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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Escutou o galo cantar, mas não sabe onde...

Hoje, foi noticiado pela imprensa o motivo das palavras “ÔNIBUS” que vêm sendo pintadas há alguns dias na Avenida Fernandes Lima. Segundo a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió (SMTT), trata-se de um corredor “seletivo” para ônibus. A jornalista Michele Garziera, no estúdio, inclusive chamou de “faixa exclusiva” e foi corrigida pelo jornalista Felipe Farias, alertando que o nome dado pela SMTT seria “faixa seletiva”. É justamente nesse ponto, na sutileza das palavras, que está o X da questão.

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As cidades que mais avançam no mundo já perceberam que o grande mal do trânsito (e do convívio urbano) é o excesso de automóveis. Para desestimular o seu uso, essas cidades investem em transporte coletivo e na utilização da bicicleta.

Curitiba, capital do Estado do Paraná, ficou mundialmente famosa por exportar para diversas cidades do mundo a tecnologia BRT (Bus Rapid Transit), que consiste na destinação de uma faixa “exclusiva” na via para os ônibus circularem, não ficando presos nos congestionamentos causados pelos automóveis. Um ônibus biarticulado consegue transportar mais de 200 passageiros, ocupando o espaço de apenas 4 carros, que normalmente transportam uma pessoa cada. Conclui-se que um ônibus em faixa exclusiva é 50 vezes mais eficiente que o trânsito de automóveis.
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Em Maceió, como diz o título desta postagem, parece que a prefeitura ouviu o galo cantar, mas não sabe onde. Criaram não uma faixa “exclusiva” para ônibus, mas uma faixa “seletiva”. Os ônibus podem sair da faixa seletiva e os automóveis podem invadi-la. Então, vai servir pra quê? A imagem abaixo mostra como funciona uma verdadeira faixa “exclusiva”. Trata-se da cidade de Viena, na Áustria. Lá, não cometeram o absurdo de tirar os bondes de circulação, como fizemos por aqui. A foto mostra que quem vai de carro, fica preso no congestionamento, mas quem vai de bonde (que tem horários a cumprir) sabe que não vai se atrasar.

É importante entender o pensamento que está por trás dessa ação da Prefeitura de Maceió. A maioria dos motoristas (e a própria SMTT) acreditam que quem atrapalha o trânsito não são os carros, e sim os ônibus. Por isso, acreditam que forçando os ônibus a andarem enfileirados pela direita, terão mais espaço para trafegarem com seus automóveis, congestionando as outras duas faixas.

Podemos dizer “enfileirados”, pois segregar os ônibus da Av. Fernandes Lima em uma única faixa sem que seja feita qualquer reestruturação ou “enxugamento” das linhas, causará isso: uma grande fila de ônibus. Atualmente, circulam pela Avenida Fernandes Lima cerca de 40 linhas de ônibus diferentes. Com a integração do sistema, todas essas 40 linhas poderiam ser “enxugadas” em uma única linha troncal, que poderia ser um BRT ou mesmo um VLT. Podemos explicar melhor essa questão numa outra postagem deste blog.



PS: Enquanto escrevíamos esta postagem, assistíamos à gravação da sessão da Câmara Municipal de Maceió, de hoje (24), onde alguns vereadores tratavam do tema “trânsito” (leia-se congestionamentos). Foi muito triste ver nossos representantes debatendo, de forma tão vazia, um assunto de extrema importância para a cidade. Sem nenhum embasamento teórico, vários vereadores tentavam dar seus palpites com panaceias para o trânsito (de automóveis) em Maceió, como a mudança de semáforos ou uma mirabolante ideia de construir uma ponte sobre a Lagoa Mundaú. Tudo isso para continuar alimentando a sede de espaço dos automóveis.


Outros links com notícias:

http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=197766

http://www.tudonahora.com.br/noticia/economia/2010/02/19/85335/alagoas-ganhou-20-mil-novos-carros-0km-em-2009

http://img696.imageshack.us/img696/7453/gazeta20100308.jpg

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