Have an account?

domingo, 10 de março de 2013

Londres mostra como fazer a bicicleta coexistir com o carro


Para os brasileiros, a capital britânica é exemplo ainda melhor que as mecas das duas rodas, como Amsterdã - afinal, a metrópole também teve de se adaptar a uma nova realidade, com uma presença maior de ciclistas nas vias

Nos restaurantes de Londres, não é raro ouvir a expressão "go Dutch" no momento em que a conta chega à mesa. A referência é ao habito holandês de sempre dividir as despesas por igual, independentemente de sexo. Recentemente, no entanto, o termo ganhou outra conotação na capital inglesa. "Go Dutch" é a expressão utilizada pela ONG London Cycling Campaign para descrever o tipo de políticas públicas que os ciclistas querem para a metrópole. Comparada às cidades holandesas, Londres está muito longe de ser uma cidade amigável para quem se desloca sobre duas rodas - e por isso mesmo pode servir de exemplo para as cidades brasileiras, onde alcançar o índice de uso da bicicleta em Amsterdã por ora não passa de utopia. "É claro que quando você compara Londres a algumas cidades europeias, não vamos bem. O número de pessoas que utiliza a bicicleta é bem menor, e a razão é porque elas têm medo. A diferença é que, em Londres, na maior parte do tempo você tem que dividir a rua com os carros, enquanto na maioria das cidades da Holanda ou Dinamarca você tem ciclovias", diz Mike Cavennet, diretor de comunicação da London Cycling Campaign.

Pedalar em Londres pode ser uma aventura para um ciclista holandês, mas para um brasileiro parece um verdadeiro paraíso. Além de haver mais ciclovias e sinalização para os ciclistas, na maior parte da cidade carros e bicicletas dividem o mesmo espaço. A diferença fundamental está na maneira como os veículos, de maneira geral, tratam a bicicleta como parte do trânsito - e não como corpos estranhos, como no Brasil. Basta notar que na capital inglesa os ciclistas podem (e são encorajados a) utilizar a faixa exclusiva dos ônibus, como opção mais segura, enquanto nas cidades brasileiras não seria algo aconselhável. O sistema público de aluguel de bicicletas, lançado em 2010, tem se mostrado um verdadeiro sucesso. O relevo da cidade, plano em sua maior parte, também contribui.

Além de melhorar a infraestrutura das ruas para torná-las mais seguras aos ciclistas, é igualmente necessário investir em educação. O Código de Trânsito Brasileiro já contempla de maneira bem abrangente os ciclistas, deixando claro que eles têm direitos e deveres, mas o fato de que a lei raramente é aplicada inibe muitos ciclistas de utilizarem a bicicleta como transporte, e não apenas como lazer. "Eu diria que o mais urgente é a educação. A infraestrutura também é um problema, mas a educação seria a maneira mais rápida de dar uma resposta ao problema e dar início à mudança. De nada adianta você melhorar a infraestrutura se as pessoas não estiverem preparadas", diz o advogado Rafael Monteiro de Oliveira, 32 anos, que há dois anos utiliza a bicicleta como meio de transporte em São Paulo. Desde 2011 ele é instrutor do grupo Bike Anjo, que oferece treinamento a ciclistas que querem aprender a pedalar de maneira segura em cidades de todo o país. "O primeiro passo é educar motoristas e ciclistas. O motorista deve entender que a bicicleta não é um brinquedo ou forma de lazer, e sim um meio de transporte, que deve ser respeitado como tal. E o ciclista precisa saber que também deve cumprir as leis do trânsito, respeitar a sinalização e dar prioridade ao pedestres", diz.

Um estudo feito em 2010 pela Transport for London - órgão responsável pelo transporte na capital inglesa - mostrou que em cerca de um quarto dos acidentes envolvendo bicicletas e outros veículos naquele ano a responsabilidade podia ser atribuída aos ciclistas, por erros como falta de cuidado. Em apenas 5% dos casos os acidentes foram causados porque os ciclistas infringiram alguma lei de trânsito - como avançar um semáforo, por exemplo. Nas cidades brasileiras, a falta de vias adequadas e a agressividade do trânsito também faz com que muitos ciclistas deixem de cumprir o que a lei prevê - como utilizar a calçada somente quando esta for adaptada ao uso de bicicletas, por exemplo, para não colocar em risco os pedestres. Trafegar pela contramão ou falar ao celular enquanto se pedala, por exemplo, são atitudes tão perigosas para o ciclista quanto para quem o faz atrás de um volante.
 
Fonte: Veja Online

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Transporte gratuito


Tallinn é primeira capital europeia com transporte público grátis

Tallinn, na Estônia, se tornou em 2013 a primeira capital europeia com transporte público gratuito para todos os seus habitantes, uma forma de reduzir os engarrafamentos e a contaminação.

Desde o começo do ano, os moradores da cidade têm que apresentar um novo cartão ao embarcar em ônibus, bondes ou trólebus, mas o trajeto é totalmente gratuito.

"Ainda é tão novo que muitas vezes me esqueço", admitiu à AFP Pavel Ilmajarv, um jovem de 19 anos, ao embarcar em um ônibus no centro da capital estoniana. "Antes, tinha um cartão mensal e não precisava apresentá-lo toda vez. Mas não vou me queixar: a gratuidade dos transportes é superprática, adoro", afirmou,

A gratuidade é reservada aos 420 mil moradores de Tallinn. Só é preciso pagar dois euros pelo cartão magnético pessoal que comprova a residência.

"Tivemos esta ideia há um ano e constatamos que nas primeiras semanas o número de pessoas que usa os transportes públicos aumentou, portanto decidimos aumentar o número de ônibus em serviço", afirmou à AFP o prefeito adjunto de Tallinn, Taavi Aas. A metade dos moradores da capital já utilizou o novo sistema, segundo a prefeitura.
Mas para o município, a gratuidade tem um custo. "Este ano, ficaremos sem os 12,4 milhões de euros da venda de bilhetes, uma soma que cobriria 23% da totalidade dos custos do transporte público de Tallinn", explicou Toomas Pirn, porta-voz da prefeitura.

"Uma parte deste valor será compensada pelo aumento dos impostos correspondentes à chegada de novos moradores. Este ano, a população aumentou em 3.686 pessoas e continua aumentando", acrescentou.

Muitas pessoas que até agora declaravam sua residência de verão como a principal se registraram em Tallin para poder se beneficiar da gratuidade dos transportes e assim contribuem para aumentar os ganhos do município, pagando impostos localmente.

O objetivo da operação é lutar contra os engarrafamentos e a contaminação.

"Esperamos limitar o número de veículos em circulação na cidade e reduzir a contaminação do ar. Segundo os estudos, os veículos são os maiores contaminadores em Tallinn", afirmou Pirn. a

domingo, 20 de janeiro de 2013

Revista Época - edição 765



A revista Época desta semana traz histórias de quem decidiu abrir mão do carro particular nas metrópoles brasileiras. Compre nas bancas ou clique aqui para ler trechos das matérias.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Classe média


dica 030 - Praticar o "cada um por si" no trânsito
publicado no blog Classe Média Way Of Life

Para quem quer se comportar como a Classe Média brasileira, um ótimo ambiente de observação é o trânsito de nossas grandes cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores deste peculiar grupo social.

O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individual prioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da Classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (este ponto já é bem mais fácil de entender).

Para encarar o trânsito, cada cidadão da Classe deve estar equipado com seu carro. Se uma moradia médio-classista possui, por exemplo, 4 habitantes em idade para serem condutores, o ideal é que ali haja 4 carros. O carro é uma importante propriedade desses cidadãos, e seu interior é seu mundo particular, uma extensão de sua casa sobre rodas. Por isso, o carro para este público precisa ser equipado com "insulfim", equipamento de som, ar-condicionado e lugar para no mínimo cinco passageiros (para levar objetos e peças de vestuário, uma vez que raramente o carro do médio-classista trafega com mais de uma pessoa além do motorista). Tudo isso garante que o que realmente importa (o mundo particular do condutor) esteja muito agradável, a fim de evitar o contato com o mundo exterior, totalmente desprezível. Para este, há um mecanismo de comunicação denominado buzina.

Você, aprendiz de médio-classista, precisa aprender que, para ser da Classe, é necessário se revoltar com as atuais condições do trânsito. Assim, no seu papel de cidadão politizado e pagador de impostos, deve exigir das autoridades que abram espaço na cidade para mais carros. Que desapropriem, botem a cidade abaixo, mas garantam a duplicação das vias até resolver o problema (o que provavelmente será quando a cidade for um grande plano de asfalto). Fique revoltado também pelo fato de o Governo se preocupar mais em, violentamente, coibir seu direito sagrado de ingerir álcool, do que abrir mais acessos pro seu carro trafegar mais rápido.

Também é preciso aprender a se comportar neste ambiente. Se você quiser se parecer realmente com alguém da Classe, ande sempre na frente dos outros. Se alguém sinalizar que quer mudar de faixa e ficar à sua frente, mesmo que você esteja um pouco longe, acelere loucamente para passar à frente dele antes que ele realize a manobra. Logo, sabendo que todos agirão assim, dispense o uso da seta (pode até pedir o mecânico para desativar a sua). Você não tem que dar satisfações sobre pra que lado vai virar ou se quer ou não mudar de faixa.

Portanto, aspirante, o primeiríssimo passo para entrar na Classe é abandonar o transporte coletivo, o metrô e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte coletivo você está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é "só seu". É muito melhor que você trafegue dentro de sua bolha de vidro e metal, "privatizando" (aprenda a adorar esta palavra) cerca de 10m² do espaço público, com uma máquina de 1000kg que queimará petróleo para transportar uma pessoa de 70kg, a fim de garantir seu merecido bem-estar até seu destino. Você tem direito, você é da Classe Média.

________________________________

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

E se Niemeyer tivesse pedalado?

 
"O mais importante não é a Arquitetura, mas a Vida, os Amigos e este Mundo injusto que devemos modificar"

Arquiteta e brasileira que sou, devoto profundos admiração e respeito por Oscar Niemeyer e sua obra. Estou triste, de luto mesmo pois ele se foi.

Sou formada pela FAU Mackenzie, turma de 1977 e estudei muito a obra de Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Corbusier e outras tantas lendas. Nunca nos foi dada qualquer chance a crítica ou questionamento.

Esses arquitetos nos foram apresentadas como “os senhores absolutos” da verdade arquitetônica, da estética e da modernidade; inquestionáveis.

Nossa geração seguiu a fundo os dogmas do planejamento urbano calcado em amplos espaços, avenidas maravilhosas, edifícios magníficos, prédios soltos, sem vizinhos, comércio segregado, tudo grande e longe.

O lema era a total transparência da forma, esta determinada pela função. Pilotis soltos, o livre rabisco, curvas, enfim, aprendemos a escancarar a função no desenho, mas nunca pudemos questionar a quem serviria tanta beleza arquitetônica, se nela seria agradável de se viver ou mesmo se esses edifícios e essas cidades seriam sustentáveis, na escala de um ser humano ou inclusivas.

Niemeyer era amigo pessoal de Juscelino Kubistchek, o “presidente bossa nova”, mentor e patrocinador de Brasília, aquele que trouxe ao Brasil a indústria automobilística e nos conduziu a “modernidade”.

Niemeyer era de esquerda, comunista de carteirinha, sempre clamou por igualdade. Havia em seu escritório um cartaz escrito em próprio punho algo no estilo, “enquanto eu vir desigualdade, serei um comunista”.

Brasília é uma cidade projetada para quem tem cabeça tronco e rodas motorizadas, sendo que – posso estar enganada – nunca vi dessa turma de arquitetos e urbanistas, uma reflexão do quanto suas cidades não promoveram a igualdade que tanto pregavam. Muito pelo contrário, essas cidades segregam.

As cidades satélites de Brasília são prova viva que que algo deu errado. Nossa capital de cara não previu a moradia de quem a construiu, a moradia da mão de obra, dos trabalhadores, daqueles que precisam vir ao centro todos os dias trabalhar.

Brasília nasceu insustentável no quesito mobilidade urbana. Nasceu sob uma ótica nada “comunista” se formos associar a esse termo, uma política pública que promova a igualdade e a integração de uma população, independente da classe social.

Brasília é plana, ampla, com largas avenidas e seus gestores poderiam ter feito uma mea culpa muito rápida, trazendo a moradia de trabalhadores para próximo do centro e uma estrutura cicloviária, sem falar em calçadas.

Brasília não tem calçadas.

Mas não, nunca sequer se cogitou algo pelo estilo. Sucumbiu-se a especulação imobiliária, ao modelo de carrodependente, sendo que não conheço cidade melhor para virar a sua própria mesa.

Me pergunto o que teria sido se Oscar Niemeyer, Lucio Costa e tantos outros tivessem pedalado como meio de transporte na década de 70, 80, quando o partido verde fez a sua revolução na Alemanha, influenciando a Dinamarca e os Países Baixos.

Teriam eles sacado aonde está o buraco da desigualdade social de nossas cidades?

Essa eterna necessidade e de se dar aos carros mais e mais espaço e em decorrência expulsar a classe trabalhadora dos centros? A degradação urbana decorrente, viadutos, pontes, marginais, congestionamento, poluição, barulho, mortes, doenças, isolamento de pessoas enclausuradas, transporte público ineficientes?

Um dia eu perdi a chance de expor em pessoa ao próprio Niemeyer essa análise tão fácil de entender pelos que se livraram do carro em centros urbanos.

Era no verão de 96 / 97, estava eu a correr a pé pelas redondezas do parque Ibirapuera, procurando o meu cão que havia fugido de minha casa e sumido pela região.

Vejo uma comitiva de pessoas que eu conhecia, caminhando pela Av. Quarto Centenário e nesse grupo, o próprio Niemeyer.

Atravessei a rua e fui conhece-lo, já com seus 89, 90 anos.

Eles estavam inspecionando o Parque por ele projetado e foi nessa época que decidiram construir o Teatro que já fazia parte do conceito original.

Depois que eu me apresentei ele me perguntou: “—Mas o que você faz aqui?”.

Expliquei-lhe sobre o Milú, meu cão pastor, muito do tonto. -“Fugiu de casa com outros dois que já retornaram e ele não”.

Niemeyer na sua mansidão me respondeu:
—”Pois eu vi o seu cão menina, ele está lá no Manequinho Lopes, ele está rodando no estacionamento. Aproveite e diga ao meu motorista, você vai vê-lo, para vir aqui me buscar, pois eu estou cansado de caminhar’

Dito e feito, lá estavam o Cão Milú, ao seu lado o motorista!

Devo mais essa a esse ilustre brasileiro!

sábado, 17 de novembro de 2012

Assassinato a 4 rodas

por Matheus Pichonelli

A maioridade ocorre quando passamos a andar com quatro rodas (ou patas). Para agir como animal, falta só pagar a fiança. Foto: Agência Brasil

Nas sociedades indígenas, a passagem para a vida adulta é um grande evento. Muitas vezes os rituais são marcados por testes que envolvem dor e paciência, como acontece nas tribos sateré-mawé, que vivem entre o Amazonas e o Pará. Ali, antes de se tornarem homens, os indiozinhos são obrigados a colocar a mão numa luva tomada por formigas tucandeiras. Se resistir 15 minutos, será homem.

Nas aldeias de concreto e asfalto, o batismo para a maioridade coincide com o momento em que deixamos de ser bípedes e nos tornamos quadrúpedes, numa espécie de salto na linha evolutiva. O ritual acontece entre os 17 e 18 anos, quando os anciãos nos levam para os arrebaldes da cidade e emprestam as chaves dos seus carros. A instrução é mínima: engata aqui, coloca o pé ali (quando já alcançamos os pedais), olha sempre para o retrovisor. Numa conversão mágica entre líquidos arrancados do seio da terra (ou da camada de pré-sal) e a atmosfera de gás carbônico, passamos finalmente a andar com as próprias rodas.

A sensação de liberdade é concluída meses depois, quando pagamos para que alguém nos ensine educação no trânsito. Para alguns, é como tirar porte de arma, embora alguns prefiram retirar o documento no mercado clandestino – porque uma das características do bom quadrúpede é a pressa. Seja como for, a ideia de liberdade tem lá sua relação com as luvas das tucandeiras. A diferença é que as picadas levam mais de 15 minutos: “Se passar na faculdade, compro um desses pra você”. Ou: “Empresto o meu desde que você passe de ano”. Ou: “Compro, empresto, financio pra você, desde que você desfile na rua do vizinho”.

Quando nos tornamos quadrúpedes, ganhamos acesso a eventos e lugares que nos pareciam distantes até os 18 anos, como motéis, clubes e baladas. Já não precisamos combinar horários de saída ou chegada. Nem esperar a reabertura do metrô às quatro e meia da manhã. A liberdade de ir e vir é conquistada, dessa forma, por um novo contrato social, selado a partir da benevolência (e patrocínio) dos pais. Aos 18 anos, aprendemos a ser livres antes mesmo de saber lavar as próprias meias.

Quadrúpedes de carteirinha, passamos finalmente a atuar no papel que esperam de nós. Num tempo de diálogos truncados, em que a polifonia de vozes na multidão anula os traços da personalidade que grita, lotamos de adesivos e rodas rebaixadas os automóveis que falarão por nós. Já não protestamos; buzinamos. Não corremos, aceleramos. Não agredimos, damos cavalos de pau. Cada um a seu jeito, para se fazer notar na multidão que se espreme em espaços cada vez mais reduzidos nas mesmas ruas, as mesmas zebras que protegem os bípedes e suas limitadas ideias sobre liberdade.


Veículos apreendidos pelo Detran que seriam leiloados, em março, graças ao mal comportamento dos quadrúpedes. Foto: Agência Brasil

Para ser quadrúpede, vale a pena deixar de comer, beber, viajar (ironia) para financiar o carro zero. Há, do lado de fora, uma indústria automobilística que entope, com benefícios governamentais, nossas ruas e povoam nossos fetiches: até 2014, haverá um carro para cada 4 habitantes no Brasil, embora, no mesmo País, apenas uma a cada duas pessoas tenha acesso a esgoto. As ruas não se multiplicam com a mesma velocidade das esteiras rolantes, mas a ideia de transporte coletivo é quase um retorno à idade média: por que colocar 60 bípedes num mesmo ônibus se eles podem se multiplicar, no conforto do ar condicionado, em 60 quadrúpedes solitários?

Na passagem pela maioridade, o ensinamento nada tem a ver com espaço, e sim com conquista. As patas são quatro, mas o bem é individual – à imagem e semelhança de seus donos. Tanto que, em alguns casos, já não se sabe quem é quem: ao deixar as quatro rodas, há quem siga andando de quatro, como o caso do dono do Camaro que atropelou duas mulheres e bateu em pelo menos dois carros na volta da balada, num saldo de quatro feridos e um morto.

Veloz e furioso, só parou no último acidente, quando voou direto para a delegacia e foi socorrido pelo papai, que bancou os 245 mil reais de fiança. Quadrúpede que é quadrúpede não fica mais de três dias na prisão.

 
__________________________________________
 

sábado, 20 de outubro de 2012

Pedalar + caminhada = mais dinheiro gasto no comércio local


Promover a bicicleta e caminhadas significa mais lucro para lojas e restaurantes locais, não importa de que local do país você está pedalando e/ou caminhando.

Isso não é um sentimento subjetivo ou mero achismo, como foi constatado.

Em Nova York, uma pesquisa dos compradores em East Village, produzido pela Transportation Alternatives, conclui que os residentes e visitantes em East Village de Manhattan “dependem muito da bicicleta e do transporte público para chegar no bairro e transitar por ele.”

O estudo diz ainda que as pessoas que utilizam estes modos de transporte é que “gastam a maior parte dos dólares que circulam no comércio, e estão crescendo em número, graças à implementação de ciclovias protegidas e melhoria da segurança de pedestres ao longo da Primeira e Segunda Avenidas.” Estas comodidades são populares entre os moradores e visitantes, acrescenta, “e encorajam mais mulheres a andar de bicicleta, ou se sentem propensas a fazê-lo.”

 
1ª Avenida, East Village, Manhattan, Nova Iorque

TransAlt recomenda que os empresários locais e o Departmento de Transportes de Nova Iorque continuem a apoiar a expansão da rede cicloviária de Nova Iorque, incluindo “uma rede mais robusta de ciclovias protegidas e mais estacionamento de bicicletas.”

O estudo é um retrato dos padrões de viagem e gastos de residentes e visitantes no East Village. Foram incluídos na pesquisa os seguintes pontos:
 
  • Despesa semanal agregada dos usuários do transporte público e transporte não motorizado são responsáveis por 95% de dólares gastos no varejo na área de estudo.
  • Motoristas e usuários de transporte motorizados gastam apenas 5% dos dólares de varejo total no bairro.
  • Ciclistas e pedestre têm o maior gasto per capita semanal, US$ 163 e US$ 158, respectivamente, em empresas locais. Usuários de carro e metrô gastam menos, US$ 143 e US$ 111, respectivamente, embora o volume de passageiros do metrô coloca esse modal em primeiro lugar no valor total gasto em cada modo de transporte.
  • Pessoas que costumam fazer seus deslocamentos a pé ou de bicicleta, visitam o bairro com mais frequência. 61% dos caminhantes e 58% por cento dos ciclistas visitam o bairro mais de cinco vezes por semana, em comparação com 44% dos condutores e 34% de passageiros do metrô.

“Ruas que promovem a bicicleta e a caminhada significa mais negócios para lojas e restaurantes locais”, disse Paul White Steely, Diretor Executivo da ONG Transportation Alternatives. “Quando se trata do impacto das ciclovias sobre as empresas locais, é um caso de” se você construir, eles virão. “Não é nenhuma surpresa que no East Village, que é lar de algumas das melhores políticas de segurança das ruas da cidade, ciclistas e pedestres desempenham um papel fundamental na economia local. ”

Portland, OR é uma cidade completamente diferente e a situação ciclismo da Manhattan densamente povoada, onde a maioria das pessoas tem que ser ciclista, pedestre ou usuário do transporte público em vez de condutores de automóveis para conseguir se locomover.

Portland não é nem de perto tão populosa, mas andar de bicicleta é o principal estilo de vida na cidade mais amiga da bicicleta do país. Ela tem um grande impacto na economia da cidade e sua infraestrutura, de acordo com pesquisadores da Universidade Estadual de Portland, incluindo Kelly J. Clifton, Professor Associado de Engenharia Civil e Ambiental.

Um artigo recente da TR News por Clifton, e sua equipe “Ciclos de Negócios, atendendo o mercado Bicicleta”, descobriu que, enquanto os motoristas de carros gastam mais em supermercados e restaurantes do que os outros modos de transporte, os caminhantes, ciclistas e usuários do transporte público visitam os locais com mais frequência, e assim, no espaço de um mês, gastam mais.

“Os ciclistas são gastadores maiores, em média”, Clifton escreve. “Os consumidores que chegam de automóvel não necessariamente transmitem maiores benefícios monetários para as empresas do que ciclistas, usuários de transporte público, ou pedestres. Este achado é contrário ao que os empresários muitas vezes acreditam.”

Estes relatórios transcontinentais percorrem um longo caminho para dissipar a noção de que pensar seu negócio voltado para o carro é de alguma forma melhor ou mais preferível economicamente. Além disso, se você estiver andando ou de bicicleta você não está gastando uma parcela significativa do seu rendimento disponível em combustível e também está beneficiando a sua saúde e o meio ambiente.

Artigo publicado originalmente em inglês por Bill DiBenedetto na TriplePundit.