Qualquer semelhança com os Estados Unidos não é mera coincidência...
Em fevereiro deste ano, a Prefeitura de Boca da Mata, cidade do interior de Alagoas, decidiu fechar a área central da cidade com correntes com o intuito de evitar que a agência do Banco do Brasil fosse assaltada mais uma vez. Com as correntes, apenas pedestres e ciclistas poderiam circular naquela região. Nada de automóveis, nada de assaltos, nada de fugas hollywoodianas.
Na sua opinião, existe alguma ligação entre automóveis e criminalidade? Comente!
Demoramos para escrever, mas achamos que não poderíamos deixar passar em branco o registro de tudo o que foi feito em Maceió durante a Semana do Dia Mundial Sem Carro - DMSC de 2010.
Talvez, o DMSC em si não tenha tido a mesma repercussão que a edição de 2009, provavelmente devido à simultaneidade de ações em pontos diferentes da cidade. Porém, diferente do ano passado, quando as ações se concentraram em apenas um dia, neste ano, tivemos uma programação intensa e diversificada por toda a semana.
Abrindo a semana, o Sesc fez a grande gentileza de incluir, em sua programação semanal de cinema, o documentário Sociedade do Automóvel. Além do Sesc, Ufal e Cesmac também realizaram exibições.
Ainda na segunda-feira, à noite, teve início o 1º Encontro Alagoano da Bicicleta, que se estendeu por toda a semana. O evento foi organizado pela Associação Alagoana de Ciclismo – AAC e contou com ótimas palestras referentes ao tema.
A quarta-feira, 22 de setembro, propriamente o DMSC, foi o dia mais movimentado. Às 6h da manhã, a turma da Bicicletada de Maceió se reuniu em frente ao CEAGB e ali estendeu faixas e entregou panfletos para que, aqueles que por ali passavam, tomassem conhecimento desta data tão importante que estava sendo comemorada em todo o mundo.
Foi possível perceber que crianças entre 8 e 11 anos já percebem a situação caótica que se encontra o trânsito da cidade onde vivem. Também foi bom ver o entusiasmo das crianças com nossas bicicletas. Muitas se interessaram em saber o preço e saíram dizendo que iriam pedir aos pais.
Infelizmente, em poucos anos, influenciadas pelas propagandas, o sonho delas deixará de ser uma simples bicicleta e passará a ser o carro. Mas o que pudemos perceber nesse 22 de setembro, lidando com seres com tão pouco tempo de vida, é que até a mais pura e inocente criança tem senso crítico e consegue reconhecer um problema grave como a mobilidade urbana em Maceió.
Talvez isto nos faça repensar as ações da Bicicletada, quase sempre direcionadas a pessoas que dirigem (e que dirigiram por toda a vida). Mudar os hábitos de alguém que já está escravo do carro há duas ou três décadas é muito mais difícil do que mostrar uma possibilidade de cidade diferente para alguém que ainda tem a mente aberta para construir o futuro.
Como bem coloca o urbanista francês Marcel Roncayolo: “o patrimônio é menos o que recebemos e mais o que deixamos.”
Paralelamente à ação realizada pela Bicicletada em frente ao CEAGB, a AAC realizou um passeio matinal pela orla marítima da cidade, tendo como ponto de partida o Posto 7, na Jatiuca, seguindo até a Praça dos Martírios. Foi cogitada a participação de políticos (candidatos ao pleito eleitoral) no passeio, o que poderia transformá-lo num comício. Até a participação do prefeito, como já acontece em outras capitais, estava prevista, mas ele desmarcou na véspera.
Apesar da ausência do poder público nas atividades do DMSC, a mídia televisiva já sabe a importância que a data tem e ajudou na divulgação das ações realizadas na cidade, sendo uma grande porta-voz dos ideais e objetivos do movimento. Tanto as ações da Bicicletada, como as ações da AAC, tiveram uma ampla cobertura da imprensa. Veja aqui.
Ao final da manhã, os ciclistas presentes no CEAGB percorreram a Av. Fernandes Lima, uma das vias mais congestionadas da cidade. Os ciclistas ocuparam a faixa central da via, deixando a faixa da direita livre para o transporte coletivo e a da esquerda para o transporte individual. Apesar de poucos foi possível se impor aos veículos motorizados e talvez justamente por haver apenas 7 ciclistas, esse passeio foi marcante!
A decisão de ocupar a faixa do meio é uma forma de não atrapalhar o transporte coletivo (que tem horários e rotas a cumprir) e cobrar dos motoristas um maior respeito aos ciclistas no trânsito, propondo, de maneira forçada, um compartilhamento da via.
À noite, cerca de 80 ciclistas saíram da Ponta Verde em direção ao Centro, no tradicional passeio ciclístico em comemoração ao DMSC. A noite foi tranquila e divertida para quem esteve presente.
Para fechar a semana, na sexta-feira, às 18h, foi realizada a 28ª edição da Bicicletada de Maceió. Os participantes realizaram panfletagem com os motoristas que desfrutavam do tradicional congestionamento desse horário. A panfletagem foi interrompida por uma chuva que insistia em molhar e estragar os panfletos. De lá, a turma seguiu para um happy-hour na casa de uma participante.
Dia Sem Carro no Rio tem 105 mil viagens a menos em automóveis
Segundo a prefeitura, índice de adesão chegou a 3,5% na cidade. Trecho do Centro do Rio vai ter proibição de estacionamento mantida.
Tássia Thum
A adesão ao movimento do Dia Mundial Sem Carro foi considerada satisfatória pela Prefeitura do Rio. De acordo com o levantamento da Coordenadoria de Engenharia e Trânsito (CET-Rio), cerca de 105 mil viagens em carros particulares deixaram de ser feitas nesta quarta-feira (22). O número representa uma adesão de 3,5% dos cariocas à campanha, que propôs trocar o automóvel pelo transporte público ou pelas bicicletas.
Segundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente, nesta quarta foram produzidos uma quantidade três vezes menor de monóxido de carbono, no Centro, onde o estacionamento em algumas áreas foi proibido, e em Copacabana, na Zona Sul da cidade.
O objetivo da ação, que se iniciou em 1988, na França, é conscientizar as pessoas sobre os danos da emissão de gases do efeito estufa e ressaltar a importância do uso sustentável dos meios de transporte.
Estacionamento segue proibido no Centro
O Dia Mundial Sem Carro termina nesta noite, mas a CET-Rio promete deixar como legado algumas iniciativas que promovam o uso de transporte público. O estacionamento nas ruas Buenos Aires e Alfândega, no trecho entre a Rua 1º de Março e a Avenida Rio Branco, no Centro, será proibido. A proibição representa 46 vagas a menosna região.
Nesta quarta, mais de 2 mil vagas no Centro ficaram com o estacionamento proibido, o dobro de 2009.
"Essas ruas são muito estreitas, com muitas lojas, e não se adequam ao estacionamento. Com esta iniciativa tentamos estimular o uso racional do automóvel e incentivar o uso do transporte público", disse o subsecretário municipal de transportes, Romulo Orrico.
Recorde de bicicletas alugadas
De acordo com os cálculos da prefeitura, muitos cariocas optaram em usar as bicicletas. As estações de aluguel do veículo bateram recorde e todas as 190 bicicletas espalhadas em 19 estações foram alugadas.
Neste ano, foram rebocados 78 carros, entre eles 13 motos, e o número de multas por estacionamento irregular no Centro chegou a 330. No ano anterior foram 91 veículos guinchados e 190, multados. Nesta quarta, em toda a cidade, foram multados 697 veículos.
Zonas 30 vai ficar
Outra medida que adotada pela prefeitura que será permanente é a redução de velocidade para no máximo 30 km/h em nove bairros das zonas Oeste, Norte e Sul, para permitir o tráfego de bicicletas e carros em uma mesma via.
Os bairros que terão a chamada Zona 30, já adotada em Copacabana desde 2009, são: Grajaú, Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Del Castilho, Ilha do Governador, Anchieta, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Ipanema.
“São Paulo atingiu 6 milhões de veículos, quase a frota da Argentina inteira. Vivemos em uma cidade feita para servir sua majestade, o carro. O resto é silêncio. Ninguém dá muita bola para o Dia Mundial sem Carro, 22 de setembro.
Mas o meu dia foi 19 de outubro. Corria o ano de 2004. Numa manhã quente, saí de uma concessionária deixando lá para sempre o último representante da dinastia de meus oito veículos automotores, iniciada nos anos 70, com um Fusca amarelo. Fui à padaria mais próxima para me refazer daquele gesto extremo. Sentia-me só. Um amigo fizera de tudo para me demover da idéia de adotar a vida de pedestre:
– Esta cidade já é um horror com carro. Sem ele, é inviável.
Mais de três anos se passaram desde minha Revolução de Outubro. A sensação inicial de desamparo não durou muito. Logo tratei de organizar a vida de outro modo. Não sou tão tolo a ponto de insinuar que, tendo renunciado ao carro, colaboro para reverter o efeito-estufa. Quando muito, atenuo o efeito-estofamento: aquele mau-humor que eu tinha antes, a três por quatro, ao ficar preso no trânsito.
A perfeição não existe. As calçadas de São Paulo, inclinadas, estreitas, imundas, esburacadas, atravancadas por mendigos e camelôs, cheias de degraus, são trilhas dantescas em comparação com as das ruas planas de Buenos Aires, Paris, Londres, Nova York, Tóquio e (se me permitem) Rio Grande. Mas não estou só. Tenho conhecido diversas pessoas que também tiveram carro a vida toda, e aí deram um basta. Ou deram um tempo, e acabaram gostando.
Mudando-se a forma de deslocamento, muda-se jeito de olhar o mundo. Quando se anda a pé, encontra-se pérolas até no caos de São Paulo: aromáticas padarias, refrescantes quitandas, penumbrosos antiquários, aconchegantes botecos, faustosos cemitérios, coloridas feiras, galerias babilônicas, descolados sebos, reluzentes vitrinas cheias de instrumentos musicais. Surge uma outra cidade que antes estava envolta na bruma.
Quanto nos tornamos motoristas, aos poucos nos rendemos a um ambiente de alavancas e pedais; botões e faróis; guardadores e guardas; espelhos e semáforos; impostos e multas. Sem sentir, sucateamos as lembranças de uma época em que andávamos por aí mais leves e disponíveis.
Andar a pé tem desvantagens, claro. O pedestre está mais exposto, por exemplo, ao cheiro de gasolina que existe nas ruas. Mas pior que isso, creio, é confundir o odor acre do interior de um carro novo (mistura de cola, tinta, plástico, resinas) com o perfume da prosperidade.
Andar a pé não significa tornar-se franciscano. Assim como o sonho de consumo de um motorista pode ser uma Ferrari, o do pedestre pode ser uma palmilha de silicone. Não vejo problema nisso.
Não sei se emagreci ou engordei desde minha Revolução de Outubro. Um peregrino urbano deve aprender a resistir à tentação de entrar em toda padaria que encontra pela frente. A ele já é concedida uma forma de felicidade que se tornou rara, hoje em dia: poder ir ao cinema por impulso, ao sentir cheiro de pipoca.”
Escreva sobre o Dia Mundial Sem Carro e ganhe uma bike exclusiva Yahoo! Houston
Na próxima quarta-feira (22) teremos o Dia Mundial Sem Carro, uma data especial que estimula o debate em torno de alternativas para o transporte público nas grandes cidades. O Yahoo! apoia essa ideia com o Social Bike, um site com reportagens especiais e dicas para adotar a bicicleta como meio de transporte.
Você também pode entrar no clima. Mande uma frase para o e-mail socialbike@yahoo.com.br, explicando o que faria você deixar o carro em casa não só por um dia, mas definitivamente, ajudando assim a desafogar o trânsito da cidade e melhorando o ar que todos respiramos. A melhor frase ganha uma bike exclusiva Yahoo! Houston, feita especialmente para esta ocasião. Você tem até o dia 21 para enviar seu e-mail.
* Lembre-se, a frase deve ser de sua autoria e será publicamente divulgada pela Yahoo! Brasil. Você declara que a frase enviada é legal e não viola quaisquer direitos de terceiros.
Para quem acha que viadutos, pontes e túneis são sinônimo de progresso. Para quem fica feliz toda vez que a Prefeitura anuncia que vai construir mais um viaduto em Maceió. Para quem acha que São Paulo é um modelo de cidade a ser seguido.
“Troque seu sonho de consumo pela cidade dos sonhos”. Esta e outras frases de efeito tem circulado nos blogs, rede sociais, canais internacionais, com a aproximação do dia 22 de setembro, dia mundial sem carro. Movimento que nasceu na França, em 1998, e chegou ao Brasil em 2001. Hoje conta com a participação de várias cidades.
Não sou do tipo adepta aos dias, não comemoro as datas comerciais e confesso que tenho alguma dificuldade com as festas religiosas. Mas desta vez resolvi me juntar ao coro “livre-se do carro”, até porque tenho muito a comemorar: meu primeiro ano de vida sem carro, desde os dezoito. Livre das emissões e dos congestionamentos.
Não, não me isolei da civilização para viver reclusa no alto da montanha do Tibet, nem optei pelo perfil andarilho de Bashô ou Forest Gump, embora desejasse. Moro em São Paulo e há um ano levei ao extremo minha reflexão sobre o transporte individual nas grandes cidades, aproveitei a chance dada pelo ladrão para me libertar de mais este vício. Sim, andar de carro é um vício!
Saiba, é difícil! Nos primeiros dias suas mãos tremem buscando as chaves, seu corpo implora pelo conforto do banco sobre as rodas e você pode pensar que não vai sobreviver. “A verdade é que você consegue e depois se acostuma!”, me disse um amigo alguns meses mais tarde.
Incrível que pude somar à minha vida diversas experiências bem-sucedidas de liberdade em relatos semelhantes a este. Sim, liberdade de ir e vir, bastante diferente do pânico propiciado pelos congestionamentos intermináveis. Peça um habeas corpus! Junte-se a nós, os sem-carro.
Francamente, fico feliz que haja espaço para a reflexão a respeito dos meios de transporte e que este movimento se fortaleça o suficiente para mover a máquina estatal, enferrujada, emperrada, empenada, num sentido que faça sentido. Não acredito no crescimento econômico de um país fundado no aumento das vendas de veículos automotivos. Não acredito que investir no pré-sal faça qualquer diferença para futuro da nossa nação. Espanta-me que o Brasil não tenha, até hoje, um modelo de desenvolvimento sustentável coerente. Espanta-me a falta de ciclistas em Brasília.
Entretanto – e apesar das dificuldades – quero valorizar as iniciativas que inauguram os novos tempos e parabenizar aqueles que procuram alternativas de transporte menos agressivas ao meio ambiente. De ônibus, metrô, de bike ou a pé, todos podemos contribuir. Algumas cidades implementaram ciclovias e o respeito ao ciclista tem aumentado graças ao número cada vez mais frequente de bikers na rua. Vamos invadir!
Devagar se vai ao longe Eu gosto mesmo de andar a pé. No meu dia a dia, tenho esta possibilidade. Concentro minhas atividades num perímetro relativamente pequeno e quase nunca dependo de um carro para me locomover. Vocês podem dizer que sou privilegiada por morar perto do trabalho, dentro do trabalho às vezes, mas outros, como eu, também têm este privilégio e podem abrir mão do uso do carro. Então, por que não o fazem?
Para os menos sedentários, uma boa alternativa é a bicicleta que tem a cada dia mais adeptos. Vejo cada vez mais gente, principalmente os jovens, andando de bike, batalhando para ocupar o espaço público que é deles por direito: as ruas. Pesquise e perceba o aumento significativo de ciclistas no Brasil, mesmo na cidade de São Paulo cuja geografia poderia servir como empecílio, os ciclistas estão ganhando força.
De outro lado as empresas e escritórios facilitam a vida disponibilizando bicicletários e, quem sabe, um chuveiro para uma ducha rápida depois da pedalada e antes do serviço. Aposto que este funcionário estará bem mais disposto, por conta do exercício físico, e bem menos estressado, característica básica dos motoristas nas grandes cidades após alguns minutos no trânsito. É a iniciativa privada fazendo sua parte. E os órgãos públicos deveriam fazer o mesmo.
E assim o movimento vai crescendo e atingindo cada vez mais consciências. Vem a sensação de se unir por uma causa justa: por uma política pública que prestigie e invista em transporte coletivo; por mais incentivo nas pesquisas em combustíveis alternativos.
Quero ter o direito de andar a pé sem respirar as partículas geradas pelo veículo alheio, sentindo somente o perfume das damas da noite que invade a cidade neste início de primavera. Certamente se você estiver disposto a caminhar até a esquina vai perceber que até a próxima lua cheia o aroma adocicado das flores enebria a noite dos caminhantes. Experimente.
No dia 22 de setembro, dia mundial do carro na garagem, aproveite o percurso para pensar no assunto. Faça sua parte! Liberte-se e siga as placas para um futuro diferente.
P.S. Quem quiser aderir ao movimento e dar de presente um bicicletário pra São Paulo acesse o Yahoo! Social Bike e acompanhe o @social_bike, sem gastar combustível…