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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O trânsito, a guerra e a paz

 Foto: Ze Carlos Barretta - CC

Por Denis Russo Burgierman, em 8 de abril de 2013

Vinha eu pela rua, de bicicleta, a caminho do trabalho e, vendo que não havia ninguém na direção contrária, passei pelo sinal vermelho. Um pedestre que atravessava pela faixa se incomodou e falou, num tom baixo, tranquilo: “o farol”. Não respondi, nem parei, nem olhei. Veterano da “guerra do trânsito” que sou, deixei o pedestre para trás se sentindo desprezado. Segui meu caminho.

Mas segui pensando.

Eu poderia ter parado. Como minha bicicleta é pequena e eu ia devagar, bastaria flexionar um tiquinho as falanges da mão, apoiar a ponta de um pé no chão e eu estaria de frente para o pedestre. Poderia fixar meus olhos nos olhos dele e falar num tom igualmente baixo, igualmente tranquilo: “eu vi você, só passei o sinal vermelho porque tinha certeza de que não iria colocar ninguém em perigo. Minha bicicleta é pequenininha, eu sabia que não iria assustar você.”

Mas não falei nada disso, segui em frente ignorando o sujeito. Afinal, eu sou um ciclista, ele é um pedestre, somos de exércitos diferentes na guerra do trânsito. Não conversamos.

Esse (des)encontro num cruzamento de São Paulo me fez lembrar dos textos da jornalista Natália Garcia, criadora do projeto Cidades Para Pessoas. Natália costuma dizer que nós não somos “ciclistas”, “pedestres”, “motoristas”, “motoqueiros”. Somos, antes de mais nada, pessoas.

Tanto eu quanto aquele pedestre quanto os motoristas à nossa volta somos seres humanos. Por acaso, naquele dia, por algum motivo, eu decidi que o melhor jeito de chegar ao trabalho seria de bicicleta – enquanto outras pessoas pela cidade optaram por andar de carro, a pé, de ônibus, de metrô, de táxi, de helicóptero. Isso não precisa fazer de nós inimigos.

Eu não sou “ciclista”. Sou uma pessoa, filho dos meus pais, irmão dos meus irmãos, amigo dos meus amigos, funcionário do meu empregador, pagador de impostos na minha cidade. Não sou um guerreiro de uma guerra imaginária. Minha bicicleta não me define. Assim como o carro imenso de vidro fumê à minha frente não é necessariamente um inimigo cruel – talvez seja só uma pessoa legal, com medo do trânsito, tentando se proteger da violência das ruas.

Todos nós – ciclistas, pedestres, motoqueiros, motoristas, usuários de transporte público – somos Homo sapiens, uma espécie social, dotada de uma imensa capacidade de comunicação. Milênios e milênios de evolução deram a nós todos um poder fantástico de se fazer entender, de criar empatia, de se colocar no lugar do outro. Nas nossas vidas, a maioria de nós, na maior parte do tempo, é gentil, tranquila – falamos baixo uns com os outros, olhamos nos olhos e conversamos.

Mas, no trânsito (assim como na internet), a comunicação se dá aos berros raivosos. Ignoramos os outros, xingamos, erguemos o dedo do meio. Se andamos de carro, nos achamos no direito de acusar todos os ciclistas de serem folgados sem respeito pelo trânsito. Se estamos sobre a bicicleta, ignoramos os pedestres e desafiamos os carros. Se andamos a pé, gritamos com o motorista que passa, como se eles fossem todos assassinos cruéis.

Em parte, é um problema de escala. Os carros de hoje são grandes demais, rápidos demais, seus vidros são escuros demais. Tudo isso evita o contato visual. Evita que possamos olhar nos olhos uns dos outros e reconhecer no outro a nossa própria humanidade. Sem isso, nosso sofisticadíssimo sistema de comunicação simplesmente não funciona – e aí só quem grita é ouvido.

Algumas cidades da Alemanha e da Holanda estão acabando com toda e qualquer sinalização de trânsito – não há mais semáforos, nem placas, nem mesmo aquele degrau que separa a calçada da rua. Tudo é de todos. Quem está de carro tem que seguir devagar, olhando nos olhos dos outros, para negociar a passagem. Seria bom se as ruas da minha cidade fossem assim – um espaço de encontro entre seres humanos, em vez de um campo de batalha.

Falta muito para isso, mas me prometi que, a partir de agora, vou andar pela rua atento. Quando estiver a pé, procurarei o olhar dos motoristas e conversarei com eles, sem gritar. Quando estiver de bicicleta, prestarei atenção em quem estiver à minha volta, pronto para conversar. Quando estiver de carro, procurarei deixar a janela aberta – e os ouvidos também. Não somos inimigos uns dos outros. E não seremos uma sociedade civilizada enquanto não formos capazes nem sequer de reconhecer a humanidade de quem escolhe um meio de transporte diferente do nosso.
  

terça-feira, 2 de abril de 2013

10ª reunião no Ministério Público


Aconteceu, na manhã de hoje (02), no auditório do Ministério Público Estadual – MPE, a décima reunião para tratar da implantação de infraestrutura cicloviária na cidade de Maceió. Em virtude do grande número de acidentes envolvendo ciclistas e da gestão municipal ter sido renovada neste ano de 2013, o promotor Max Martins decidiu retomar as discussões que vinham acontecendo desde 2011.


Antes de iniciar a reunião, o Sr. Gildo Santana pediu um minuto de silêncio em homenagem às últimas vítimas da violência no trânsito de Maceió. Em seguida, o promotor deu início à reunião apresentando como seria sua sistemática, ouvindo primeiramente os usuários de bicicleta e representantes de associações e sindicatos para, posteriormente, saber o posicionamento do poder público municipal sobre o que se pode fazer, objetivamente, em curto, médio e longo prazo.


O promotor prosseguiu apresentando pontos da Lei Federal 12.587/12, que trata da Política Nacional de Mobilidade Urbana, enfatizando o Art. 24 § 4º, que determina a data de 03/01/2015 como limite para que os municípios elaborem seus Planos de Mobilidade Urbana, ficando impedidos de receber recursos orçamentários federais destinados à mobilidade urbana até que atendam a essa exigência. Em seguida, o promotor apresentou um resumo do Procedimento Administrativo 102/11 instaurado naquele órgão em 08/06/2011.


Gildo Santana fez uso da palavra e apresentou questões referentes ao orçamento municipal. Segundo Gildo, apesar de haver rubrica destinada às ciclovias, “as coisas não se viabilizavam por falta de vontade política”, mas acredita que “essa nova gestão pensa diferente, principalmente por ter agora, no quadro da Prefeitura, uma pessoa que vivencia a problemática da bicicleta em Maceió: a arquiteta e urbanista Fernanda Cortez.

O Sr. Antônio Facchinetti, representante da Associação Alagoana de Ciclismo - AAC entregou ao promotor um documento contendo levantamento da situação das ciclovias e calçadas de Maceió. Em seguida, apresentou aos demais presentes um resumo do documento que foi entregue. O promotor disse que Maceió precisa acabar com esse paradigma de viver sempre a reboque de tudo que é realizado em outras cidades e precisa passar a ser modelo de vanguarda.

Em seguida, foi concedida a palavra ao Sr. Geminiano Jurema, representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil - Sinduscon, que falou da preocupação do sindicato com relação aos acidentes envolvendo ciclistas.


A Sra. Angela Cheloni falou sobre o acidente que sofreu recentemente, fechada por um motorista de ônibus que demonstrou bastante hostilidade mesmo depois de quase tirar-lhe a vida. Angela disse que é ciclista há dois anos e tem percebido que os motoristas de ônibus, vans e táxi são muito hostis com ciclistas. Angela entregou ao promotor sugestões de adesivos que poderiam ser fixados no vidro traseiro de ônibus e táxis como forma de orientar motoristas sobre os benefícios da bicicleta para o trânsito e sobre a necessidade de respeitar o espaço da mesma. O Sr. Facchinetti disse que, anualmente, SMTT e DETRAN realizam palestras nas empresas de ônibus. Angela disse que tal ação não pode ser esporádica, mas contínua. Angela sugeriu que representantes das empresas de ônibus sejam envolvidos nessas discussões e convidados para as próximas reuniões.


O promotor disse que acredita ser viável a fixação dos adesivos nos ônibus. Disse também que pretende convocar os planos de saúde privada para as próximas reuniões, com o intuito de realizar parceria para mostrar a bicicleta como uma mudança de estilo de vida em benefício da saúde do usuário do plano de saúde.

O Sr. Átila Vieira, representante da vereadora Heloísa Helena, fez uso da palavra e disse que as emendas feitas pelos vereadores ao orçamento municipal de 2012, referentes à mobilidade por bicicleta, não foram aplicadas pelo poder executivo municipal. Segundo ele, quando se diz que “o orçamento é uma peça técnica”, é apenas para afastar a população do debate. Para ele, o orçamento é uma peça política e, quando constata-se que os valores garantidos em emendas não foram utilizados, é porque houve algum interesse que aquele recurso não fosse aplicado. Concluiu dizendo que a população precisa se mobilizar para poder melhor acompanhar a aplicação dos recursos públicos.


O arquiteto e urbanista Renan Silva fez uso da palavra dizendo que “a utilização de recursos públicos no trânsito não é gasto, é investimento”. Renan mostrou que cerca de 1.000 ciclistas deram entrada no Hospital Geral do Estado – HGE, vítimas de ocorrências no trânsito. Segundo Renan, se levarmos em consideração que o custo médio de internação de uma pessoa gira em torno de R$ 4 mil, concluímos que são gastos R$ 4 milhões por ano apenas com custos hospitalares. Ainda segundo Renan, se incluirmos os acidentes de trânsito com todos os modais (não apenas com a bicicleta), os gastos com saúde pública chegam a R$ 260 milhões, que é mais do que se investe em segurança pública em Alagoas, por exemplo. Ainda segundo Renan, o espaço das vias é limitado e é preciso fazer um uso mais eficiente, com o transporte coletivo e a bicicleta, por exemplo. Segundo Renan, com a quantidade de automóveis que são licenciados em Maceió anualmente, seria necessário criar, todos os anos, 6 km de vias, com 10 m de largura, apenas para conseguir manter a situação caótica de hoje.


Após as manifestações da população, o promotor convidou para compor a mesa os representantes do poder público municipal. Andreia Estevam, secretária adjunto da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento – SEMPLA falou sobre o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados, que vem sendo desenvolvido pelo órgão desde junho de 2008 e sobre o Plano de Mobilidade Urbana de Maceió. Para este segundo, ela informou que será contratada uma empresa para fazer a pesquisa de origem/destino – pesquisa OD e que o plano deve estar concluído até fevereiro de 2014. Segundo Andreia, a arquiteta e urbanista Fernanda Cortez está trabalhando nos termos de referência, tanto para o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados como para o Plano de Mobilidade Urbana do município de Maceió.

Fernanda Cortez, coordenadora geral de mobilidade urbana da Sempla, fez uso da palavra e explanou sobre o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados e sobre o Projeto de Lei do Sistema Cicloviário de Maceió. Fernanda disse que, além dessas iniciativas de longo prazo, pretende trabalhar junto à SMTT e SEMINFRA (que são os órgãos que executam as obras) para conseguir resultados de curto prazo, como nas obras que estão em andamento, como a Ecovia Norte e a Avenida Josefa Mello (continuação da Av. Márcio Canuto).

Angela Cheloni argumentou que, na empresa da qual é proprietária, perdeu cinco funcionários porque a Prefeitura desativou as linhas do “Corujão”. Segundo ela, à época, quando questionou o MPE, o mesmo disse que a questão não era de interesse coletivo e que Angela deveria tratar diretamente com as empresas de ônibus. Angela mostrou-se indignada por seus funcionários ficarem sem opção pois, se vão de bicicleta, são atropelados e, se vão de ônibus, a Prefeitura desativa as linhas. Angela Cheloni disse que se angustia porque, enquanto a Prefeitura está elaborando planos e assinando documentos, os ciclistas continuarão morrendo.

Thales Ronnan, representante da SMTT, disse que o corpo técnico do órgão se mantém firme, mesmo que gestores com visão atrasada passem pelo órgão. Segundo ele, o foco da SMTT é na educação, tentando tocar no sentimento do cidadão, não enfatizando apenas a necessidade de cumprir a legislação.


Alexandre Casado disse entender as dificuldades do corpo técnico da SMTT, mas que ações simples, como a instalação de placas de trânsito, estão sendo motivo de piada entre os ciclistas. Alexandre informou que foram instaladas placas A-30b (Passagem sinalizada de ciclistas) em vias como a Av. Fernandes Lima e Av. Gustavo Paiva, onde deveriam ter sido instaladas as placas A-30a (Trânsito de ciclistas), conforme solicitado pelos ciclistas na 7ª reunião realizada no MPE. Ainda segundo Alexandre, as dimensões das placas estão incorretas para uma via arterial, pois como a velocidade dos veículos é maior nessas avenidas, as placas precisam ter dimensões maiores para serem avistadas com antecedência.


Alexandre narrou um fato que presenciou nesta semana, quando cerca de 5 agentes da SMTT se reuniam próximo à Praça Centenário apenas observando o trânsito congestionado de automóveis, enquanto a poucos metros dali, o condomínio do edifício Benedito Bentes realizava manutenção de sua calçada e os pedestres eram obrigados a desviar pelo leito carroçável, correndo risco de atropelamento, sem qualquer intervenção da SMTT para amenizar os riscos de acidente. Para Alexandre, é compreensível que agentes da Polícia Rodoviária Estadual – PRF tenham foco voltado para os veículos, pois a lida com pedestres é mínima nas rodovias. Contudo, os agentes da SMTT, que vivenciam o trânsito urbano, precisam ter uma atenção mais voltada para pedestres e ciclistas, que são as partes mais frágeis do trânsito.

Angela Cheloni lamentou a ausência do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil nesta reunião pois, segundo ela, os trabalhadores da construção civil é que estão morrendo. Como não são orientados sobre as regras de trânsito, muitas vezes andam na contramão, carregando filho e mulher e sem qualquer sinalização na bicicleta.

Segundo Renan Silva, em 2011, empresas de ônibus gastaram mais de R$ 1,5 milhão apenas com indenizações a terceiros envolvidos em acidentes de trânsito. Renan se mostrou satisfeito em saber que está sendo feita pesquisa OD para o Plano de Mobilidade Urbana de Maceió. Para Renan, ao planejar o transporte coletivo de Maceió, não pode pensar apenas em ônibus, mas deve-se também levar em consideração o sistema sobre trilhos existente, bem como sua possível expansão para a Av. Fernandes Lima.


O Sr. Celso Padilha fez uso da palavra criticando a política brasileira que, segundo ele, é feita como “negócio”. Para ele, onde há negócios, não há humanidade, mas apenas interesses privados. Para Celso, o político brasileiro, de maneira geral, é cínico, hipócrita e não da a mínima para a população. Segundo Celso, a política brasileira funciona pela astúcia e pela malandragem, buscando atender a interesses privados. Celso falou das mortes e das famílias destruídas pelo descaso do poder público. Celso disse que há 20 anos que ele se desloca de bicicleta em Maceió e não vê nada de novo, não vê mudança para melhor.

Juliana Alves, representante da SEMINFRA, iniciou sua fala justificando a ausência do secretário da pasta que, segundo ela, estava em outra reunião. Juliana informou que, nessa nova gestão, não encontraram no órgão nenhum documento que tratasse dessas reuniões que vêm ocorrendo no MPE. Informou também que novos projetos que estão sendo executados pela SEMINFRA já contemplam a construção de ciclovia. Juliana disse que gostaria da participação mais efetiva da Associação Alagoana de Ciclismo – AAC no acompanhamento dos projetos a serem executados de modo a evitar falhas.

Angela Cheloni sugeriu que a Prefeitura convoque a população para opinar sobre os projetos antes de sua execução. Fernanda Cortez disse que será marcada uma reunião na SEMPLA para discutir as obras que já estão em andamento, mas que, em obras futuras, pretende ter um canal de diálogo mais direto com a população. Angela também expôs o fato de que motocicletas costumam trafegar pela ciclovia da orla marítima. Segundo ela, cobrou de um guarda municipal alguma atitude e não obteve êxito. Thales Ronnan, representante da SMTT, disse que “os guardas precisam preservar a própria vida”. Celso Padilha indagou: “De quem é a responsabilidade então?” Ronnan afirmou ser do poder público.

Finalizando a audiência, o promotor disse que pretende transformar o Procedimento Administrativo em Inquérito Civil e que publicará no Diário Oficial ainda nesta semana. Transformando o PA em IC, há três destinações que o mesmo pode tomar: a) ser arquivado (necessitando de justificativa para tal); b) ser assinado um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, comprometendo-se o poder público municipal a cumprir aquilo que for acordado no TAC; ou c) ajuizamento de Ação Judicial, caso o poder público municipal se negue a assinar o TAC.

O Sr. Geminiano Jurema, representante do Sinduscon, questionou a transformação do PA em IC em curto espaço de tempo, por algo que já vem de gestões passadas. O promotor informou sobre o Princípio da Continuidade no Serviço Público em que, ao se candidatar ao cargo de prefeito, o cidadão deve ter conhecimento de que assumirá o ônus de tudo que diz respeito ao poder público municipal. Segundo o promotor, o Inquérito Civil conferirá poder requisitório ao MPE para colher provas para instruir eventual Ação Judicial.

Angela Cheloni concluiu pedindo urgência nas avenidas Fernandes Lima, Menino Marcelo e Siqueira Campos, apontadas por absorverem grande fluxo diário de ciclistas. Segundo ela, sempre que morre um usuário de bicicleta, é feito um protesto; morre outro e é feito outro protesto. Para ela, os protestos já estão ficando inócuos.

Para ver a ata desta reunião, clique aqui.
 
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Ficou marcada uma nova audiência, na Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (Sempla), no dia 16/04/2013, às 9 h. A audiência será para discutir as obras que estão em andamento, apresentar o Plano de Mobilidade dos Não Motorizados e o Projeto de Lei do Sistema Cicloviário de Maceió, bem como para receber sugestões e contribuições dos usuários de bicicleta para essas obras e documentos.

A Sempla fica na rua 7 de setembro, nº 26, Centro, por trás do Espaço Cultural da Praça Sinimbu.

  
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Leia também:

- Audiência discute instalação e manutenção de ciclovias em Maceió, em TV Gazeta.

- Os ciclistas de Maceió enfrentam riscos diários, em TV Pajuçara.

- MPE discute sistema cicloviário e plano de mobilidade urbana de Maceió, em Ascom MPE

- Maceió tem 20 vezes menos ciclovias do que o ideal, segundo levantamento, em Gazetaweb

- Heloísa Helena apresenta emendas pró-ciclovias, em Repórter Alagoas


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Veja um resumo das reuniões anteriores:

- 9ª reunião, 12/06/2012, no Ministério Público Estadual

- 8ª reunião, 06/09/2011, no Ministério Público Estadual

- 7ª reunião, 29/08/2011, no Ministério Público Estadual

- 6ª reunião, 18/08/2011, no DNIT

- 5ª reunião, 12/08/2011, no Ministério Público Estadual

- 4ª reunião, 01/08/2011, na SMTT

- 3ª reunião, 25/07/2011, no Ministério Público Estadual

- 2ª reunião, 13/07/2011, no Ministério Público Estadual

- 1ª reunião, 08/06/2011, no Ministério Público Estadual


segunda-feira, 25 de março de 2013

Conheça sua cidade… a pé!

Em 21/03/13, por Raquel Rolnik*

Em várias cidades brasileiras e do mundo, são muitos os grupos de pessoas que se organizam para andar de bike, promover discussões sobre a bicicleta como meio de transporte e sobre novas formas de percorrer as cidades e se deslocar. Menos conhecidos, mas também se multiplicando, são os grupos que se organizam para andar a pé… isso mesmo! No ano passado, por exemplo, visitei o “Tenement Museum” no Lower East Side, tradicional porta de entrada de imigrantes em Nova York, e tive a grata surpresa de, ao invés de percorrer salas fechadas com exibição de fotos e documentos, participar de uma caminhada pelas ruas do bairro, guiada por um monitor que ia, ponto a ponto, esquina a esquina, contando a história da cidade e da imigração.

Na semana passada, recebi de um leitor informações sobre a “Jane’s Walk”, uma iniciativa surgida em 2007, em Toronto, no Canadá, em homenagem à urbanista e ativista Jane Jacobs (1916-2006), cujo livro – “Vida e morte das grandes cidades” – tornou-se, há décadas, uma verdadeira ode à vida nas ruas e sua importância para as cidades. Anualmente, no mês de maio, para coincidir com o nascimento da urbanista, são realizadas caminhadas em grupo para explorar e conhecer diversos bairros. Para se ter uma ideia, da criação do grupo, em 2007, até maio de 2011, a iniciativa se expandiu, alcançando 75 cidades em 15 países do mundo. Além do evento anual em maio, as caminhadas podem acontecer em qualquer época do ano, desde que grupos locais se organizem.

Coincidentemente, na mesma semana, uma leitora entrou em contato para divulgar uma iniciativa semelhante em São Paulo. Trata-se do grupo SampaPé, que organiza caminhadas temáticas em diversos bairros, a fim de estimular o conhecimento dos caminhos a pé que a cidade oferece. A última caminhada aconteceu no dia 16 de março, no bairro da Penha. No site do grupo, além da agenda de caminhadas, é possível denunciar problemas nas ruas e calçadas, acessar materiais – como um mapa das feiras de rua e das obras de arte espalhadas pela cidade – e aplicativos.

Outra iniciativa que conheci recentemente é o “Rios e Ruas”, que realiza expedições a pé ou de bike para descobrir córregos e rios ocultos na cidade. O próximo passeio será no dia 30 de março, com concentração às 14h, na praça do Ciclista (Paulista x Consolação), com destino à Vila Pompeia, a fim de explorar o curso do córrego Água Preta.

Assim como no caso dos grupos de bikers, os grupos urbanos de caminhada apontam para outro tipo de relação com a cidade: ao invés de um cenário de passagem entre um ponto e outro de um deslocamento, o espaço da cidade passa a ser um espaço vivido. É evidente que a cidade, tal qual se organiza hoje, é absolutamente hostil a essa prática, uma vez que claramente a prioridade no espaço público é a circulação e, particularmente, a circulação de automóveis. Entretanto, quem busca conhecer a cidade a pé tem a oportunidade de se reconectar com a cidade, sendo capaz de fazer a crítica desse modelo e exigir outro, no qual estar será tão importante – ou mais – do que passar!

* Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

domingo, 10 de março de 2013

Londres mostra como fazer a bicicleta coexistir com o carro


Para os brasileiros, a capital britânica é exemplo ainda melhor que as mecas das duas rodas, como Amsterdã - afinal, a metrópole também teve de se adaptar a uma nova realidade, com uma presença maior de ciclistas nas vias

Nos restaurantes de Londres, não é raro ouvir a expressão "go Dutch" no momento em que a conta chega à mesa. A referência é ao habito holandês de sempre dividir as despesas por igual, independentemente de sexo. Recentemente, no entanto, o termo ganhou outra conotação na capital inglesa. "Go Dutch" é a expressão utilizada pela ONG London Cycling Campaign para descrever o tipo de políticas públicas que os ciclistas querem para a metrópole. Comparada às cidades holandesas, Londres está muito longe de ser uma cidade amigável para quem se desloca sobre duas rodas - e por isso mesmo pode servir de exemplo para as cidades brasileiras, onde alcançar o índice de uso da bicicleta em Amsterdã por ora não passa de utopia. "É claro que quando você compara Londres a algumas cidades europeias, não vamos bem. O número de pessoas que utiliza a bicicleta é bem menor, e a razão é porque elas têm medo. A diferença é que, em Londres, na maior parte do tempo você tem que dividir a rua com os carros, enquanto na maioria das cidades da Holanda ou Dinamarca você tem ciclovias", diz Mike Cavennet, diretor de comunicação da London Cycling Campaign.

Pedalar em Londres pode ser uma aventura para um ciclista holandês, mas para um brasileiro parece um verdadeiro paraíso. Além de haver mais ciclovias e sinalização para os ciclistas, na maior parte da cidade carros e bicicletas dividem o mesmo espaço. A diferença fundamental está na maneira como os veículos, de maneira geral, tratam a bicicleta como parte do trânsito - e não como corpos estranhos, como no Brasil. Basta notar que na capital inglesa os ciclistas podem (e são encorajados a) utilizar a faixa exclusiva dos ônibus, como opção mais segura, enquanto nas cidades brasileiras não seria algo aconselhável. O sistema público de aluguel de bicicletas, lançado em 2010, tem se mostrado um verdadeiro sucesso. O relevo da cidade, plano em sua maior parte, também contribui.

Além de melhorar a infraestrutura das ruas para torná-las mais seguras aos ciclistas, é igualmente necessário investir em educação. O Código de Trânsito Brasileiro já contempla de maneira bem abrangente os ciclistas, deixando claro que eles têm direitos e deveres, mas o fato de que a lei raramente é aplicada inibe muitos ciclistas de utilizarem a bicicleta como transporte, e não apenas como lazer. "Eu diria que o mais urgente é a educação. A infraestrutura também é um problema, mas a educação seria a maneira mais rápida de dar uma resposta ao problema e dar início à mudança. De nada adianta você melhorar a infraestrutura se as pessoas não estiverem preparadas", diz o advogado Rafael Monteiro de Oliveira, 32 anos, que há dois anos utiliza a bicicleta como meio de transporte em São Paulo. Desde 2011 ele é instrutor do grupo Bike Anjo, que oferece treinamento a ciclistas que querem aprender a pedalar de maneira segura em cidades de todo o país. "O primeiro passo é educar motoristas e ciclistas. O motorista deve entender que a bicicleta não é um brinquedo ou forma de lazer, e sim um meio de transporte, que deve ser respeitado como tal. E o ciclista precisa saber que também deve cumprir as leis do trânsito, respeitar a sinalização e dar prioridade ao pedestres", diz.

Um estudo feito em 2010 pela Transport for London - órgão responsável pelo transporte na capital inglesa - mostrou que em cerca de um quarto dos acidentes envolvendo bicicletas e outros veículos naquele ano a responsabilidade podia ser atribuída aos ciclistas, por erros como falta de cuidado. Em apenas 5% dos casos os acidentes foram causados porque os ciclistas infringiram alguma lei de trânsito - como avançar um semáforo, por exemplo. Nas cidades brasileiras, a falta de vias adequadas e a agressividade do trânsito também faz com que muitos ciclistas deixem de cumprir o que a lei prevê - como utilizar a calçada somente quando esta for adaptada ao uso de bicicletas, por exemplo, para não colocar em risco os pedestres. Trafegar pela contramão ou falar ao celular enquanto se pedala, por exemplo, são atitudes tão perigosas para o ciclista quanto para quem o faz atrás de um volante.
 
Fonte: Veja Online

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Transporte gratuito


Tallinn é primeira capital europeia com transporte público grátis

Tallinn, na Estônia, se tornou em 2013 a primeira capital europeia com transporte público gratuito para todos os seus habitantes, uma forma de reduzir os engarrafamentos e a contaminação.

Desde o começo do ano, os moradores da cidade têm que apresentar um novo cartão ao embarcar em ônibus, bondes ou trólebus, mas o trajeto é totalmente gratuito.

"Ainda é tão novo que muitas vezes me esqueço", admitiu à AFP Pavel Ilmajarv, um jovem de 19 anos, ao embarcar em um ônibus no centro da capital estoniana. "Antes, tinha um cartão mensal e não precisava apresentá-lo toda vez. Mas não vou me queixar: a gratuidade dos transportes é superprática, adoro", afirmou,

A gratuidade é reservada aos 420 mil moradores de Tallinn. Só é preciso pagar dois euros pelo cartão magnético pessoal que comprova a residência.

"Tivemos esta ideia há um ano e constatamos que nas primeiras semanas o número de pessoas que usa os transportes públicos aumentou, portanto decidimos aumentar o número de ônibus em serviço", afirmou à AFP o prefeito adjunto de Tallinn, Taavi Aas. A metade dos moradores da capital já utilizou o novo sistema, segundo a prefeitura.
Mas para o município, a gratuidade tem um custo. "Este ano, ficaremos sem os 12,4 milhões de euros da venda de bilhetes, uma soma que cobriria 23% da totalidade dos custos do transporte público de Tallinn", explicou Toomas Pirn, porta-voz da prefeitura.

"Uma parte deste valor será compensada pelo aumento dos impostos correspondentes à chegada de novos moradores. Este ano, a população aumentou em 3.686 pessoas e continua aumentando", acrescentou.

Muitas pessoas que até agora declaravam sua residência de verão como a principal se registraram em Tallin para poder se beneficiar da gratuidade dos transportes e assim contribuem para aumentar os ganhos do município, pagando impostos localmente.

O objetivo da operação é lutar contra os engarrafamentos e a contaminação.

"Esperamos limitar o número de veículos em circulação na cidade e reduzir a contaminação do ar. Segundo os estudos, os veículos são os maiores contaminadores em Tallinn", afirmou Pirn. a

domingo, 20 de janeiro de 2013

Revista Época - edição 765



A revista Época desta semana traz histórias de quem decidiu abrir mão do carro particular nas metrópoles brasileiras. Compre nas bancas ou clique aqui para ler trechos das matérias.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Classe média


dica 030 - Praticar o "cada um por si" no trânsito
publicado no blog Classe Média Way Of Life

Para quem quer se comportar como a Classe Média brasileira, um ótimo ambiente de observação é o trânsito de nossas grandes cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores deste peculiar grupo social.

O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individual prioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da Classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (este ponto já é bem mais fácil de entender).

Para encarar o trânsito, cada cidadão da Classe deve estar equipado com seu carro. Se uma moradia médio-classista possui, por exemplo, 4 habitantes em idade para serem condutores, o ideal é que ali haja 4 carros. O carro é uma importante propriedade desses cidadãos, e seu interior é seu mundo particular, uma extensão de sua casa sobre rodas. Por isso, o carro para este público precisa ser equipado com "insulfim", equipamento de som, ar-condicionado e lugar para no mínimo cinco passageiros (para levar objetos e peças de vestuário, uma vez que raramente o carro do médio-classista trafega com mais de uma pessoa além do motorista). Tudo isso garante que o que realmente importa (o mundo particular do condutor) esteja muito agradável, a fim de evitar o contato com o mundo exterior, totalmente desprezível. Para este, há um mecanismo de comunicação denominado buzina.

Você, aprendiz de médio-classista, precisa aprender que, para ser da Classe, é necessário se revoltar com as atuais condições do trânsito. Assim, no seu papel de cidadão politizado e pagador de impostos, deve exigir das autoridades que abram espaço na cidade para mais carros. Que desapropriem, botem a cidade abaixo, mas garantam a duplicação das vias até resolver o problema (o que provavelmente será quando a cidade for um grande plano de asfalto). Fique revoltado também pelo fato de o Governo se preocupar mais em, violentamente, coibir seu direito sagrado de ingerir álcool, do que abrir mais acessos pro seu carro trafegar mais rápido.

Também é preciso aprender a se comportar neste ambiente. Se você quiser se parecer realmente com alguém da Classe, ande sempre na frente dos outros. Se alguém sinalizar que quer mudar de faixa e ficar à sua frente, mesmo que você esteja um pouco longe, acelere loucamente para passar à frente dele antes que ele realize a manobra. Logo, sabendo que todos agirão assim, dispense o uso da seta (pode até pedir o mecânico para desativar a sua). Você não tem que dar satisfações sobre pra que lado vai virar ou se quer ou não mudar de faixa.

Portanto, aspirante, o primeiríssimo passo para entrar na Classe é abandonar o transporte coletivo, o metrô e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte coletivo você está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é "só seu". É muito melhor que você trafegue dentro de sua bolha de vidro e metal, "privatizando" (aprenda a adorar esta palavra) cerca de 10m² do espaço público, com uma máquina de 1000kg que queimará petróleo para transportar uma pessoa de 70kg, a fim de garantir seu merecido bem-estar até seu destino. Você tem direito, você é da Classe Média.

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