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terça-feira, 12 de junho de 2012

9ª reunião no Ministério Público


Aconteceu, na manhã de hoje (12), no edifício sede do Ministério Público Estadual - MPE, a nona reunião para tratar da implantação de infraestrutura cicloviária na cidade de Maceió e demais rodovias do estado de Alagoas. A última reunião ocorrera há pouco mais de nove meses, mais precisamente, em 06/09/2011. O interstício de tempo foi tão grande desde a última reunião, que muitos participantes da Bicicletada nem acreditavam mais que ainda pudesse render algum fruto de todas aquelas discussões do ano passado. Mesmo assim, comparecemos em bom número para saber o que a reunião nos traria de novo. O promotor Max Martins deu início à reunião fazendo uma retrospectiva dos temas debatidos nos últimos oito encontros. Fez também a leitura da ata da reunião anterior. Logo em seguida, indagou aos presentes se houve algum avanço desde as últimas reuniões.


O Sr. Alexandre Casado, representante da Bicicletada de Maceió, disse que apesar de alguns avanços, como a ciclovia da Av. Márcio Canuto e a ciclofaixa da Av. Juca Sampaio, muitas das promessas feitas nas reuniões anteriores não foram cumpridas. O Sr. Carlos Alberto, presidente da Associação Alagoana de Ciclismo – AAC, também expressou seu descontentamento com o avanço lento da implantação de infraestrutura cicloviária na cidade. Segundo ele, a morte do ciclista José Afrânio Filho, na ciclofaixa da Av. Juca Sampaio, foi provocada por ausência de sinalização semafórica direcionada aos ciclistas. Carlos Alberto citou a dissertação de mestrado de Fernanda Cortez, que mostra que a maioria dos ciclistas da cidade utiliza a bicicleta como seu único meio de transporte, tendo como principais motivos a economia no orçamento familiar e o péssimo serviço de transporte coletivo disponível em Maceió. Carlos Alberto enfatizou a necessidade de oferecer segurança ao trânsito desses cidadãos que optaram pela bicicleta como meio de transporte.

Em seguida, o promotor Max Martins disse que espera sair dessa reunião com soluções concretas, tanto para a correção de falhas na infraestrutura cicloviária existente como para a elaboração de um cronograma para implantação de placas de sinalização de advertência em algumas vias da cidade. O promotor exibiu o mapa elaborado pela Prefeitura que trata da infraestrutura cicloviária no município.


José Moura, representante da SMTT, descreveu o mapa e afirmou que, atualmente, Maceió teria cerca de 28 km de ciclovias. Alexandre Casado colocou o mesmo questionamento que já fora colocado em reuniões anteriores, de que a ciclovia da Av. Menino Marcelo, que é mostrada com “ciclovia existente” no mapa, está inconclusa. Segundo Alexandre, Maceió dispõe de apenas 13 km de ciclovias, que consiste nas ciclovias da orla marítima, da orla lagunar e do Distrito Industrial.

O promotor Max Martins pediu que a SMTT fizesse um levantamento da situação atual para atualizar o mapa. José Moura disse que a SMTT fizera um levantamento em setembro do ano passado, alguns dias após a última reunião, mas que as fotos foram perdidas. A promotora Denise Guimarães se irritou e disse que parece brincadeira ouvir dizer que fotos foram perdidas e que considera isso uma falta de respeito com o Ministério Público. Para Denise, o assunto debatido na reunião é sério, pois se trata de vidas humanas e espera-se que o município tenha um posicionamento claro, se vai fazer ou não o que se está pedindo, que se coloque um ponto final nesse assunto.

Gildo Santana, representante da AAC, disse que compareceu a esta reunião por uma questão de honra e que espera não sair mais uma vez frustrado, já que há orçamento para realizar tudo o que se pede, que não há motivos para o poder público municipal ficar se esquivando e que gostaria de saber o que está por trás de toda essa morosidade do poder público municipal. O procurador do município, Sr. Carlos Roberto disse que o município não está parado, que algo tem sido feito e que gostaria de discutir questões técnicas, não políticas.

O promotor Max Martins indagou se a Prefeitura poderia se comprometer a colocar a sinalização de advertência nas avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. José Moura disse que trabalha no setor de sinalização da SMTT, mas que seu setor só pode sinalizar se houver projeto. O superintendente da SMTT, Sr. Ranilson Campos, se comprometeu a contratar empresa para realizar projeto de sinalização das avenidas Fernandes Lima/Durval de Góes Monteiro, General Hermes, Gustavo Paiva e Siqueira Campos.


Em seguida, o Sr. Antônio Facchinetti apresentou uma proposta de adesivo para ser confeccionado pelo poder público municipal e ser fixado nos carros, como campanha educativa. O Sr. Carlos Roberto disse que não tem condições de realizar essa campanha nesse momento por conta do período eleitoral.

Logo após, iniciou-se um debate sobre a (deficiência na) sinalização da ciclofaixa da Av. Juca Sampaio / ciclovia da Av. Márcio Canuto. José Moura disse que a população não sabe a dificuldade que foi para realizar aquela intervenção. Também foi levantada a questão da Rua Deputado José Lages ter sido pavimentada em agosto de 2011 e até o momento não ter recebido qualquer sinalização horizontal, havendo um descumprimento do Art. 88 do Código Nacional de Trânsito por cerca de dez meses. O promotor Max Martins indagou sobre o que estaria faltando. Ranilson Campos disse que falta estrutura, falta pessoal e que há contratos vencidos. A representante do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB/AL, Sra. Isadora Padilha, disse que essa justificativa não tem fundamento, pois não houve mudança de gestão. É o mesmo prefeito que está há oito anos em seu mandato.

O Sr. Carlos Roberto sugeriu que a SMTT atualize o levantamento fotográfico e repasse para a SEMINFRA que, por sua vez, elaborará um cronograma de atividades e encaminhará ao MPE. A sugestão foi acatada pelo promotor e os prazos foram determinados em ata.
 

Em seguida, a Sra. Dione Pereira, representante da SEMPLA, disse aos presentes que Maceió desenvolveu um Plano de Mobilidade dos Não-Motorizados e que a cidade está na vanguarda no que se refere ao assunto. O secretário da SEMPLA, Sr. Márzio Delmoni, disse que esse Plano irá permitir que o município consiga verba no Ministério das Cidades. Disse também que esse Plano deu origem a dois outros planos: Plano Cicloviário da Cidade de Maceió e Plano de Passeios e Calçadas. Quanto ao Plano Cicloviário, este será encaminhado à Câmara Municipal de Maceió para aprovação. Com relação ao Plano de Passeios e Calçadas, o poder público municipal não enviará nesse momento porque entende que implicará na geração de receita e, por isso, precisa ser melhor avaliado pela Secretaria Municipal de Finanças.

Ao final, o promotor fez a leitura da ata, realizando as modificações propostas pelos presentes. Os promotores pretendiam fixar uma multa para a Prefeitura, caso não viesse a cumprir o que foi acordado. O procurador do município, Sr. Carlos Roberto, pediu que a multa fosse retirada, sob pena de não assinar a ata. O procurador justificou que não teria vindo à reunião com responsabilidade para assinar compromisso com multa. O promotor Max Martins indagou sobre quem deveria ser convidado então para responder pelo poder público municipal, se o gestor maior, o prefeito. Constou em ata a retirada da multa a pedido do procurador do município.

Sem mais a ser discutido, o promotor encerrou a reunião e informou que convidará todos os interessados assim que tiver uma data marcada para uma nova reunião.

Para baixar a ata desta reunião, clique aqui.
 
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Veja um resumo das reuniões anteriores:

- 8ª reunião, 06/09/2011, no Ministério Público Estadual

- 7ª reunião, 29/08/2011, no Ministério Público Estadual

- 6ª reunião, 18/08/2011, no DNIT

- 5ª reunião, 12/08/2011, no Ministério Público Estadual

- 4ª reunião, 01/08/2011, na SMTT

- 3ª reunião, 25/07/2011, no Ministério Público Estadual

- 2ª reunião, 13/07/2011, no Ministério Público Estadual

- 1ª reunião, 08/06/2011, no Ministério Público Estadual

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bicicletando em Maceió

 

por Elayne Pontual

Eles viveram em lugares e épocas distintas, mas apesar disso, tiveram, basicamente, a mesma ideia: Leonardo da Vinci na Itália, Lu Ban na China e Karl Von Drais na Alemanha. Estes são os possíveis inventores do popular veículo de duas rodas que circula, até hoje, em diversas cidades do mundo, a bicicleta. Movida por várias etnias, ela tem sido considerada um símbolo de mudança social por se opor aos malefícios provocados pelos automóveis e motocicletas ao meio urbano.

 
Seja por esporte, passeio ou por uma causa humanitária, a bicicleta vem conquistando um espaço cada vez maior nas estradas, avenidas e ruas do planeta (Fotos: Michel Rios)

No início da década de 1990, alguns ciclistas se uniram para exigir seu espaço nas ruas de São Francisco, na Califórnia, uma das cidades mais populosas dos Estados Unidos. O movimento foi denominado Massa Crítica (Critical Mass) e, ainda que existissem vários objetivos para a reivindicação, um ponto específico unia os participantes: mostrar para a população os benefícios de um modelo de cidade onde haja condições favoráveis para o uso de veículos alternativos, além de um sistema de transportes mais ecológico e sustentável. A ideia percorreu diversas cidades do mundo e chegou ao Brasil em 2003, na cidade de São Paulo, recebendo o nome de Bicicletada – assim como em Portugal.

O movimento chegou um pouco mais tarde no território alagoano. Em junho de 2008, Daniel Moura Soares, 29, servidor público da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), decidiu se unir a uma colega recém-formada em Arquitetura, Fernanda Cortez, para dar início ao movimento que já acontecia há quase 18 anos em outros países.

Participantes da Bicicletada de Maceió distribuem panfletos que incentivam a utilização de transportes coletivos e alternativos

De acordo com Daniel, o que o motivou a tomar a iniciativa foi o conselho dado por uma professora da Ufal, Regina Dulce Lins: “Em suas aulas, ela sempre nos lembrava da função social que nossa profissão deveria cumprir. Dizia que, por estarmos estudando numa universidade pública, mantida com dinheiro da arrecadação de impostos, não poderíamos ser meros profissionais interessados em ganhar dinheiro”. Logo, Daniel entendeu que a sociedade, ao pagar seus estudos, tem o direito de desfrutar do que ele aprendeu durante a graduação: “É essa a contribuição que busco oferecer com a Bicicletada: dedicar um pouco do meu tempo oferecendo o conhecimento que tenho para a melhoria da minha cidade”, diz.

Por conta do nome que o movimento adotou nos países de língua portuguesa, muitas pessoas acreditam que a proposta da Bicicletada se baseia na substituição do automóvel pela bicicleta. No entanto, o veículo, movido pelo esforço do próprio usuário através de pedais, tem suas limitações e, segundo especialistas, deve ser utilizado em percursos de até 6 km. “Em nossas panfletagens e nas reuniões que participamos, buscamos mostrar que a bicicleta não é a única solução. Ela deve ser complementada por um transporte coletivo de qualidade e por calçadas acessíveis para as pessoas circularem (seja a pé, seja com cadeira de rodas)”, explica Daniel.

 
Segundo o arquiteto urbanista Daniel Soares, as maiores reclamações vindas dos ciclistas referem-se à falta de infraestrutura para facilitar o uso da bicicleta (como ciclovias e/ou ciclofaixas) e ao desrespeito dos motoristas.

O urbanista ainda afirma que há pouco incentivo ao cicloturismo no Estado, diferente dos países europeus onde a prática é bastante comum. De acordo com ele, “as rodovias alagoanas, geralmente, tem a pavimentação do acostamento com qualidade inferior ao da faixa de rolamento, possuem um asfalto mais ‘rugoso’ – o que o torna incômodo para o uso da bicicleta – e, comumente, não recebem a mesma manutenção que a faixa de rolamento, ficando repleta de buracos”, diz, completando: “O que vemos é uma cidade construída em função de quem se desloca com automóvel, perpetuando um modelo posto em prática ao longo do século 20, modelo este que inúmeras cidades de outros países já perceberam ser insustentável e tem buscado reverter o quadro”. Apesar disso, Daniel considera as belezas naturais de Alagoas um grande estímulo aos que desejam conhecer rios, cachoeiras e paisagens que, muitas vezes, são inacessíveis para automóveis.

“Não vou ao trabalho de bicicleta porque chegarei suado e lá não tem lugar para tomar banho”. Esse é um dos motivos mais frequentemente dado por aqueles que não tem o hábito de usar a bicicleta como um meio de transporte. Segundo Daniel, existem medidas simples que poderiam ser tomadas pelas empresas como forma de apoio ao uso do veículo como, por exemplo, a instalação de vestiário. Outro fator que contribui para o desestímulo ao uso da bicicleta é a falta de respeito dos motoristas. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, ao ultrapassar um ciclista, o condutor de um veículo automotor deve reduzir a velocidade e passar a uma distância igual ou superior a um metro e meio. “Como o código não especifica a velocidade e como também não há uma forma prática de saber se está a 1,5 metros de distância ou não, é interessante que o motorista se afaste o máximo que puder e passe pelo ciclista o mais lentamente possível”, aconselha Daniel.

 
O uso do capacete não é obrigatório no Brasil, mas está entre um dos itens indicados para a segurança dos ciclistas

Segundo Daniel, grande parte dos ciclistas não conhece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Com isso, várias pessoas desconhecem seus direitos e deveres e muitas vezes são apontados por motoristas como causadores de sua própria morte. “Por mais que pareça um contrassenso – já que a vítima é que tem que se proteger do agressor –, o mais importante é que o ciclista se faça ver no trânsito: iluminando a bicicleta e usando roupas claras à noite ou com cores chamativas durante o dia; sinalizando com o braço todos os movimentos que pretende fazer, para não ser imprevisível para os motoristas; utilizando capacete (apesar de não ser obrigatório pelo CTB) e dando um grito bem alto em situação de emergência, ao invés de usar a campainha (item obrigatório pelo CTB, mas pouco eficaz)”, adverte Daniel.


Para conhecer todos os trechos onde as bicicletas e os ciclistas são mencionados no Código de Trânsito Brasileiro clique em bicicletada.org/CTB. Neste endereço você também irá encontrar um link para o código completo.

BICICLETADA DE MACEIÓ

Ciclistas se reúnem no Viaduto Aprígio Vilela, no bairro do Farol

Tradicionalmente, toda última sexta-feira do mês, um grupo de ciclista se reúne às 18h, em cima do Viaduto Aprígio Vilela, no bairro do Farol. O local foi escolhido por ter grande visibilidade. O horário também é estratégico, pois às 18h o trânsito está, na maioria das vezes, congestionado, o que facilita a apresentação de faixas, a panfletagem e o diálogo com os motoristas. “Quando perguntamos: ‘O que o senhor acha que deveria ser feito para melhorar o trânsito da cidade?’, muitos respondem: ‘Construir viadutos’. Então prontamente mostramos que ele está num viaduto que foi construído para isso e não serviu para resolver o problema”, diz Daniel.

Na noite do dia 25, aconteceu mais uma edição da Bicicletada de Maceió. Entretanto, desta vez, os participantes resolveram deixar as roupas fitness guardadas e usaram aquele vestidinho básico, no caso das mulheres, ou uma camisa social de manga-longa, no caso dos homens. O Cycle Chic é um movimento originário da Dinamarca e pretende mostrar que é possível integrar a bicicleta à rotina das pessoas, sem que elas precisem alterar o modo de se vestir. De acordo com Daniel, a ideia de colocar em prática o Cycle Chic durante a Bicicletada serviu de impulso para outras ideias. “Na Bicicletada de junho, que será realizada uma semana antes, no dia 22, devido ao feriado do dia 29, já combinamos de nos vestir com trajes típicos de festas juninas”, revela.

Compacta e silenciosa, além de fazer bem à saúde, a bicicleta é um dos meios de transportes mais ecológicos utilizado pelo homem, seguida por skates, patins e outro veículos movido à propulsão humana

Para a estudante de direito e também participante da Bicicletada de Maceió, Vanessa Vassalo, 21, o movimento é importante por permitir que as pessoas saiam do isolamento e da solidão do automóvel e passem a frequentar os espaços públicos, seja a pé, de bicicleta ou no transporte coletivo. “Ao nos isolarmos, deixamos de viver o cotidiano da nossa cidade, deixamos de conhecer pessoas, de conversar, de caminhar por Maceió, de sentir o lugar em que vivemos. Por isso, penso que o correto é utilizar o automóvel só quando for realmente necessário. É um bem que fazemos para a coletividade e para nós mesmos”, diz.
 

sábado, 26 de maio de 2012

48ª Bicicletada + Cycle Chic


Na noite de ontem (25), aconteceu mais uma edição da Bicicletada de Maceió. Porém, nesse mês, aconteceu algo um pouco diferente. Resolvemos colocar em prática a ideia do Cycle Chic. Na divulgação da Bicicletada, pedimos que os participantes não utilizassem aquelas roupas coladas e cheias de patrocinadores que os ciclistas costumam usar. Pedimos que comparecessem vestindo uma roupa que costumam utilizar no dia a dia: no trabalho, na faculdade... uma roupa bonita, uma roupa chic!


E o pedido foi atendido. Os 17 participantes da última Bicicletada provaram que não é preciso estar todo paramentado para usar a bicicleta em seus deslocamentos pela cidade. Cada um mais elegante que o outro, os participantes da Bicicletada compareceram ao tradicional ponto de encontro, em frente à Faculdade SEUNE.




Aproveitamos o congestionamento que se forma todos os dias nesse horário para panfletar com os motoristas sobre os benefícios da inclusão da bicicleta no trânsito e os malefícios provocados pelo automóvel ao meio urbano. Permanecemos ali até as 19 h, quando descemos a ladeira Geraldo Melo e saímos para dar um rolé pela cidade.


Seguimos pelo bairro de Jaraguá, em direção à orla marítima da cidade, passando pelas praias de Pajuçara e Ponta Verde. Por onde passávamos, percebíamos que estávamos chamando atenção, com várias pessoas nos olhando, provavelmente por nossos trajes pouco usuais para ciclistas.


Chegando ao bairro da Jatiúca, seguimos pela Av. Amélia Rosa, onde paramos numa cafeteria que acreditamos que seja chic (pelo menos pelos preços no cardápio). Lá, passamos algumas horas debatendo sobre Mobilidade Urbana, entre outros assuntos. Não tivemos o problema que os motoristas costumam ter para achar vaga de estacionamento. Na vaga de apenas 1 carro, conseguimos estacionar 17 bicicletas.
 
 
 

domingo, 20 de maio de 2012

Cycle Chic


Pedalar é chic, très chic.

A bicicleta é, com certeza, o meio de transporte mais divertido, saudável, ecológico, bonito e romântico que há! Quem não ama pedalar nas horas de lazer? Pelo parque, pela orla marítima, ou mesmo pela vizinhança... Então, se amamos tanto usar esse veículo, por que só fazemos isso em tão poucos momentos da nossa vida?

 
Ir a reuniões de amigos, a um café, ao cinema, ou qualquer outro lugar destinado à nossa diversão, é um bom motivo para utilizar a magrelinha. Dessa forma, vamos a locais prazerosos utilizando um meio de locomoção também prazeroso. Mas, eis que surge a pergunta: “E qual roupa vou vestir para fazer isso?”


A resposta é simples: a mesma roupa que você vestiria se fosse de carro, de ônibus ou a pé. Não precisamos abrir mão do nosso estilo para poder pedalar! Essa é a ideia do Cycle Chic, movimento que surgiu na Europa e tem se propagado por todo o mundo. Consiste em conciliar a moda e o pedal, mostrando às pessoas que vestimenta não é desculpa para deixar de usar a bicicleta para se locomover.








Leia também:


 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Jornalista André Trigueiro declara apoio às bicicletas


A gente está no ano de eleições municipais. O candidato a prefeito que não tiver uma proposta CONCRETA e VIÁVEL para tornar o uso da bicicleta inteligente e seguro nas cidades – não sei se vou exagerar aqui, é uma opinião minha – não merece o voto do eleitor, esse cara está DESCONECTADO da realidade.


por Aline Cavalcante, em 28 de fevereiro de 2012

Em recente participação ao vivo na rádio CBN, o comentarista André Trigueiro fez uma das declarações mais importantes que ouvi nos últimos tempos, especialmente em função do período eleitoral que está por vir.

A conversa sobre bicicletas começa a partir do 1’42” do áudio, quando ele fala sobre a importância indiscutível do Fórum Mundial da Bicicleta, que aconteceu em Porto Alegre, comentando que não houve “nenhuma grande empresa ou nenhuma grande mobilização de governo para tornar possível a vinda de representantes do Brasil e do mundo que estão empenhados em disseminar a bicicleta como modal de transporte”.

Trigueiro deu uma aula de cidadania, citando também os investimentos em transporte público de massa e a importância de pensar nas diferentes possibilidades da bicicleta nos centros urbanos. ”As cidades estão se tornando colapsadas pela multiplicação indiscriminada de veículos”, afirmou.

“Nós precisamos ter outro olhar sobre a bicicleta. Por mais absurdo que seja a gente imaginar, em grandes cidades brasileiras, a bicicleta abrindo caminho como uso contínuo, não apenas como lazer, entretenimento, prática esportiva”. Pode até parecer absurdo num primeiro momento, já que as pessoas não são estimuladas a pensar fora da caixinha, mas a ideia logo se torna possível, simples e fácil quando discutida de maneira racional.

“A gente está no ano de eleições municipais. O candidato a prefeito que não tiver uma proposta CONCRETA e VIÁVEL para tornar o uso da bicicleta inteligente e seguro nas cidades – não sei se vou exagerar aqui, é uma opinião minha – não merece o voto do eleitor, esse cara está DESCONECTADO da realidade”.

André se baseia no contexto de que grande parte das pessoas faz deslocamentos curtos, de até 7km, e poderia facilmente deixar seus carros na garagem, descongestionando as vias para o transporte de massa e para aqueles que precisam realmente utilizar um veículo, como por exemplo as ambulâncias.

O jornalista ainda lembra, dentro do contexto de propostas eleitorais, que “é importante os locais de trabalho terem o bicicletário, chuveiro ou vestiário, é possível fazer essa adaptação”. Facilitar o uso da bicicleta é convidar as pessoas a pedalar. Muita gente, hoje, deixa de usar a bicicleta por não poder guardá-la na empresa, ou por falta de um vestiário (se esse é seu caso, veja estas dicas).

Essa também é nossa opinião: o candidato a prefeito que não incluir a bicicleta em seus planos de governo e, principalmente, nos planos de metas, está FORA das opções de voto. E as propostas devem ser, como comentou André, concretas e viáveis (prometer ciclovia genericamente, só para dizer que tem proposta, não vale).

Pensar no uso da bicicleta é pensar numa cidade melhor, mais segura, mais humana, pacífica, democrática e saudável para TODOS - como concluíram os americanos nesse estudo.

Ao finalizar, André Trigueiro se assume fã da bicicleta e diz o que todos nós já sabemos: em vez de serem intimidados, os movimentos que questionam atropelamentos, acidentes e tragédias que acontecem nas nossas cidades (com ou sem ciclistas envolvidos) deveriam instigar as autoridades a achar soluções viáveis para evitar tantas mortes.

Parabéns, André! Que fique registrada nossa admiração, pelas suas palavras e pela sua postura em relação ao tema.

Ouça a entrevista completa no site da CBN

 
Fonte: Vá de bike
 
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Empresa incubada desenvolve software para transporte público de Maceió

 
Projeto está na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió para apreciação

Diana Monteiro – jornalista

Um dos maiores problemas nas cidades brasileiras e que afeta a rotina e a qualidade de vida da população é o caótico funcionamento do setor de transporte e trânsito. Em Maceió o serviço público ofertado continua aquém das necessidades da comunidade, mas há uma solução para esse problema. Está em fase de testes em trinta ônibus da empresa Veleiro que fazem a linha 107 - percurso Cruz das Almas/Trapiche da Barra - um software destinado a área de transporte público.

Os veículos receberam rastreadores que emitem informações de previsão em tempo real de tempo de chegada em ponto de parada e de tempo de percurso, permitindo ao usuário acesso a essa informação via internet e celular, o que representa um grande benefício para quem utiliza esse meio de transporte.

O software é um projeto da ZUQ - Soluções de software para o setor de Transporte e Trânsito, com foco em rastreamento, gestão, otimização e apoio a decisão da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Federal de Alagoas (Incubal) e tem como responsáveis o professor Willy Carvalho Tiengo, do Instituto de Computação (IC) e o graduado em Ciência da Computação Márcio Aguiar.

”Há um mês apresentamos o projeto ao superintendente Ranilson Pedro Campos Filho, da SMTT de Maceió que está analisando a proposta, e se o retorno for positivo, em quatro meses o sistema tem condições de entrar em funcionamento” , frisa o professor Willy.

Ele informa que circulam diariamente em Maceió, no horário das 5 horas às 23 horas, cerca de 650 ônibus e o projeto, que está na fase de comercialização, é considerado de baixo custo para todo o funcionamento. “O investimento inicial é de cerca de 400 mil reais destinados à compra dos equipamentos, taxa de implantação e primeira mensalidade. Depois baratearia para uma taxa de manutenção mensal que não ultrapassaria 20% do valor inicial, e não resta dúvida que a maior beneficiada seria a população”, afirma Willy.

O professor explica que o software desenvolvido tem eficiência para enfrentar os vários desafios inerentes ao setor do transporte público, entre eles às alterações diárias do itinerário dos veículos dentro das linhas programadas pelas empresas. “É comum haver alterações de rotas, viagens incompletas, suspensas, atrasadas ou fora do horário, problemas mecânicos nos veículos, revisões programadas. Mas o software prover uma solução autônoma que detecta automaticamente as mudanças atualizando todas as informações, possibilitando também ao usuário fazer consulta on-line sobre as mudanças operacionais realizadas”, diz Willy. Acrescenta que a ZUQ desenvolverá os dispositivos móveis para esse atendimento e que o evento de lançamento envolverá a empresa, a Ufal e a SMTT.

Tecnologia da informação e qualidade de vida

Segundo Willy Tiengo, atualmente associado à violência e à saúde está o transporte urbano e associado a esse setor encontram-se por exemplo, o meio ambiente, a qualidade de vida e a economia. Um agravante dessa situação é o serviço público de transporte que apresenta péssima qualidade, principalmente no que se refere ao cumprimento de horário. “Por essa razão, há uma tendência dos cidadãos de utilizarem meios particulares de locomoção, contribuindo assim, para a piora da situação nesse setor”, enfatiza o professor.

Desenvolver soluções baseadas na Tecnologia da Informação para o setor de transporte público tem a finalidade de proporcionar uma maior utilização do serviço público de transporte, contribuindo, por exemplo, na potencialização dos lucros, redução de problema de congestionamento e, consequentemente, diminuição de emissões de gás carbônico, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. “Diante deste cenário, verifica-se uma importante necessidade de desenvolver soluções para melhorar a qualidade desse serviço”, diz Willy.

Ele informa que aplica-se Tecnologia da Informação com sucesso em diversas áreas de conhecimento, incluindo no domínio de transporte e trânsito. A Europa é referência nesse aspecto, apresenta resultados satisfatórios e coleta indícios de que a adição de sistemas de informação é uma maneira de transformar a gestão do transporte e trânsito mais inteligente e eficiente.

O projeto da empresa ZUQ está entre os quatro da Incubadora da Ufal (Incubal) disponibilizados recentemente no Catálogo Verde de circulação nacional do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec) que marca presença na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU),  denominada de “Rio + 20 a se realizar em junho no Rio de Janeiro. A conferência reunirá líderes do mundo todo para discutir meios de transformar o planeta em um lugar melhor para se viver.

A tecnologia verde e negócios sustentáveis são considerados internacionalmente da maior relevância por contribuir na superação da já avançada degradação imposta pelo homem sobre o meio ambiente e sobre os recursos naturais do planeta.“Com a realização da Rio + 20 o projeto terá uma maior visibilidade por ter um viés verde, buscando qualidade de vida para os cidadãos. A ineficiência desse serviço estimulando o uso de veículos particulares concorrendo por espaços nas vias levando a engarrafamentos, tem impactos ambientais causando consequentemente, uma maior emissão de gases CO2”, frisa Willy.

A empresa ZUQ constitui também espaço de aprendizado para alunos da graduação e da pós- graduação do curso de Ciência da Computação. O projeto na área de transporte público conta com a participação de bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Inovação Tecnológica (Pibit) e um mestrando na área de “Modelagem Computacional”. Também integram a equipe, um aluno voluntário e dois bolsistas financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal).
 
Fonte: Ufal
 
 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Como a política mata ciclistas

 
por Denis Russo Burgierman

Nunca andamos tanto de bicicleta - e por isso mesmo nunca houve tão pouco espaço para elas. E para mudar isso só há um caminho: acabar com a miopia urbanística dos governantes

Cada um de nós tem uma escolha a fazer sobre como chegar ao trabalho todas as manhãs. Podemos ir de carro, a pé, de transporte público, de táxi, de moto, de bicicleta. Há prós e contras para todas as opções. Ônibus é mais barato, mas também não é nenhuma pechincha: em São Paulo, onde a passagem custa R$ 3, um mês de ida e volta de ônibus custa R$ 180 por pessoa, 30% do valor do salário mínimo. E é infernal: implica muito aperto, muito tempo perdido, muito susto com motoristas estressados... (e quem não se desequilibraria passando o dia no trânsito?).

É tão ruim que uma minoria crescente da população opta por ter um carro. A vida com carro não é boa, mas é muito melhor do que dentro do ônibus. Os vidros fumê, o ar condicionado e a música ambiente dão a sensação de que está tudo bem, apesar de Sodoma e Gomorra lá fora. Ter carro é caro: custa mais de R$ 1 mil por mês, se tudo for colocado na conta (impostos, estacionamento, gasolina, depreciação do veículo). E há vários contras para o resto da cidade: essa opção implica poluição, piora do clima, custos para a saúde. Além dos usuários de transporte público e carro, há quem prefira caminhar (a escolha mais barata), outros andam de táxi. E há quem opte pela bicicleta.

Bicicleta só não é mais barato do que caminhar. E, além do custo baixo, ela é boa para quem pedala (evita obesidade, depressão, doença cardíaca, câncer, melhora o sono, o sexo, a disposição) e para a cidade (reduz o trânsito, não emite poluentes, não piora o clima e reduz gastos públicos com saúde). A prefeitura de Copenhague calculou que, a cada quilômetro que uma pessoa anda de carro, a cidade gasta R$ 0,30. A cada quilômetro pedalado por uma bicicleta, a cidade ganha R$ 0,70 (com o incremento do turismo, por exemplo). Ou seja, abrir espaço para bicicletas é bom para todo mundo.

A boa notícia é que nunca se pedalou tanto. Só na cidade de São Paulo o número dos deslocamentos de bicicleta subiu de 47 mil por dia em 1987 para 147 mil em 2007 (data das estatísticas mais recentes). Isso é quase o dobro dos deslocamentos de táxi (78 mil). Em países bem administrados, os cidadãos são estimulados a escolher aquilo que é melhor para todos. Na Bélgica, por exemplo, ciclistas pagam menos impostos. Já no Brasil, pedestres e ciclistas são punidos com a falta de espaço.

O prefeito é o responsável por construir infraestrutura para a cidade. Ele cobra impostos de todos os habitantes e, com esse dinheiro, tem a obrigação de tornar o espaço público adequado para todo mundo. Nas cidades brasileiras, a maior parte dos investimentos no espaço público é tradicionalmente voltada para quem anda de carro - o dinheiro que a prefeitura toma de todo mundo é gasto com um só grupo.

Por quê? Por inércia. Na nossa cultura política, o que rende voto é obra monumental - basicamente grandes viadutos e avenidas. Não por coincidência, as empreiteiras que fazem essas obras são as grandes financiadoras das eleições. Ou seja, o dinheiro doado na campanha volta multiplicado ao bolso de quem "doou". Esse ciclo vicioso, por si só, não é o responsável pela quase inexistência de infraestrutura para ciclistas no Brasil, mas ajuda. É que as obras viárias matam dois coelhos dos políticos com uma cajadada só: rendem contratos gordos para os financiadores de campanha e votos, muitos votos. Mas essa é uma visão caduca.

Não é de hoje que bom urbanismo ganha eleição - e não é exagero concluir que essa tendência vive um auge histórico. O caso do Bike Rio serve de exemplo. Trata-se de um sistema de aluguel de bicicletas a exemplo do Vélib´, de Paris: você aluga a bicicleta num ponto e devolve em outro. Esperavam que o sistema tivesse 7 mil usuários. Pouco depois da inauguração, em outubro de 2011, eram 45 mil. Moral da história: construa uma boa infraestrutura, e a bicicleta como meio de transporte virá - para o bem de todos.

Olhar com atenção para esse assunto não é só uma questão de urbanismo, inclusive, mas de segurança pública. Em março, a ciclista Juliana Ingrid Dias morreu esmagada por um ônibus na Avenida Paulista, em São Paulo. Ela foi uma entre os 3 ciclistas mortos no Brasil naquela semana. José Carlos Lopes, o motorista do ônibus que a matou, disse que a conhecia, que a via todos os dias, que ela era consciente, cuidadosa, educada, "tinha noção do espaço dela". Mas não havia espaço para ela. E enquanto a visão urbanística dos nossos prefeitos continuar míope, as mortes não vão parar.

Ilustração: Alexandre Piovanni