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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Transporte melhor esbarra na mentalidade do brasileiro, diz especialista

Sociólogo urbano critica fato de transporte público no Brasil ser associado a classes de baixa renda. Segundo ele, maioria dos debates sobre mobilidade trata de soluções tecnológicas, quando a inovação deve ser de ordem social.

Evento em São Paulo debate soluções para o transporte e a mobilidade

O Brasil ainda mantém a tradição de privilegiar o automóvel em detrimento do transporte coletivo, e alterar esse panorama demanda não só políticas públicas, mas uma mudança na mentalidade do brasileiro. Essa é a opinião Martin Gegner, do doutor em sociologia urbana da Universidade Técnica de Berlim e professor visitante da USP.

Gegner organizou nesta quarta-feira (09/10) um painel com especialistas brasileiros e alemães para discutir o tema mobilidade em grandes cidades. O debate é parte do 2° Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, evento integrante do Ano Alemanha + Brasil.

"O Brasil ainda vive a influência do ideal modernista de urbanismo, em que as cidades são planejadas em função do carro, com prédios e garagens grandes, com bairros ligados por grandes vias rodoviárias. O grande exemplo disso é Brasília", diz Gegner, que tem origem alemã.

Metrô de São Paulo em horário de pico

Para ele, esta concepção de metrópole vem sendo questionada há mais de 30 anos na Alemanha, principalmente pelos movimentos verdes. "Os jovens alemães das grandes cidades já não valorizam o carro, mas no Brasil isso ainda é muito forte. É o que chamamos de ‘egomóvel‘, porque não é funcional, é mais um símbolo de status", defende.

O professor critica ainda a mentalidade da classe política, que, segundo ele, associa o transporte público às classes baixas, focando apenas no preço, sem oferecer qualidade no serviço.

"Na visão dos políticos brasileiros, menos de cinco pessoas por metro quadrado significa que a linha está subutilizada. Isso é um absurdo", protesta. Ele diz que é preciso tornar o transporte coletivo mais confortável, o que aumentaria a aceitação entre as classes de maior renda.
 
Engarrafamento em uma das principais vias de São Paulo

Inovações sociais

Gegner acredita que a maioria dos debates sobre mobilidade trata de soluções tecnológicas, quando a inovação deve ser de ordem social. Ele cita como exemplo a bicicleta: “No Brasil ela é vista como lazer e não como transporte. Na Alemanha, as grandes cidades estão cobertas de ciclovias e as pessoas usam a bicicleta para ir trabalhar”.

Por isso, o painel no evento também discutiu a adaptação de projetos de sucesso na Alemanha, como o Car Sharing e o Call a Bike, em que é possível alugar um automóvel ou uma bicicleta por horas ou minutos. “Você procura no celular onde está o ponto mais próximo, busca o carro ou bicicleta, e devolve em outro local da cidade”, explica o professor.

Outro tema abordado no evento é a implementação do veículo leve sobre trilhos, ou VLT, uma espécie de metrô na superfície. De acordo com o especialista, este tipo de transporte é uma solução rápida e barata. "O custo do VLT é muito menor que o do metrô, porque qualquer obra subterrânea é muito cara e lenta. As pessoas associam isso ao bonde de antigamente, mas não tem nada a ver. É um transporte rápido, de massa e confortável”, assegura.

Desde os anos 80, o Brasil passa por um processo de envelhecimento populacional

Envelhecimento populacional

O evento também trata de um fenômeno já conhecido na Europa, mas recente na história brasileira: o envelhecimento populacional. Essa transformação demográfica não deve ser encarada como problema, defende o organizador do evento e o coordenador do Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH–SP), Marcio Weichert. "Nós queremos pensar, neste encontro, no envelhecimento populacional como uma oportunidade de transformar a sociedade e criar tecnologias para uma vida mais confortável e independente na terceira idade", diz.

Desde os anos 1980, o Brasil vem passando por uma transição demográfica, em que as taxas de fecundidade caíram e a expectativa de vida aumentou, explica a pesquisadora da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, Sonoê Sugahara, uma das palestrantes do evento. Com isso, há mais pessoas se aposentando e menos jovens ingressando no mercado de trabalho.

Sugahara aponta que o envelhecimento no Brasil acontece em um ritmo mais acelerado. "Os europeus tiveram entre 30 e 40 anos para se adaptar ao salto de 10% para 20% de idosos na população. Nós vamos ter esta mesma alteração em apenas 20 anos", explica.

O envelhecimento populacional é um desafio para o sistema de previdência brasileiro

Previdência

A mudança demográfica traz desafios para os sistemas de previdência e assistência social. Segundo Sugahara, o modelo brasileiro de previdência é de repartição, ou seja, o que um contribuinte paga é usado na aposentadoria de outro.

Há também o modelo de capitalização, como ocorre na previdência privada, em que a pessoa contribui um valor mensal para ser retirado posteriormente. “No sistema brasileiro, se há mais aposentados que pessoas contribuindo, temos um problema”, afirma Sugahara.

A pesquisadora defende uma reforma previdenciária que, entre outras coisas, determine uma idade mínima para aposentadoria: “Isso já existe no setor público, mas no privado é somente por tempo de trabalho”.

Para ela, isso evitaria uma tendência, que se verifica desde os anos 80, de se aposentar mais cedo. “Além de pararem de trabalhar cada vez mais jovens, as pessoas seguem trabalhando depois da aposentadoria”, justifica.

Construindo pontes

Além de tratar da questão do envelhecimento populacional e da mobilidade, o objetivo do 2° Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, é construir pontes entre cientistas e instituições brasileiras e alemãs.

"Os especialistas se conhecem e podem criar relações acadêmicas de longo prazo e projetos de pesquisa conjuntos", afirma Weichert.

Com o título “Transformação social – Desafios da Ciência e da Pesquisa”, o evento é organizado pelo DWIH–SP e faz parte do Ano Alemanha + Brasil 2013/14, que promove atividades até maio de 2014.

Fonte: Deutsche Welle

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A nova lógica de planejar as cidades

por Natália Garcia, em 26 de setembro de 2013

Uma hora não teve jeito: alguém precisou botar ordem na bagunça. Foi lá por 3.500 a.C que um homem chamado Hippodamus começou a desenvolver técnicas para ordenar as ruas e edifícios das cidades gregas de Mileto e Pireu. Foi assim que ficou conhecido como o pai do planejamento urbano, uma disciplina que se desenvolveu um bocado nos últimos 4.500 anos sem jamais ficar obsoleta. Bem ao contrário, nunca foi tão necessária. Hoje pouco mais da metade das pessoas do mundo mora em cidades e em 2050 estima-se serão 75%. Acontece que o planejamento urbano ainda tem como principal efeito a construção ou reconstrução de espaços (de moradia, mobilidade, lazer, etc) que organizem o crescimento das cidades. É um ofício que ainda tem o foco central na infraestrutura, no hardware. O aspecto que precisa mudar em sua lógica é passar a pensar nos usos diversos para essa infraestrutura, ou seja, criar novos softwares para as cidades.

Tome como exemplo a foto abaixo:

Ponte Estaiada de São Paulo. Foto: Emerson Alecrim – Creative Commons Share Alike

A ponte estaiada de São Paulo é uma infraestrutura pobre (apesar de cara, custou mais de R$ 200 milhões) porque permite apenas um tipo de uso: carros passando. É como se ela fosse um ipad de última geração com um único aplicativo. Não há nenhuma outra forma de usar esse espaço, nenhum outro software rodando nesse hardware. Agora compare-a com essa foto abaixo:

Paris Plage. Foto: Natália Garcia

Essa avenida que corre à beira do rio Sena é convertida durante o verão em um espaço de lazer para as pessoas, a Paris Plage. Um projeto de software que transforma uma via rápida de passagem em um espaço de permanência e contemplação. A grande vantagem de projetos assim é que eles podem testar as vocações das cidades e nortear seu crescimento a partir daí. Como diz Jane Jacobs, “é tolice planejar a forma de uma cidade sem saber que tipo de ordem inata e funcional ela possui”.

Essa regra vale para pequenas e médias cidades em crescimento. Mas se esse planejamento às avessas condenado por Jacobs já foi feito e resultou em um monte de vias para os carros e pouquíssimos espaços para as pessoas, é hora de planejar novos softwares. São Paulo, por exemplo, tem 17 mil quilômetros de vias e se beneficiaria um bocado do projeto que mudou os usos das ruas de Manhatan em Nova Iorque, transformando avenidas emblemáticas como a Brodway e a Times Square em espaços para pessoas.

Placas para pedestres em Nova Iorque. Foto: Natália Garcia

 
Times Square transformada em espaço para as pessoas. Foto: Natália Garcia

Antigas faixas da Broadway que hoje abrigam uma ciclovia, mesas e cadeiras. Foto: Natália Garcia

Reinventar a lógica de trabalho também é função do planejamento urbano. O projeto Working for Utah, por exemplo, mudou a legislação trabalhista do estado americano de Utah, permitindo que a jornada de trabalho fosse dividida em quatro dias e o fim de semana tivesse três. No primeiro ano foram percorridos 5 milhões de quilômetros de carros a menos e economizados quase R$ 3 milhões. Mas o principal é que 85% dos moradores do estado disseram que são mais felizes trabalhando dessa nova maneira.

É só passando a contemplar projetos de software que o planejamento urbano dará conta de moldar cidades para as pessoas. O sociólogo francês Henri Lefebvre enuncia em seu livro A Revolução Urbana o que deveria ser a regra de ouro das cidades: “a função determina a forma, que determina a estrutura”. Temos que parar de apontar esse vetor para a direção contrária: construir estruturas que determinam as formas e uniformizam as funções. Senão seguiremos construindo pontes estaiadas em vez de Paris Plages.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desafio Intermodal e Dia Mundial Sem Carro de 2013


A terceira edição do Desafio Intermodal de Maceió será realizada no dia 17/09/2013.

O evento consiste em percorrer um trajeto pré-definido, na hora do rush, utilizando diversos modais diferentes, para ser feita uma avaliação comparativa entre o tempo gasto por cada um, levando também em consideração a eficiência energética, a poluição emitida e os custos financeiros.

A concentração será a partir das 6h30 e a largada às 7h15, em frente à sede do Ibama (na Gruta de Lourdes). A chegada será na Praça dos Martírios (no Centro), totalizando 5,4 km.

Para a realização do evento, precisamos de voluntários nas seguintes modalidades:

a) a pé (caminhada)
b) a pé (corrida)
c) bicicleta
d) motocicleta
e) automóvel
f) táxi
g) ônibus
h) integração ônibus + trem
i) integração bicicleta + trem
j) cadeira de rodas
k) skate
l) patins

Se você tiver interesse em participar, escreva para bicicletadademaceio@gmail.com informando nome completo, telefone e o modal que pretende utilizar. Informe todos os modais que você tem disponibilidade, para fazermos um remanejamento no caso de alguns modais serem mais procurados e outros menos. Portanto, precisamos de uma segunda ou terceira opção de cada participante.

Veja como foram as edições anteriores do Desafio Intermodal de Maceió: 2011 e 2012.

Você também pode conhecer um pouco mais sobre o Desafio Intermodal de outras cidades buscando no Google.

Participe!

Contamos com sua colaboração!

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No domingo que antecede o Dia Mundial Sem Carro, comemorado em 22 de setembro, haverá um piquenique no Parque Gonçalves Lêdo, a partir das 9 h da manhã. A ideia surgiu de discussão iniciada no grupo DIREITOS URBANOS | Maceió, do Facebook, motivada por este vídeo. O intuito é o de ocupar os espaços que se encontram abandonados ou com pouco uso pela população, mas que são essenciais ao convívio no meio urbano.


Sendo assim, convide seus amigos, família, grupos, etc! Todos são livres para levar o que quiser e realizar qualquer atividade que acharem legal para o momento (violão, oficinas, stencil, slack, patins, skate, bicicleta...), ou só ir pra curtir mesmo!

Este evento não é aleatório, não está isolado, trata-se de um pontapé inicial para que possamos desenvolver um movimento urbano, que vise justamente a ocupação dos espaços públicos com a finalidade de discutirmos e vivermos o futuro que queremos para a nossa cidade.

No dia 22/09, acontecerá mais uma edição do Dia Mundial Sem Carro. A Prefeitura de Maceió planeja realizar um passeio ciclístico partindo da sede da Polícia Rodoviária Federal - PRF, no cruzamento das rodovias BR-104 e BR-316, com destino à Praça Centenário, no bairro do Farol, onde haverá interrupção do trânsito de automóveis para a realização de atividades lúdicas.

Para quem nunca ouviu falar no Dia Mundial Sem Carro, trata-se de uma iniciativa que surgiu na cidade de La Rochelle, na França, em 1998, e espalhou-se por outras cidades europeias e de todo o mundo. A cada ano, mais cidades aderem ao Dia Mundial Sem Carro.

O objetivo da data é incentivar os motoristas a deixarem o carro em casa por pelo menos um dia no ano, com o intuito de provocar a reflexão sobre a dependência que nós (e nossas cidades) temos do automóvel. Com isso, deve-se buscar alternativas, como o transporte coletivo, a bicicleta ou o próprio caminhar, para então observar como nossa cidade seria mais agradável se mais pessoas aderissem à essa iniciativa também em outros dias do ano.

Caso você não consiga deixar o carro em casa num único dia do ano, reflita sobre a sua dependência do automóvel. Essa foi uma escolha sua ou de pessoas que estão enriquecendo bastante à custa da degradação de nossas cidades?


"se esses idiotas fossem de ônibus, eu já poderia estar em casa"

 
Veja um resumo das edições de 2010, 2011 e 2012 do Dia Mundial Sem Carro.

Participe!

Tente se libertar do carro por pelo menos um dia no ano!
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O que se pode carregar numa bicicleta?

Tudo. Ou quase tudo. O ciclista urbano Moacir Pedrosa produziu uma galeria de fotos de sua bike carregada com aquilo que transporta no dia a dia, de marmita a cavalinho de madeira.

por Sabrina Duran, em 28/08/2013

os resultados de um exame de tomografia computadorizada e de exames laboratoriais (Foto: Moacir Pedrosa)

Pode-se levar muita coisa no bagageiro de uma bicicleta. Muita coisa mesmo. As compras do mercado, livros, equipamentos eletrônicos, garrafa de vinho, roupa de trabalho, marmita, fralda, cavalinho de madeira, gente e até outra bicicleta.

Para quem ainda resiste em adotar esse modal de transporte por receio de perder a praticidade do carro, o ciclista Moacir Pedrosa, de Maceió (AL), mostra que a praticidade não se perde com a bike, só fica mais criativa. Ele fez uma série de fotos com sua bicicleta carregada com as coisas que leva e traz todos os dias, de casa ao trabalho e em momentos de lazer. A lista citada no início desse texto é dele. E além daqueles itens há outros tantos que ele acomoda com destreza no seu bagageiro.

A bicicleta nos oferece menos espaço para levar objetos, é verdade. Mas isso não nos impede de carregá-los. A diferença entre carregar a vida em um carro ou num delgado bagageiro é que, no segundo caso, a circunstância nos faz ser mais objetivos. Levamos só aquilo que é essencial, e deixamos para trás tudo o que é peso inútil. A vida em cima de uma bicicleta não é só mais ágil como também mais leve.

 
mamão formosa, banana prata, mangas rosas e tangerinas (Foto: Moacir Pedrosa)

lixo reciclável (Foto: Moacir Pedrosa)

 
2 edredons de casal (Foto: Moacir Pedrosa)

 
fio dental, desodorante, leite em pó, biscoitos, impressões em A3 e 20 metros de corda (Foto: Moacir Pedrosa)

 
caixa plástica de 38 litros (Foto: Moacir Pedrosa)

 
tonner, banana, mamão formosa, caquis, tangerinas e uvas (Foto: Moacir Pedrosa)

 
1 bicicleta (Foto: Moacir Pedrosa)
 
 impressora, servidor de impressão, cabo paralelo, fontes de energia, caixas de som e telefones celulares (Foto: Moacir Pedrosa)

 
sal, pepino, alface, abacate, mamão formosa, banana, abacaxis, pêras, laranjas cravo, laranjas pêra e uvas (Foto: Moacir Pedrosa)


camisa de manga longa, gravata e marmita térmica (Foto: Moacir Pedrosa)
 
25 caixas de Nexium 20mg e 48 caixas de Crestor 10mg (Foto: Moacir Pedrosa)
 
uma bolsa com as roupas do trabalho, shampoo, cavalinho de madeira e 152 fraldas descartáveis (Foto: Moacir Pedrosa)
 
   
uma bolsa com camisa de manga longa, gravata e uma capa para chuva e uma sacola com 24 livros balancetes de contas do condomínio (Foto: Moacir Pedrosa)
 
uma criança (Foto: Moacir Pedrosa)
 
 
corda para varal, presente do dia dos namorados e 2 garrafas de vinho (Foto: Moacir Pedrosa)
  
Fonte: Revista Época
  

sábado, 24 de agosto de 2013

Cicloviagem pelo sul da Alemanha

 
* por Maria Cecilia Setton
 
Em junho desse ano, eu e meu marido Eduardo fizemos uma fantástica viagem de bicicleta pelo sul da Alemanha durante cinco dias. A ideia de fazer essa viagem de bike surgiu bem ao acaso: marcamos nossas férias e decidimos ir para Alemanha passar 13 dias por lá. Como pedalo com bastante frequência em Maceió e já havia conversado com algumas pessoas que fazem cicloviagens pela Europa, me veio a ideia de fazer parte dessa viagem de bicicleta. A primeira coisa que fiz foi procurar informações na internet sobre passeios e viagens de bicicleta pela Alemanha. Não esperava que fossem aparecer tantas opções de empresas que prestam esse tipo de serviço. A partir daí já comecei a perceber como a utilização da bicicleta é valorizada e priorizada nos países desenvolvidos, bem diferente do Brasil. Depois de pesquisar bastante, entrei em contato com a empresa Bike Tours Direct (BTD) para obter mais detalhes sobre as rotas de bike. Escolhemos uma rota de cinco dias, pelo sul da Alemanha, saindo da cidade de Würzburg até a cidade de Donauworth, cuja operação seria da empresa local Velotours. Essa rota corresponde a um trecho da famosa Rota Romântica, um passeio obrigatório para quem visita o sul do país. O pacote que fechamos com a Velotours (através da BTD) incluía aluguel das bikes, hospedagem em todas as cidades, transporte das nossas bagagens de uma cidade para outra e os mapas da rota. Detalhe: nossa viagem seria self-guided, ou seja, somente Eduardo e eu, sem nenhum guia. No total pagamos 600 euros por pessoa. Alguns dias antes da viagem, recebi vários e-mails da BTD com informações sobre os hotéis, dicas sobre o passeio, informações sobre as bicicletas etc. Tudo muito bem explicado. Troquei vários e-mails com eles e sempre foram muito atenciosos.
 
Já estávamos na Alemanha havia dois dias quando chegamos à primeira cidade da cicloviagem (que também é a cidade de entrada para a rota romântica): Würzburg. Ao chegar ao hotel reservado pela BTD, nossas bikes e os mapas da rota já estavam lá nos aguardando. Nesse primeiro dia, fizemos um passeio pela linda cidade de Würzburg, onde bicicletas, carros, ônibus e pedestres convivem em perfeita harmonia.


 Mapas e informações fornecidos pela Velotours

 
Palácio Residenz em Würzburg

No dia seguinte, saímos de Würzburg com o objetivo de completar os 65 km até o primeiro destino: a cidade de Bad Mergentheim. No começo ficamos um pouco atrapalhados com o percurso, pois fiz uma modificação na rota fornecida pela empresa e as placas de sinalização das rotas de bicicleta ainda não estavam aparecendo. Mas nada grave, apenas demoramos um pouco mais do que o esperado no percurso. Depois dos primeiros 15 km começaram a aparecer as placas das rotas exclusivas para bicicletas. A partir daí nem mesmo os mapas eram mais necessários, pois a sinalização era excelente. A maioria do percurso foi feito em ciclovias exclusivas, longe das rodovias e cortando florestas, pastos, plantações e pequenos vilarejos. Apenas em alguns trechos, andamos por vias secundárias compartilhadas por carros. Ainda assim, era raro ver um carro passar e quando isso acontecia, os motoristas diminuíam a velocidade e tomavam uma distância enorme dos ciclistas. Respeito total!

Placas das rotas de bicicletas informando as distâncias e direções

Ciclovia em meio à plantação de trigo
 
 
Trilha no meio da floresta

Chegamos a Bag Mergentheim após 8 horas de viagem, pois era impossível não parar a cada 2 km para apreciar as belezas dos lugares e tirar milhões de fotos. Fizemos uma parada mais longa no meio do dia para almoçar em uma das charmosas cidadezinhas da rota romântica, cujo  nome é impronunciável (Tauberbischofsheim).

Parada para o almoço em Tauberbischofsheim

Nosso destino no segundo dia era a cidade mais famosa da rota romântica, Rothenburgob der Tauber. Essa cidade, assim como várias outras da região, ainda preserva a arquitetura e o clima de cidade medieval e nos dá a impressão que voltamos no tempo. Até hoje a cidade é cercada por um muro, construído na idade média para protegê-la de ataques inimigos.

Entrada da cidade de Rothenburg ob der Tauber

Praça principal (Marktplatz) de Rothenburg

O clima estava muito agradável nesse dia, não choveu nem fez muito calor e o passeio de 55 km foi fantástico.


No terceiro dia sofremos um pouco com a chuva que, apesar de não ser muito forte, nos acompanhou durante quase todo o percurso. Apesar do frio, pedalar debaixo de chuva também foi uma experiência sensacional. Depois de 65km, chegamos em Dinkelsbühl, cidade muito charmosa e bem mais calma que Rothenburg, sem aquela loucura de turista pelas ruas.


 
Chegada em Dinkelsbühl debaixo de chuva

Nos dois últimos dias, os percursos eram um pouco mais curtos e  os fizemos em menos tempo, assim deu para aproveitar mais as cidades.  Nosso último destino foi a cidade de Donauworth e, para fechar com chave de ouro, a BTD nos reservou o melhor hotel da viagem, super aconchegante e localizado na parte alta da cidade, de onde se via paisagens incríveis. Ao chegar no hotel, devolvemos as bikes e aproveitamos o resto do dia no hotel, com aquela sensação de dever cumprido e ao mesmo tempo saudades dos momentos vividos. 

Sem dúvida, essa experiência foi única em nossas vidas. Conhecemos o país de uma forma muito peculiar e intimista, vivenciamos a verdadeira cultura do local e o estilo de vida das pessoas, sem a influência do comum “feito para turista ver” que encontramos nas grandes cidades. Recomendo a todos!


Margem do rio Wornitz

 
Vista do Park Hotel em Donauworth
 

  

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Vagas de carro se transformarão em áreas de convivência em SP

Parklet em Oakland, EUA Parklet em Oakland, EUA

por Romullo Baratto

Entre os dias 15 e 18 de agosto, duas vagas da Zona Azul de São Paulo serão transformadas em áreas de convivência semelhantes a pequenas praças, inspiradas nos “parklets” americanos. Serão ocupadas duas vagas em diferentes locais da cidade, uma na rua Amauri, no bairro Itaim Bibi, e outra na rua Maria Antônia, em Higienópolis.

 Os idealizadores do projeto, do Instituto Mobilidade Verde, preferem o nome “zona verde”, em contraponto à Zona Azul do sistema de estacionamento. As mini-praças serão equipadas com bancos, estacionamentos de bicicletas, vegetação e iluminação através de energia solar. Todos os materiais utilizados no projeto são certificados.

O local onde comumente pára o carro se transformará em um lugar de encontro e trocas entre pessoas, provocando um debate sobre o uso dos espaços da cidade, ditos públicos.


Em outubro haverá uma segunda etapa do projeto, com zonas verdes espalhadas por 20 pontos da cidade durante um mês inteiro, fazendo parte da Bienal de Arquitetura. Segundo o grupo, o objetivo é que, se a resposta do público for positiva, a criação destes espaços passe a ser uma política da própria administração.

Esta é a espécie de iniciativa de curto prazo que, para um olhar superficial, pode significar apenas uma provocação e “menos duas vagas”, entretanto, além dos benefícios aos pedestres e ciclistas - que dispõem de um local confortável para se sentar e se reunir -, ela aumenta o movimento do comércio circundante, já que as pessoas consomem mais quando há um lugar para descansar em segurança, segundo uma pesquisa sobre intervenções semelhantes realizadas e Nova Iorque.

Os responsáveis pela iniciativa são José Marton, Vanessa Espínola, Pedro Useche, Paulo Alves, SuperLimão Studio e André Cruz, ligados ao grupo Design OK, e Helena Camargo e Guilherme Ortenblad.

Fonte: archdaily

Veja mais detalhes em mobilize.org

 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Prefeito ciclista de Roma fecha avenida do Coliseu para carros


Uma das ruas mais movimentadas de Roma, que circunda o Coliseu, foi bloqueada para o tráfego de carros neste sábado. A ação foi um primeiro teste no plano de transformar a avenida numa área apenas para pedestres - e, claro, irritou muito os motoristas da cidade. O prefeito Ignazio Marino, no entanto, afirma que a iniciativa é importante.

"Precisamos decidir se queremos carros ou valorizar nossos monumentos", disse Marino, que adotou um estilo distinto desde a sua eleição, há dois meses, ao ir de bicicleta para compromissos. "Eu não acho que qualquer outra cidade no mundo (...) teria transformado o Coliseu, provavelmente o mais famoso monumento do planeta, em uma rotatória."

A arena de 2 mil anos, onde gladiadores lutavam batalhas sangrentas para o entretenimento de grandes multidões, foi escurecida pela fumaça do tráfego pesado que durante anos passou perto de suas paredes. O objetivo do prefeito é, eventualmente, transformar toda a área em um parque arqueológico.

O fechamento atinge a maior parte da estrada Fori Imperiali, de 1,1 km do Coliseu até o monumento gigante de mármore Victor Emaneule. O local ficou imortalizado pelo passeio de scooter de Audrey Hepburn e Gregory Peck no filme "A princesa e o plebeu", de 1953.

Por enquanto, táxis e ônibus ainda podem passar pela via que liga a Piazza Venezia ao Coliseu. A implantação do estágio experimental acontece em agosto, quando os moradores da cidade fogem do calor da capital.

Um grupo de extrema-direita disse que a medida será tomada "às custas das poucas lojas antigas e pequenos negócios já atingidas pela crise financeiras e pelos impostos". O argumento é péssimo. Há vários exemplos de áreas de comércio revitalizadas graças a medidas desse tipo. As pessoas passando a pé ou de bicicletas, afinal de contas, tem maior proximidade com as lojas de rua que alguém dentro de um carro. Neste link há um bom artigo sobre o que aconteceu em Nova York.

Fonte: Blog de Bike