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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pena de morte


Foi noticiada, no portal Tudo Na Hora, a morte de mais uma pessoa que se deslocava de bicicleta em Maceió, dessa vez, do sexo feminino. Pagou a pena de morte por ter escolhido um meio de transporte que faz bem à saúde, não polui o ar, não emite ruídos e nem provoca congestionamentos, ou seja, um transporte que só traz benefícios ao convívio urbano... mas que mata seus usuários.

Não é a bicicleta que mata o ciclista. O ciclista não cai sozinho e morre. As mortes são provocadas pelos veículos motorizados que pesam toneladas e deslocam-se em alta velocidade pelo meio urbano, disputando espaço, de maneira covarde, com ciclistas e pedestres, desprovidos das proteções do cockpit (como air-bag e cinto de segurança).

O Código de Trânsito Brasileiro prevê, como regra para os ciclistas, diversos equipamentos de segurança (como capacete, luzes refletivas, espelhos retrovisores), e os ciclistas (geralmente pessoas com baixo poder aquisitivo) são sempre criticados, tanto pelos motoristas como pelo poder público, por não fazerem uso desses equipamentos. A transferência da culpa para o ciclista já foi discutida em postagem recente.

O CTB ainda determina, em seu artigo 58, o que segue:

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.


É bom frisar o que diz o final do artigo: “...com preferência sobre os veículos automotores.” Mas como efetivar a preferência que um ciclista que pedala uma bicicleta de 15 kg tem sobre um caminhão de 15 toneladas? Apenas com a educação dos motoristas e a punição dos infratores.



A SMTT costuma dizer que seus agentes não estão na rua para multar, mas para educar. É um tanto romântico ouvir isso de um secretário de transportes, mas não é eficaz. É uma frase de efeito que serve apenas para manter a boa imagem política do prefeito e não deixar que os motoristas acreditem no mito da “indústria de multas”. É importante esclarecer que o lugar de educar o motorista foi na autoescola. Na vida, a educação aplicada deve ser a punição dos infratores, para que sirva de exemplo para que outros não façam o mesmo. Achar que os motoristas serão mais educados no trânsito apenas porque viram um boneco engraçado da SMTT nas ruas é pura ilusão.

Desde a década de 1970, com o desenvolvimento da consciência ambiental nos países ricos da Europa, a bicicleta tem sido cada vez mais estimulada como meio de transporte, através da oferta de facilidades (como a construção de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários) à sua utilização.

Por aqui, no subdesenvolvido, punimos aqueles que despertaram para os benefícios da bicicleta com a pena de morte. As pessoas concordam que o ciclista precisa de segurança no trânsito e, quando se fala em bicicleta, a palavra “ciclovia” está na ponta da língua. Porém, a ciclovia não é a única forma de dar segurança aos ciclistas. A redução da velocidade dos motorizados e a definição de um espaço claro para as bicicletas (com uma ciclofaixa, por exemplo) poderia ser muito mais eficaz que a difícil construção de ciclovias.

Recentemente, a Prefeitura de Maceió pintou, na faixa mais à direita da Av. Fernandes Lima, a palavra ÔNIBUS e esclareceu, através da imprensa, que estava criando uma faixa “seletiva” para estes veículos, com a intenção (obscura) de liberar mais espaço para a circulação dos automóveis (numa inversão de valores, numa cidade onde o veículo individual particular tem mais direitos que o público coletivo).


Como o CTB determina que os ciclistas devem trafegar pelo bordo da pista, haverá uma clara e desigual disputa por espaço entre ônibus e bicicletas nesta faixa. Quantos ciclistas precisarão morrer até que se faça algo? Não se sabe. O que o poder público municipal tem a dizer? Nada!

Dizer que Maceió não tem uma política clara para as bicicletas é um equívoco. Pode não ser clara, mas que há política, há. Como bem disse o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard: “Não tomar uma decisão já é uma decisão. Não fazer uma escolha já é uma escolha.”



PS: A História conta que a ciclovia é uma invenção dos nazistas que, com a intenção de motorizar a Alemanha, precisavam resguardar os ciclistas (em grande número naquele país) dos perigos do tráfego motorizado. Portanto, construir ciclovias é efetivar a ideia de que a rua pertence aos carros e os pedestres e ciclistas precisam ficar confinados nos espaços destinados a eles.

PS2: A Av. Júlio Marques Luz (antiga Av. Jatiúca) teve seu asfalto renovado recentemente. Em breve, será feita sua sinalização. Fique atento para ver se o ciclista será levado em consideração ou se continuará sendo tratado como se não existisse.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Passagem de ônibus em Maceió aumenta na segunda*

* Publicado no portal Tudo Na Hora, por Elaine Rodrigues



Conselho de Transporte e Trânsito disse que reajuste deveria ter ocorrido em janeiro

Quem precisa utilizar o transporte público de Maceió deve ficar atento. A partir de segunda-feira, o valor da passagem vai estar mais caro. A Prefeitura de Maceió anunciou, agora há pouco, o novo valor: R$ 2,10.

O aumento foi de dez centavos, mas vai fazer a diferença de R$ 4,80 por mês para quem trabalha de segunda a sábado e precisa pegar dois ônibus por dia. Em um ano, o valor sobe para R$ 57,60.

Segundo o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, estudos feitos em dezembro mostraram que a passagem já deveria ter sido reajustada para R$ 2,15 a partir de janeiro deste ano. No entanto, o prefeito Cícero Almeida determinou que fosse feito o reajuste de dez centavos, e mesmo assim, após seis meses.

O presidente da Associação dos Usuários de Transportes Coletivos, Joelson Messias da Silva, contou que não foi comunicado do aumento. "Nós entendemos que o conselho consultivo da SMTT deveria ter agregado a sociedade civil, o poder público. Quando você, faz a reunião na calada da noite, o passageiro vai dormir pagando um preço pela passagem e acorda pagando outro. Agora como é que o trabalhador vai pagar essa diferença", questionou Joelson Messias.

Ele contou ainda que mais 300 mil pessoas usam o transporte público em Maceió. "No Benedito Bentes tem gente andando pendurada no ônibus, e o veículo com a porta aberta, um absurdo. O transporte continua péssimo as pessoas andam de ônibus com menos que a quantidade mínima necessária", afirmou.

Na próxima semana a associação deve entrar com ação pública contra o aumento de passagem. "Não é aceitável que em ano político o prefeito dê aumento na passagem para beneficiar empresários", concluiu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

2 Anos da Bicicletada de Maceió

terça-feira, 29 de junho de 2010

Coletes refletivos

Por que os funcionários da SMTT utilizam coletes refletivos e/ou com cores chamativas quando estão trabalhando nas ruas?


Provavelmente, eles reconhecem os perigos que os veículos motorizados (deslocando-se em alta velocidade) lhes oferecem. Os coletes seriam uma forma de se destacarem, ou seja, serem vistos a uma longa distância que permita que o motorista que vem em alta velocidade tenha tempo de frear. Será então que todos os habitantes da cidade deveriam andar com roupas laranja, verde-limão ou com coletes refletivos?

Tratar-se-ia de uma ação em prol do motorista, onde quem tem que se cuidar é quem pode se machucar e não quem pode machucar. Fazendo uma comparação ordinária, é como dizer que todos têm que andar com um colete à prova de balas porque tem gente que anda armada. Muitos podem achar exagero a comparação, mas a diferença está na dimensão.

Recentemente, foi publicado, no sítio da Perkons, um artigo escrito por técnicos da SMTT, intitulado “Viva às igualdades no trânsito!”

Podemos notar que o texto já começa a tratar com desigualdade os ciclistas quando utilizam o termo “bicicleteiros”. Não existe essa distinção entre ciclistas e bicicleteiros. Eles não têm mais ou menos direito, devem ser mais ou menos respeitados de acordo com o motivo dos seus deslocamentos. Alegar que o ciclista foi atropelado porque não utilizava equipamentos de segurança ou porque não estava devidamente iluminado, como se fosse uma árvore de natal, é uma tentativa de transferir a culpa do atropelamento do motorista para o ciclista. A respeito das leis que as autoras falam no texto, dá para notar claramente que desconsideram as regras de trânsito destinadas aos veículos motorizados e, para piorar, aceitam esse descumprimento e, somente exigem dos ciclistas o respeito às leis.

Em mais uma comparação, tão ordinária quanto, há pessoas que dizem que deveria haver a lei “José da Penha” (em alusão à Lei Maria da Penha). O argumento mais comum é “o homem não pode bater na mulher, mas a mulher pode bater no homem”. A maioria das pessoas acha que as condições têm que ser iguais e não percebem que, para direitos iguais deve haver leis diferentes. E assim desconsideram a anatomia dos corpos de ambos e o passado e presente de repressão em que sofrem as mulheres. Quando se fala em consciência geral, vemos entre o carro e a bicicleta a mesma relação. Não se pensa muito criticamente sobre os dois veículos e, pelo fato de ambos serem veículos, vê-se assim a necessidade de igualá-los no trânsito, no sentido de cumprir deveres. É muito comum ouvir “olha como o ciclista anda, no meio da rua”. Mas não se pensa nunca o porquê do ciclista estar andando no meio da rua.

O texto ainda diz: “os motoristas têm uma percepção pequena das bicicletas na via pública. Estudos afirmam que os condutores de veículos só possuem uma visão completa e, automaticamente correta, daquilo que é compatível com seus próprios veículos em estatura.” Ora, essa afirmação só prova que quem deve tomar cuidado são os motoristas. Não devemos esquecer que a cidade não é composta apenas por bicicletas e carros, mas essencialmente por pessoas. Se os motoristas não conseguem perceber a presença das pessoas na cidade, se a velocidade não lhes permite ver que ali existe vida, quem deve ser expulso, gradativamente, da cidade são os carros, não as pessoas.

Com o domínio das ruas pelos carros, as pessoas tendem a abandoná-las. As mamães jamais deixariam seus filhos irem à escola de bicicleta, pois consideram o trânsito perigoso. Então, elas os levam bem protegidos dentro da armadura chamada carro. Não importa se esta armadura coloca em risco a vida das outras crianças, o que importa é que a dela está protegida. O vídeo SUV City satiriza com o que seria uma cidade construída exclusivamente para os SUV (sigla , em inglês, para Sport Utility Vehicle, ou veículo utilitário esportivo). Um dos motoristas é uma mamãe transportando seu filho de forma bastante "segura" dentro de um SUV.



As cidades que buscam estimular o uso da bicicleta como meio de transporte procuram também restringir o uso do automóvel, seja com a cobrança de pedágio urbano, altas taxas de estacionamento, oferta de um bom transporte público e um sistema viário que privilegie pedestres e ciclistas.

Os trabalhadores de Maceió que usam a bicicleta como meio de locomoção não o fazem porque estão preocupados em reduzir a poluição do ar ou o sedentarismo. Se lhes fosse dado um automóvel ou uma motocicleta (e o dinheiro suficiente para mantê-lo(a)), pode ter certeza que abandonariam a bicicleta. Os ciclistas não querem uma ciclovia que corte a cidade de Norte a Sul. O que os ciclistas querem é respeito no trânsito e um transporte público de qualidade, para que possam usar suas bicicletas por opção, e não por necessidade. Vale lembrar que a bicicleta é aconselhável para distâncias curtas, de até 6 ou 7 km, e não para distâncias olímpicas como as que são percorridas diariamente pelos ciclistas de nossa cidade.

Dizer simplesmente que o transporte de Maceió é ruim e que os ciclistas devem se proteger dos perigos do trânsito é assinar o nosso atestado de incapacidade. Daqui a pouco, entre as medidas para reduzir os acidentes, vamos dizer que os ciclistas, além do capacete e de toda iluminação da bicicleta, ao sair de casa, precisam rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.


PS: Não temos a intenção de criticar ou menosprezar o trabalho dos técnicos, órgãos ou entidades competentes que compõem Sistema Nacional de Trânsito (SNT), tampouco outras entidades públicas. Temos sim intenção de mostrar a realidade pela ótica daqueles que sempre são esquecidos quando se discute a questão trânsito, e colocarmo-nos à disposição para contribuir na construção de um sistema justo e igualitário para todos os cidadãos.



Leia também:

01 - 02

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bicicletada de Junho

domingo, 20 de junho de 2010

Quem vai vencer a Copa do Mundo?

Fatalidades no trânsito por 100 mil Habitantes*
* Postado no Blog De olho no trânsito


Inglaterra

62 milhões de habitantes
34 milhões de veículos
4,0



Argentina

40 milhões de habitantes
12 milhões de veículos
10,3



Estados Unidos

306 milhões de habitantes
252 milhões de veículos
13,9




México

110 milhões de habitantes
25 milhões de veículos
16,0



Brasil

200 milhões de habitantes
45 milhões de veículos
19,3

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Apenas uma imagem de algum lugar no mundo