanças pelas quais a cidade passou e o que precisa ser revisado em 2015.

Messias também falou da histórica falta de atenção do poder público municipal à determinadas áreas da cidade, como a orla lagunar, que sempre foi tratada como o “quintal da cidade” e que, devido ao seu passivo histórico, merece mais atenção do que aquelas áreas que já são dotadas de infraestrutura.

Segundo Messias, a Prefeitura pretende realizar pesquisa OD, entre os meses de agosto e outubro de 2013, para embasar o Plano de Mobilidade, que pretende tê-lo concluído no final de 2014. Messias também fez menção ao Plano de Mobilidade dos Não Motorizados, que foi desenvolvido por esta secretaria, sendo iniciado em junho de 2008. Fernanda Cortez, Coordenadora Geral de Mobilidade Urbana da Sempla, disse que o Plano está bem feito e que só precisa ser revisado. Messias solicitou que Fernanda disponibilize uma cópia do Plano a cada um dos presentes para que os mesmos possam se inteirar e fazer suas críticas e sugestões para, num segundo momento, revisá-lo junto à Sempla.


Angela Seabra, participante da Bicicletada de Maceió, criticou a simplificação do discurso da “ciclovia” quando se fala em bicicleta. Para ela, não é possível construir ciclovia em todas as ruas da cidade, portanto tão importante quanto as ciclovias e/ou ciclofaixas, são as campanhas educativas, que devem ser permanentes e seguidas de medidas punitivas para coibir o desrespeito aos usuários de bicicleta que, em muitos casos, ocasiona a morte do mais fraco, o ciclista.

Fernanda Cortez sugeriu discutir também o Projeto de Lei do Sistema Cicloviário de Maceió, que vinha sendo desenvolvido pela Sempla. Gildo Santana, representante da AAC, disse que o Projeto de Lei de Sistema Cicloviário, elaborado pela Vereadora Fátima Santiago (PP) sumiu na Câmara Municipal de Maceió.

Daniel Moura, participante da Bicicletada de Maceió, argumentou que secretário apresentou soluções de longo prazo (como o Plano de Mobilidade, previsto para ser concluído no final de 2014), de médio prazo (como o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados, que será revisado entre a Sempla e os usuários de bicicleta), mas que considera necessário ter ações de curto prazo, como as demandas que vinham sendo apresentadas nas reuniões com o Ministério Público Estadual desde 2011 e que eram desconsideradas pela gestão anterior, tendo como exemplo diversas ruas da cidade que sofreram modificações e que desconsideraram a existência da bicicleta, como é o caso da Av. Jatiúca, da Av. Comendador Leão e demais modificações no trânsito do bairro do Poço, dentre outras. Daniel entregou uma síntese dos assuntos discutidos no MP e informou que, no último dia 18, o MP transformou o Procedimento Administrativo em Inquérito Civil (DOE/MPE de 18/07/2013, p. 111).

Dia Mundial Sem Carro

Messias informou aos presentes sobre as ações que a Prefeitura de Maceió pretende desenvolver para o Dia Mundial Sem Carro de 2013, realizado no dia 22 de setembro. Segundo Messias, como a data cairá num domingo, a ação pretendida pela Prefeitura é a de criar uma ciclofaixa de lazer da Praça Centenário ao Ibama (em ambos os sentidos) e uma área de lazer para crianças tomando toda a Fernandes Lima, nas imediações do Cepa, sendo o fluxo de veículos motorizados desviado pelas ruas paralelas. Angela Seabra disse que achou a ideia ótima, pois vai começar a criar a cultura da bicicleta na cidade.
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Escute também:

- Entrevista de Angela Seabra e Carlos Monteiro, na Rádio Gazeta, a respeito do Projeto de Lei do Deputado Estadual Ronaldo Medeiros (PT), que propunha a exigência de construção de ciclovias em todas as rodovias do estado de Alagoas.
 

sábado, 27 de julho de 2013

62ª Bicicletada de Maceió


Aconteceu, no final da tarde de hoje, a 62ª edição da Bicicletada de Maceió. Nós nos reunimos em frente ao Alagoinhas e saímos para dar um rolé pela cidade. Percorremos a Av. Dr. Antônio Gouveia em direção ao Centro.


Diversos ônibus de turismo passaram por nós. A maioria reduziu a velocidade e passou pelo grupo com cautela, sabendo do perigo que um veículo daquele porte pode causar a um ciclista no caso de um choque. Apenas um motorista passou por nós com muita pressa, em alta velocidade e desrespeitando o Art. 201 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB.
 
Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração - média;
Penalidade - multa.

 
Já estamos acostumados a ver esse artigo do CTB ser descumprido pelos motoristas, que inclusive já foi matéria do programa CQC, mas ficamos perplexos com a proximidade que o ônibus passou do grupo e a pressa para parar logo adiante. Ao passar pelo ônibus, abordamos o motorista e a resposta para cometer tal infração foi a seguinte:
 
 
Seguimos nosso caminho, passamos pela Rua do Imperador,...


... subimos a ladeira do Brito...


... e demos uma breve parada no Mirante de São Gonçalo, no bairro do Farol.


Terminamos nosso passeio comendo pão de queijo numa padaria próximo dali. Participe você também da Bicicletada de Maceió. Contamos com sua presença nas próximas edições.

 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sobre rodovias, vidas e ciclovias


Na semana que passou, em razão da morte do empresário e triatleta Álvaro Vasconcelos Filho, veio à tona novamente a discussão sobre o perigo que a duplicação da rodovia AL-101 Sul, ligando Maceió à Barra de São Miguel, tem provocado aos pedestres e ciclistas que trafegam e/ou precisam atravessar a referida rodovia.

O assunto já vinha sendo discutido entre ciclistas e Governo do Estado antes mesmo da inauguração da rodovia, quando o trânsito já estava liberado em alguns trechos e o perigo já era perceptível. Em 27/03/2012, os ciclistas estiveram reunidos no Gabinete Civil, de onde saiu a necessidade de marcar uma nova reunião, no dia 18/04/2012, que terminou sendo cancelada pelo Governo.

Após a inauguração da duplicação da rodovia, em pleno Dia Mundial Sem Carro, pudemos registrar algumas notícias que foram veiculadas na imprensa com os seguintes fatos:

09/10/2012 - Atropelamento na AL-101 Sul em Massagueira causa revolta

19/10/2012 - Ciclistas morrem atropelados na AL-101 Sul e populares incendeiam carro

13/01/2013 - Automóvel invade acostamento e atropela ciclistas na AL-101 Sul

07/03/2013 - Ciclista morre atropelado em Marechal por carro do Poder Executivo

18/03/2013 - DER estuda ações para dar mais segurança a pedestres e ciclistas na AL-101 Sul

12/07/2013 - Acidente na AL 101 Sul deixa idoso ferido

A morte de Álvaro Vasconcelos Filho na última segunda-feira (15) motivou o próprio governador a reunir-se com ciclistas, no dia seguinte, para discutir o assunto. O assunto também motivou o Secretário de Estado da Infraestrutura, Sr. Marco Fireman, na última sexta-feira (19), a escrever e enviar um texto ao jornalista Ricardo Mota expondo sua opinião a respeito do assunto, o qual transcrevemos abaixo:

“Ricardo, desde o acidente de segunda tenho lido algumas críticas e comentários ao governo e fiz uma reflexão sobre o assunto. Estou enviando caso possa divulgar. Obrigado, Marco Fireman.

Sobre rodovias e ciclovias

O trágico e lamentável acidente ocorrido no último dia 15 na AL-101 Sul provocou uma reação imediata de ciclistas que praticam esportes na região e cobram a construção de uma ciclovia ao longo da rodovia duplicada. Não pretendo aqui falar sobre a necessidade da ciclovia, que é indiscutível, sendo fundamental para ampliar a mobilidade urbana – embora ainda sejam raros os trechos de rodovias brasileiras acompanhados de ciclovias.

Mas proponho uma reflexão sobre o assunto, para que não caiamos em críticas superficiais. Estamos falando de Alagoas, um estado com uma malha viária de cerca de 1.700 quilômetros e que precisaria de pelo menos mais 300 km para atender à demanda de forma satisfatória em todas as regiões. As limitações financeiras do Estado, aliás, já fazem da manutenção da malha existente uma tarefa árdua para o DER.

Em resumo: é pouco dinheiro para muitas demandas de infraestrutura. A mesma escassez de recursos, inclusive, exigiu coragem do governador Teotonio Vilela Filho para tirar do papel a duplicação da rodovia, que teve R$ 160 milhões do Tesouro Estadual em três anos de serviços. Então, eu pergunto: o Governo deveria ter aberto mão de duplicar a AL-101 Sul porque não tinha recursos para construir de forma simultânea a ciclovia? Estou convencido que não.

Infelizmente, na hora de administrar a relação entre dinheiro disponível e demandas existentes é necessário analisar, entre outros aspectos, o número de pessoas que serão impactadas pelas obras. Daí nascem as prioridades. Mas nem de longe isto significa descaso, como disseram alguns.

Pelo contrário. Quando inauguramos a duplicação da AL-101, firmamos o compromisso de construir uma ciclovia no local e vamos cumprir – assim como a construção de passarelas. O projeto, inclusive, já está pronto e o governador já garantiu recursos para a obra. Mas a cobrança por mais esta realização do Estado não pode, nem deve, querer desconstruir uma obra que facilita a vida de milhares de pessoas diariamente.

Em vez disso, é possível e necessário somar esforços e analisar junto à população e ao poder público questões fundamentais para a segurança de motoristas, ciclistas e pedestres. Por exemplo, além da ciclovia, faz falta uma educação de trânsito mais eficiente? Sem esta educação, as ciclovias serão mesmo capazes de evitar acidentes fatais nas estradas?”

 

No último domingo (21), o jornal Gazeta de Alagoas publicou reportagem de capa tratando sobre o perigo que a duplicação da rodovia AL-101 Sul tem trazido aos pedestres, ciclistas e até mesmo condutores de veículos. Há que lembrar que o referido jornal é de propriedade do senador Fernando Collor, possível opositor do governador Teotônio Vilela Filho nas eleições de 2014. Há quem possa dizer que a ênfase dada ao assunto seria uma forma de atingir o atual Governo do Estado. Há quem possa dizer também que a TV Pajuçara, de propriedade do grupo de apoio ao atual governo não estaria dando a mesma ênfase ao assunto para preservar a imagem do governador.

A questão é que, na noite do último sábado (20), quando o jornal de domingo já estava nas bancas sendo vendido, mais um ciclista foi morto na rodovia AL-101 Sul. Conhecido como  Bida, “ainda” não teve tanta cobertura da imprensa como teve o caso da semana passada e também parece que não terá tanta motivação do Governo do Estado para se manifestar sobre o assunto, assim como não tiveram todos os que antecederam o da semana passada.

Em meio ao que parece ser só uma disputa política, onde os meios de comunicação são utilizados para enfatizar ou esconder um problema, qual a importância que têm as vidas das pessoas que estão sendo perdidas naquela rodovia? Será que o benefício que a duplicação da rodovia proporciona está sendo maior que o malefício, como parece sugerir o secretário de infraestrutura? Quem estaria disposto a dar a sua vida para que outros continuem tendo o benefício que a rodovia proporciona? Quanto vale uma vida? Quantas mortes ainda terão que acontecer até que o Governo do Estado trate o assunto com seriedade?
 
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